SEMANA DE VIVIMETALIUN

SAUDADES DA MINHA PEQUENA IDOTICIS ;;;;;;;;;;;;;

Writer’s Block: Songs of patriotism

TUDO DEPENDE DE VOCE

 
Tudo depende você.
Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele.
O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:
-Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!
O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:
-Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?
Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:
-Sim, há um poço logo ali, porém não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima.
O monge, sorrindo, aceitou a idéia e, logo em seguida, encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do monge:
-Pode puxar!
O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.
Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo.
Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.
Por um momento ficou mudo de espanto para, logo em seguida, gritar zangado:
-Ei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo.
De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:
-Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo com você.
-Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas idéias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.
-Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quiser realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas idéias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço.
-Desprenda-se e liberte-se.
[com base em livro de Alexandre Rangel]
A escuridão nada mais é do que a falta de luz, assim como o mal é a ausência do bem. Quando pensamentos negativos turvarem nossos pensamentos, ocultando nossos melhores sentimentos, busquemos a luz da verdade e o caminho do bem.
Abandonemos as pedras da ignorância e do medo que nos mantêm prisioneiros de nossas próprias imperfeições, nos poços do egoísmo e do orgulho.
Quando um pensamento infeliz sai da nossa mente, abre espaço para ali se instalarem miasmas de enfermidades.
Ao contrário, quando nossos pensamentos são nobres, é como se suave bálsamo penetrasse na nossa alma, inundando-a de tranqüilidade e paz.

As Sem-razĂ”es do Amor (Carlos Drummond de Andrade) Eu te amo porque te amo. NĂŁo precisas ser amante

 

SONETO DO MAIOR AMOR (VINICIUS DE MORAES


Soneto do maior AMOR

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que nĂŁo sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vĂȘ descontente, dĂĄ risada.

E que sĂł fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mais da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal-aventurada.


Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere vibra, mas prefere

Ferir a fenecer – e vive a esmo


Fiel Ă  sua lei de cada instante

Desassombrado, doido, delirante

Numa paixĂŁo de tudo e de si mesmo.

SER(AFIM)

Ser(afim) – Soneto de MĂĄrcia Sanchez Luz

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
Ă© conversar no silĂȘncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.
(Arthur da TĂĄvola)




Deep In The Woods – Inga Nielsen

Quem encontra um Ser(afim)
tem na vida um anjo raro.
É feito do mesmo barro
com que faz Deus seu jardim.

Ele Ă© todo de jasmins,
brota ĂĄgua fresca do jarro
que enfeita o que sempre Ă© caro
aos olhos de um Querubim.

NĂŁo Ă© fĂĄcil encontrar
no meio da multidĂŁo
um ser tĂŁo particular!

HĂĄ que segurar-lhe a mĂŁo,
fazer carinho, mimar
e agradar seu coração.

POSTADO POR @VIVIMETALIUN

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Os Ombros Suportam o Mundo (Drummond)

Chega um tempo em que nĂŁo se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que nĂŁo se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inĂștil.
E os olhos nĂŁo choram.
E as mĂŁos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração estå seco.
Em vĂŁo mulheres batem Ă  porta, nĂŁo abrirĂĄs.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que Ă© a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussÔes dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bĂĄrbaro o espetĂĄculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que nĂŁo adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida Ă© uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

AS SEM-RAZÕES DO AMOR (CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

As Sem-razÔes do Amor (Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.
NĂŁo precisas ser amante,
e nem sempre sabes sĂȘ-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor nĂŁo se paga.
Amor é dado de graça,
Ă© semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionĂĄrios
e a regulamentos vĂĄrios.
Eu te amo porque nĂŁo amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor nĂŁo se troca,
nĂŁo se conjuga nem se ama.
Porque amor Ă© amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor Ă© primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

DA LAGOA DA ESTACA A APOLINÁRIO

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Sempre pensara em ir
caminho do mar.
Para os bichos e rios
nascer jĂĄ Ă© caminhar.
Eu nĂŁo sei o que os rios
tĂȘm de homem do mar;
sei que se sente o mesmo
e exigente chamar.

 

Eu jĂĄ nasci descendo
a serra que se diz do JacararĂĄ,
entre caraibeiras

de que sĂł sei por ouvir contar

Pois, também como gente,não consigo me lembrar dessas primeiras léguas de meu caminhar.Deste tudo que me lembro,lembro-me bem de que baixava entre terras de sede que das margens me vigiavam.Rio menino, eu temia aquela grande sede de palha,

 

Grande sede sem fundo que ĂĄguas meninas cobiçava. Por isso Ă© que ao descer caminho de pedras eu buscava,que nĂŁo leito de areia com suas bocas multiplicadas.Leito de pedra abaixo rio menino eu saltava.Saltei atĂ© encontrar as terras fĂȘmeas da Mata.

 

JoĂŁo Cabral de Melo Neto

Eu sou essa pessoa a quem o vento chama…..

Eu sou essa pessoa, a quem o vento chama,
a que nĂŁo se recusa a esse final convite,
em måquinas de adeus, sem tentação de volta.

Todo horizonte Ă© um vasto sopro de incerteza.
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
iĂĄ de horizonte libertada, mas sozinha.


Se a Beleza sonhada Ă© maior que a vivente,
dizei-me:nĂŁo quereis ou nĂŁo sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.


Pelos mundos do vento, em meus cĂ­lios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:


“Agora Ă©s livre, se ainda recordas.”
Eu sou essa pessoa, a quem o vento chama,
a que nĂŁo se recusa a esse final convite,
em måquinas de adeus, sem tentação de volta.


Todo horizonte Ă© um vasto sopro de incerteza.
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
iĂĄ de horizonte libertada, mas sozinha.


Se a Beleza sonhada Ă© maior que a vivente,
dizei-me:nĂŁo quereis ou nĂŁo sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.


Pelos mundos do vento, em meus cĂ­lios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:


“Agora Ă©s livre, se ainda recordas.”