Titânio

Você grita alto
Mas eu não ouço uma palavra do que você diz
Eu estou falando alto sem dizer muita coisa
Fui criticada, mas as suas balas ricocheteiam
Você atira em mim, mas eu levanto


Sou à prova de balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia, mire
Atire, atire
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio


Pode acabar comigo
Mas você é quem terá mais para sofrer
Cidade fantasma, amor mal-assombrado
Erga a voz, paus e pedras podem me quebrar os ossos
Estou falando alto, mas não estou dizendo muita coisa


Sou à prova de balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia, mire
Atire, atire
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio


Dura como pedra, metralhadora
Atirando naqueles que se erguem
Dura como pedra, como vidro à prova de balas


Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Você atira em mim, mas eu não caio
Sou feita de titânio
Sou feita de titânio


Necrológio dos Desiludidos do Amor

Os desiludidos do amor 
estão desfechando tiros no peito. 
Do meu quarto ouço a fuzilaria. 
As amadas torcem-se de gozo. 
Oh quanta matéria para os jornais. 

Desiludidos mas fotografados, 
escreveram cartas explicativas, 
tomaram todas as providências 
para o remorso das amadas. 

Pum pum pum adeus, enjoada. 
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos 
seja no claro céu ou turvo inferno. 

Os médicos estão fazendo a autópsia 
dos desiludidos que se mataram. 
Que grandes corações eles possuíam. 
Vísceras imensas, tripas sentimentais 
e um estômago cheio de poesia… 

Agora vamos para o cemitério 
levar os corpos dos desiludidos 
encaixotados competentemente 
(paixões de primeira e de segunda classe). 

Os desiludidos seguem iludidos, 
sem coração, sem tripas, sem amor. 
Única fortuna, os seus dentes de ouro 
não servirão de lastro financeiro 
e cobertos de terra perderão o brilho 
enquanto as amadas dançarão um samba 
bravo, violento, sobre a tumba deles. 

Minha solidão

Minha solidão 

Eu estou caindo em sono profundo
Para escapar da realidade
Mas a dor ainda está dentro de mim
Devo matar-me para libertar minha alma?
Ou devo apenas deixar o vazio me abraçar tão facilmente?

Sob o meu sono interminável
Eu ouço a voz perdida
Ela me assombra 
Me vejo perdida nesse lugar
Minha esperança caindo como folhas de outono

Minha mente ainda procura fragmentos de sanidade
E aos poucos estou afundando
Nem um anjo poderia salvar-me dessa loucura.




PERIGO

Porque o perigo é quando a gente odeia demais

Odeio o modo como fala comigo

E como corta o cabelo

Odeio como dirigi o meu carro

E odeio seu desmazelo

Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Ainda mais quando me faz chorar…
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar.