Às incertezas da vida..



Às incertezas da vida…


Eu escrevi um poema triste

Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste

E belo, apesar da sua tristeza.

Não vem de ti essa tristeza

Mas das mudanças do Tempo,

Que ora nos traz esperanças

Ora nos dá incertezas…

Nem importa, ao velho Tempo,

Que sejas fiel ou infiel…

Eu fico, junto à correnteza,

Olhando as horas tão breves…

E das cartas que me escreves

Faço barcos de papel!

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SONHO

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,porque você possui apenas uma vidae nela só se tem uma chancede fazer aquilo que quer.Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.Dificuldades para fazê-la forte.Tristeza para fazê-la humana.E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.Elas sabem fazer o melhor das oportunidadesque aparecem em seus caminhos.A felicidade aparece para aqueles que choram.Para aqueles que se machucamPara aqueles que buscam e tentam sempre.E para aqueles que reconhecema importância das pessoas que passaram por suas vidas.

EU VIM

Eu vim



Eu não nasci no começo desse século.Eu nasci no plano do eterno.Eu nasci de mil vidas superpostas.Nasci de mil ternuras desdobradas.Eu vim para conhecer o mal e o bem.E para separar o mal e o bem.Eu vim para amar e ser desamado.Eu vim para ignorar os grandes e consolidar os pequenos.Eu não vim construir a minha riqueza.Não vim construir a minha própria riqueza.Mas não vim para destruir a riqueza dos outros.Eu vim para reprimir o choro formidável.Esse choro formidável que as gerações anteriores me transmitiram.Eu vim para experimentar a dúvida e a contradição.E aprendi que é preciso idolatrar a dúvida“.

CORTE

Corte transversal do poema


A música do espaço pára, a noite se divide em dois pedaços.
Uma menina grande, morena, que andava na minha cabeça,
fica com um braço de fora.
Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.
Um anjo cinzento bate as asas
em torno da lâmpada.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.
Eu sou o olho dum marinheiro morto na Índia,
um olho andando, com duas pernas.
O sexo da vizinha espera a noite se dilatar, a força do homem.
A outra metade da noite foge do mundo, empinando os seios.
Só tenho o outro lado da energia,
me dissolvem no tempo que virá, não me lembro mais quem sou.