10 imagens que abalaram o mundo da Medicina

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Esses 10 fatos abalaram o mundo o mundo da medicina de forma impressionante. Confira:

 

Quem já fez uma radiografia, um ultrassom, um angiograma, uma tomografia computadorizada ou uma chapa de ressonância magnética sabe como estes procedimentos, que são simples, podem ser assustadores: você é levado a uma sala em que não há janelas, há todo um ritual, você tem que ficar em posições que nem sabia que podia fazer e, no fim, parece que nada acontece.

Para tranquilizar um pouco nossos leitores, algumas imagens dos primórdios destes procedimentos médicos, as primeiras de seu tipo:

10. A aliança de casamento de Bertha Roentgen

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Wilhelm Conrad Roentgen, um professor de física que morava em Worzburg, na Bavária, descobriu em 1895 “raios elétricos” que penetravam objetos e projetavam imagens em uma tela fluorescente. Ao colocar sua mão na frente dos raios, viu a estrutura interna da mesma, com contraste claro entre carne e osso, e percebeu imediatamente as implicações médicas da sua descoberta.

Em 8 de novembro de 1895, ele trocou a placa fluorescente por uma chapa fotográfica, e capturou uma imagem da mão esquerda de Bertha, sua esposa. A descoberta, que a princípio gerou desconfiança, acabou rendendo o Nobel de Física de 1901 e é atualmente considerada “uma das maiores descobertas da história da ciência”.

9. Raios-X em movimento, mostrando o coração e o sistema digestivo

Pouco tempo depois da descoberta de Roentgen, outros começaram a fazer experimentos com os raios-X, combinando-os com a cinematografia e criando raios-X em movimento.

O primeiro destes filmes foi produzido por John Macintyre, cirurgião de garganta no Glasgow Royal Infirmary. John Macintyre também tem a honra de ser o primeiro a criar um departamento de raio-X, que acabou sendo o primeiro a fazer um raio-X de um objeto estranho (uma moeda na garganta de uma criança) e o primeiro a detectar cálculos renais com raio-X.

Em 1897, Macintyre apresentou um filme à Real Sociedade de Londres mostrando uma perna de sapo. Mais tarde, filmou um coração batendo e também fez a imagem de um estômago, vistos no vídeo acima (para o estômago aparecer tão bem, o paciente teve que primeiro engolir um pouco de bismuto).

Estes filmes de raio-X são usados até hoje, mas tem o nome de fluoroscopia e são usados para auxiliar a colocação de cateteres cardíacos, filmar o funcionamento do sistema digestivo e urinário, e para procedimentos cirúrgicos.

8. Procurando uma bala

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Poucos meses depois da descoberta de Roentgen, o raio-X foi utilizado no campo de batalha, na Guerra da Abissínia, que começou com a Itália invadindo a Abissínia em 1896. O Tenente-Coronel Giuseppe Alvaro usou um raio-X para encontrar balas nos braços de soldados italianos. A técnica depois foi usada na Guerra Greco-Turca.

A imagem acima não é daquelas guerras, pois essas imagens foram perdidas, mas de uma guerra entre a Índia e o Afeganistão, que começou em 1897. Ela foi feita pelo Major Walter Beevor, um militar enviado pela Inglaterra junto com outros soldados a Tirah. A tecnologia do raio-X acabou se favorecendo das guerras também, com a criação da unidade portátil de raio-X. Na Primeira Guerra Mundial, Marie Curie e sua filha Irene conduziram 20 unidades destas para o front.

7. Provas dos danos causados pelos espartilhos de metal

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O raio-X também começou a ser usado para fazer alertas de saúde, e o primeiro foi o médico francês Ludovic O’Followell, que utilizou a técnica para mostrar que os espartilhos rígidos de metal causavam prejuízos à saúde das mulheres.

As imagens feitas pelo bom doutor mostravam a diminuição na caixa torácica e o deslocamento de órgãos internos. Estas imagens, mais a opinião de outros médicos da época, fizeram com que a indústria e sociedade adotasse espartilhos menos restritivos.
Mas a polêmica maior foi a discussão se havia necessidade de fazer estes exames de raio-X, que levavam 45 minutos no caso de um braço. Isto porque já se conheciam os perigos da exposição ao raio-X: médicos relataram queda de cabelo, vermelhidão e descamação da pele e até lesões.

