PORTO TRISTE



Não sei o que acontece!

Ando meio triste…

Como se o sol não mais brilhasse,

e o que restasse fosse apenas um cenário cinza e frio…

Introspecção?! Crescimento?! Ou não…

Não sei o que acontece.

E não foi o alinhamento que houve…

Nada disto!

É algo que está me acompanhando.

Quero jogar fora esta tristeza.

De amor e felicidade por a mesa…

Mas não encontro flores!

Tudo cinza…

O que está acontecendo?

Não sei!

Mas está me causando tristeza.

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SILENCIO

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O silêncio

É o tudo

No deserto

De um tempo

Fora de tempo

Tardio…

O grito mudo

Que morreu

Antes de ter nascido…

Chegou-me

Num eco vazio…

Deus sabe

O quanto

Do tanto

Que da alma

Me escorreu…

Nem um som se ouviu…

Daquele grito

Que o silêncio

Escondeu…

Debaixo da capa

Que o abafou

Que o emudeceu…



O QUE VOCE FEZ COMIGO…

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O QUE VOCE FEZ COMIGO…

Nó…

Sim , um nó na garganta!

Não consigo explicar.

Nunca aconteceu antes…

Assim, não!

Não se desfaz…

E dos olhos cachoeira

insiste em derramar-se.

Mas, represada, a cachoeira

volta para dentro da Alma.

Que encolhe-se triste…

E o nó… não se desfaz.

MEU BARCO DE PAPEL

Eu escrevi um poema triste

E belo, apenas da sua tristeza.

Não vem de ti essa tristeza

Mas das mudanças do Tempo,

Que ora nos traz esperanças

Ora nos dá incerteza…

Nem importa, ao velho Tempo,

Que sejas fiel ou infiel…

Eu fico, junto à correnteza,

Olhando as horas tão breves…

E das cartas que me escreves

Faço barcos de papel!

MORTE

Nino 01

Minha morte nasceu quando eu nasci.

Despertou, balbuciou, cresceu comigo…

E dançamos de roda ao luar amigo

Na pequenina rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo

De rir e que, ai de mim, também perdi!

Mas inda agora a estou sentindo aqui,

Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce Prometida,

Nem sei quando serão as nossas bodas,

Se hoje mesmo… ou no fim de longa vida…

E as horas lá se vão, loucas ou tristes…

Mas é tão bom, em meio às horas todas,

Pensar em ti… saber que tu existes!

MUSICA

A música clássica dá alegria.

Há músicas que dão prazer.

Mas a alegria é muito mais que prazer.

O prazer é coisa humana, deliciosa.

Mas é criatura do primeiro olho,

onde moram as coisas do tempo, efêmeras,

que aparecem e logo desaparecem.

A alegria, ao contrário,

é criatura do segundo olho,

das coisas eternas que permanecem.

Superior ao prazer,

a alegria tem o poder divino

de transfigurar a tristeza.

Á VOCÉ

À VOCÊ

Beijar o nácar, que te acende os lábios,

seria para mim prazer divino;

mas eu desprezo os risos da fortuna,

que podem profanar o meu destino.

Feliz de mim se repousasse um pouco

sobre o teu níveo seio que palpita:

mas fere a maldição os meus desejos,

a paz voara e te deixara aflita.

Em silêncio nasceu, cresce em silêncio,

este amor infinito, único, eterno.

Irei agora, abrindo-te minha alma,

exilar-te do céu, abrir-te o inferno?

Não, oh meu anjo, além escuto o eco

da maldição da nossa sociedade;

ouvi-lo, sem corar, não poderias,

expire pois a nossa felicidade.

Que importa o fogo que em meu peito lavra,

que importa a febre que me rói a vida,

se a tua correrá serena e pura,

de prazeres somente entretecida?

Roubar teu coração à paz dos anjos,

e nele despargir os meus amores,

oh! fora um crime, um sacrilégio horrível;

para puni-lo não houveram dores.

E, pois, para livrar-te ao precipício,

adeus, meu anjo, fugitivo corro:

rocem embora os teus, os lábios de outrem,

será breve o penar, porque já morro.

Sim, agonizarei talvez bem pouco,

porque meus dias estão pedindo graça,

oh! para possuir-te, afrontaria

infâmias, porém não tua desgraça.

Ao menos ficarás de um crime isenta,

o porvir para ti será de flores;

que importa que minha alma se torture,

se tu não sofrerás por meus amores?