O Vento Consolador

Na noite eterna corre o vento que traz vozes que congela dores Eu não sou único Vento que contorna sua face, que toca seus lábios, Mas que não leva minhas palavras: e você não as ouve Mas ver em meus olhos, pois tudo está lá. Tudo sempre esteve lá. Vento que corre o tempo na minha vida fria Lívida. Que a transporta por esse mundo que tanto sangrei, Que hei de deixar… Que hei de te buscar… Que hei de vingar. Não tarde em seguir este vento pois já não há tempo Não tarde em segui-lo pois minha voz fraca. E ele já não a leva… Está frio aqui, minha vida cai como areia por entre meus dedos. Eu não sou o único. Já não há tempo. Não tarde-se, siga o vento.

Predadora

Eu de sentidos aguçados De sensualidade que engana De erotismo que mata De abraço que afaga Sem querer fiz quietos enamorados Inocentes encantados Fazendo-os adormecer Antes do alvorecer Não resisto, insisto. Meu instinto me abomina Meu instinto me domina Tanto até que me fascina Sinto teu pulsar Como tambores a rufar E o meu abraço ao afagar E a tua luz se apagar Tua vitalidade me mantém Faz-me bem; Cai-me bem Sem querer destruidora… Predadora.

Último Desejo

Roubaram-me os sonhos como doces de criança; Atiraram-nos como fardos numa fornalha Teceram com meu martírio minha mortalha, Arrancaram-me sem desvelo a esperança. Ergam então dos destroços de minha vida Um medíocre túmulo de pedra fria. Banhem-no com lágrimas de hipocrisia, Finjam tristeza como a ocasião convida. E sobre meu corpo frio, quero rosas despetaladas Uma profusão de falsa condolência, Marionetes esbanjando complacência, O som do silêncio das almas consoladas. E por seus rostos sei que perpassará um esgar, Porém não deixem seu teatro ruir! Minh’alma com certeza saberá onde ir, Desejem-me a paz na qual não irei descansar.

Um Novo Amor

Meu coração era triste, sem vida… Vazio. Sofria nos dias de frio Amava sem receber o mesmo amor… Chorava por não receber calor Sangrava por não ser notado… Um coração despedaçado. Vivia na companhia da solidão, das trevas… Sentia medo. Com você veio a esperança; A certeza, o calor. A luz, a companhia… o amor E hoje meu coração volta a bater, É cheio de esperança e consegue se aquecer Não sente medo, se livrou da solidão. Segue a luz… não vive mais na escuridão. Ainda se recupera, não é tão fácil De apagar um amor antigo, Que não soube me amar. Mas quero você ao meu lado A me ajudar esquecer… Enterrarei no fundo da minha sepultura As dores, as lágrimas… meu amor não correspondido Caminharemos entre as lápides E juntos, enfrentaremos todos os males. Agradeço por você cruzado meu caminho Quando é que você vem receber os meus carinhos…

Perdida

Tento quebrar o vazio que há em mim através de palavras insignificantes Deixo-as sair em simples lágrimas que me acompanha todos os instantes Sei que o que sou não te agrada mas não posso ser mais do que sou Apenas posso ser eu eu sou a alma que o vento levou Menina de pulso frágil sem orgulho de olhos sensíveis e chorões Não sou mais que um corpo vazio procurando-se em mil corações Lamento não ser o que desejas mas lamento mais não conseguir ser feliz Não posso forçar o meu destino deixando-o como Deus quis Tudo a minha volta me quebra havendo algo que me quebra mais É a falta de inspiração que me sufoca afastando-me mais do meu cais Vivo das minhas palavras alimento-me dos meus versos Bebo as minhas lágrimas sorrindo com os meus restos A falta de incentivos que me quebram a alma matam-me conforme passa o tempo Procuro palavras no meu mundo deixando-me navegar pelo templo E assim vou morrendo conforme o tempo passa As portas fecham-se para mim e eu fico aqui Rodeada de sangue esperando pelo fim Tentando encontrar outro mundo que não se encontra dentro de mim Não é tudo o que sinto mas é tudo o que consigo escrever Esperando pelo momento de ser feliz até que um dia deixe de viver

Cintila!

Os pontos cintilam e adornam a noite… Em qual destas caixas empilhadas estará você? Como fazes agora para afagar as lembranças? E o seu coração? O meu é escuro! Coroado de cintas em metal. A mente que deprime o meu mundo é vampírica. E a bendita solidão chega aos meus olhos, pulsam minhas meninas. Calma, não vais debater-se! As pétalas adornam as cruzes, os discos, os livros. A marcha toca no meu cérebro. Até meu corvo pia A janela mia Onde andas? Já estás fraca? Eu sei! Seu cheiro espalhou-se pelo vento. Estás fatídica, inquieta, pois vive! Cintila então! O negro e o pavor… apenas ao meu toque! Cintila! Cintila! Cintila!

Deixei tanto que ele crescesse

Deixei tanto que ele crescesse e que me fizesse tanto limitar minhas palavras, teus risos e a minha felicidade resumida em um sentimento tão mal compreendido, fez-me ficar tantas noites procurando respostas em um silêncio que me ensurdecia durante minhas auto-reflexões que não me faziam enxergar diante desse espelho que quebro todos os dias por covardia e fraqueza, de não querer acreditar que os dias que eu tanto desejei que chegassem junto com você estivessem na minha frente e mais uma vez, deixei com que passassem pelas minhas costas fracas e apunhaladas.