Clarence Dally, que expunha repetidamente suas mãos ao raio-X enquanto trabalhava para Thomas Edison, teve os dois braços amputados antes de morrer de câncer em 1904.

Entretanto, até que se percebessem os reais perigos dos raios-X desnecessários, mulheres tiveram seus ovários irradiados para tratar depressão. O raio-X era também usado para tratar teníase, acne, impotência, artrite, úlcera e até câncer. Salões de beleza usavam-no para remover pelos faciais, e água, chocolate e creme dental eram irradiados. Até as lojas de sapatos usavam o raio-X para mostrar para seus clientes como os sapatos novos encaixavam direitinho nos pés, entre os anos 1920 e 1950.

6. O primeiro cateterismo

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Werner Forssmann, cirurgião na clínica August Victory, acreditava que poderia inserir um tubo flexível (um cateter) nas veias da pelve ou do braço para chegar até o coração. Mas outros especialistas achavam que não daria certo, que o cateter ficaria preso de alguma forma, e assim Werner não conseguiu permissão para testar sua ideia.

Mais tarde, o cirurgião conseguiu convencer um colega a se sujeitar ao cateterismo. Ele fez um tubo entrar no braço esquerdo e ir até o coração – 60 cm de tubo no total. A seguir, fez uma chapa de raio-X. Só que ninguém acreditou, acharam que era um truque, Werner acabou de desiludido e abandonou a cardiologia, dedicando-se à urologia nos anos seguintes.

Por isto, foi uma grande surpresa para ele quando recebeu uma chamada telefônica em outubro de 1956, informando que ele havia recebido o Nobel de Fisiologia e Medicina. Ele chegou a perguntar “Pelo quê?”. O que ele não sabia é que sua contribuição foi gradualmente sendo reconhecida pela sua importância. Ainda é: em 2006, foram feitas pelo menos 3,7 milhões de cateterizações cardíacas, só nos Estados Unidos.

5. Hiperfonografia

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O raio-X era muito bom, mas tinha seus problemas: só registrava objetos muito densos como ossos e corpos estranhos (como balas), e também usava radiação, que podia prejudicar fetos ainda no útero. A resposta veio de um local improvável.

Após o afundamento do Titanic em 1912, Reginald Fenssenden inventou o sonar, um dispositivo que emitia ondas sonoras dirigidas e que permitia detectar icebergs alguns quilômetros distantes. Paul Langevin aperfeiçoou a invenção durante a Primeira Guerra Mundial para detectar submarinos alemães.

Nos anos 1930, o neurologista e psiquiatra Dr. Karl Dussik usou o som para medir o cérebro e outras partes do corpo que o raio-X não conseguia mostrar, e foi o primeiro a fazer diagnósticos com som. Infelizmente, o trabalho dele foi feito na Áustria e o mundo teve que esperar até o fim da Segunda Guerra Mundial para ouvir falar pela primeira vez da “hiperfonografia”.

Uma década mais tarde, o obstetra escocês Ian Donald usou uma máquina de ultrassom industrial para testá-lo em vários tumores. Não demorou muito e ele estava usando o ultrassom para detectar tumores e monitorar fetos.

4. A primeira Tomografia Axial Computadorizada

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Mais uma invenção que tenta resolver problemas do raio-X, desta vez o fato de que tudo que está entre a máquina que gera o raio-X e a chapa fotográfica fica registrado. Um tumor poderia ficar escondido atrás da sombra de um osso, por exemplo. Uma das soluções foi a tomografia: enquanto é feito o registro de raio-X, o tubo gerador e o filme são movidos, fazendo com que tudo que esteja a certa distância fique nítido, e o resto fique borrado.

