Para além da orelha existe um som

Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto – é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia – é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? Eu vos espero. E para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. (…) À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois – depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. (…) Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. (…) À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. (…) Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.

É curioso

“…É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo… Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”

Eu quero a verdade

Eu quero a verdade que só me é dada através do seu oposto, de sua inverdade. E não agüento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo. Minha vida é um único dia. E é assim que o passado me é presente e futuro. Tudo numa só vertigem. E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável. Eu compreendo melhor a morte. Ser cotidiano é um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e um espírito? eu sou um eu? “É exatamente isto, você é um eu”, responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado. Deus não deve ser pensado jamais senão Ele foge ou eu fujo. Deus deve ser ignorado e sentido. Então Ele age. Pergunto- me: por que Deus pede tanto que seja amado por nós? resposta possível: porque assim nós amamos a nós mesmos e em nos amando, nós nos perdoamos. E como precisamos de perdão. Porque a própria vida já vem mesclada ao erro.

Não sei amar pela metade

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre.

Anjo “Sarah Mclachlan”

Gaste todo seu tempo esperando Por aquela segunda chance, Por uma mudança que resolveria tudo Sempre há um motivo Para não se sentir bom o bastante, E é difícil no fim do dia. Eu preciso de alguma distração. Oh, perfeita liberação A lembrança vaza de minhas veias… Deixe-me vazia E sem peso e talvez Eu encontrarei alguma paz esta noite. Nos braços de um anjo, Voe para longe daqui, Deste escuro e frio quarto de hotel E da imensidão que você teme. Você é arrancado das ruínas De seu devaneio silencioso. Você está nos braços de um anjo, Talvez você encontre algum conforto aqui Tão cansado de seguir em frente, E para todo lugar que você se vira Existem abutres e ladrões nas suas costas, E a tempestade continua se retorcendo. Você continua construindo a mentira Que você inventa para tudo que lhe falta Não faz nenhuma diferença Escapar uma última vez. É mais fácil acreditar nesta doce loucura, oh Esta gloriosa tristeza que me faz ajoelhar. Nos braços de um anjo, Voe para longe daqui, Deste escuro e frio quarto de hotel E da imensidão que você teme. Você é arrancado das ruínas De seu devaneio silencioso. Você está nos braços de um anjo, Talvez você encontre algum conforto aqui Você está nos braços de um anjo. Talvez você encontre algum conforto aqui

Anjo "Sarah Mclachlan"

Gaste todo seu tempo esperando Por aquela segunda chance, Por uma mudança que resolveria tudo Sempre há um motivo Para não se sentir bom o bastante, E é difícil no fim do dia. Eu preciso de alguma distração. Oh, perfeita liberação A lembrança vaza de minhas veias… Deixe-me vazia E sem peso e talvez Eu encontrarei alguma paz esta noite. Nos braços de um anjo, Voe para longe daqui, Deste escuro e frio quarto de hotel E da imensidão que você teme. Você é arrancado das ruínas De seu devaneio silencioso. Você está nos braços de um anjo, Talvez você encontre algum conforto aqui Tão cansado de seguir em frente, E para todo lugar que você se vira Existem abutres e ladrões nas suas costas, E a tempestade continua se retorcendo. Você continua construindo a mentira Que você inventa para tudo que lhe falta Não faz nenhuma diferença Escapar uma última vez. É mais fácil acreditar nesta doce loucura, oh Esta gloriosa tristeza que me faz ajoelhar. Nos braços de um anjo, Voe para longe daqui, Deste escuro e frio quarto de hotel E da imensidão que você teme. Você é arrancado das ruínas De seu devaneio silencioso. Você está nos braços de um anjo, Talvez você encontre algum conforto aqui Você está nos braços de um anjo. Talvez você encontre algum conforto aqui