Em 1967, Godfrey Hounsfield, trabalhando para a EMI, a gravadora que vendeu 200 milhões de discos dos Beatles, imaginou que seria possível fazer uma tomografia axial – usando sensores em vez de filmes, seu tomógrafo registrava imagens à medida que um paciente passava por um tubo estreito, e um computador reconstruía a anatomia do mesmo.

Em 1 de outubro de 1971, a tomografia axial computadorizada, apelidada de CAT, foi usada pela primeira vez, ajudando a localizar o tumor no cérebro de uma mulher. A imagem pode ser conferida abaixo – a figura oval à esquerda é o tumor.

3. A primeira imagem de ressonância magnética

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A Imagem por Ressonância Magnética (MRI), a princípio, parece com a Tomografia Computadorizada, mas só parece, porque são bem diferentes. Na ressonância magnética, um forte campo magnético alinha os prótons das moléculas de água no corpo do paciente.

O campo magnético é variado rapidamente e as moléculas se realinham. Pela velocidade com que estas moléculas se realinham, a densidade dos tecidos é determinada, resultando em uma imagem criada por um computador.

O invento está cercado de certa polêmica, já que há uma patente concedida pelo físico Raymond Damadian, que inclusive está no Hall da Fama de Inventores Nacionais desde 1988, mas quem ganhou um Nobel em 1988 foi o químico Paul Lauterbur. Alguns partidários de Damadian dizem que ele não recebeu menção no Nobel por ser criacionista da terra jovem (aqueles que acham que o mundo não tem mais que 8.000 anos), mas a National Science Foundation aponta que a patente dele inclui a ideia de escanear o corpo para encontrar um tumor, mas não descreve um método para gerar as imagens, coisa que Lauterbur havia feito.

O químico George Kauffmann afirma que a descoberta de Damadian precede os desenvolvimentos de Lauterbur, e o filósofo Michael Ruse diz que só por que alguém abraça ideias bobas em um campo não significa que não mereça o mérito por grandes ideias em outro campo. A imagem acima é de um auxiliar de Damadian, feita em 1977, a primeira feita em um humano. Mas a primeira imagem de MRI de um ser vivo foi feita em 1974 por Lauterbur, de um rato.

2. Cirurgia laparoscópica

Em 1901, um ginecologista russo inventou uma nova maneira de fazer cirurgia, uma em que você não precisa abrir todo o abdômen da pessoa e, portanto, menos propensa a infecções pós-operatórias e com tempo de recuperação menor. Neste método, o cirurgião espia o interior do abdômen do paciente com uma espécie de telescópio diminuto e, em vez de usar as mãos, usa tesouras, fórceps e pinças que entram no abdômen por outros buracos.

Infelizmente, a técnica original tinha um problema sério: o cirurgião tinha que fazer contorcionismo para poder ver pelo laparoscópio. A exaustão causada por estas cirurgias tornava a técnica bastante limitada em seu uso, até que o Dr. Camran Nezhat, obstetra e ginecologista, acoplou um equipamento de vídeo ao laparoscópio, nos anos 1970. A técnica do Dr. Nezhat permaneceu polêmica até que, em 2004, o New England Journal of Medicine recomendou a laparoscopia.

1. Ultrassom 3D e 4D

Por pelo menos 30 anos após sua invenção, o ultrassom gerou apenas imagens bidimensionais até que alguém teve, nos anos 1970, a brilhante ideia de combinar ondas sonoras vindas de várias direções e assim construir uma imagem 3D. Mas entre ter a ideia e conseguir fazer a primeira imagem levou um tempo.

O Dr. Kazunori Baba, do Institute of Medical Electronics de Tóquio, foi o primeiro a obter imagens 3D de um bebê ainda no útero. Levava 10 minutos e a imagem não tinha uma boa qualidade, de forma que não podia ser usada para diagnósticos.

Em 1987, Olaf Von Ramm e Stephen Smith patentearam o primeiro ultrassom 3D de alta velocidade, com qualidade melhor e tempo de processamento menor. Seguiu-se uma explosão de ultrassons sendo usados para ver o rosto do bebê antes de nascer, principalmente com a adição de versões 4D, onde os movimentos podiam ser registrados – até surgiu uma indústria de lembranças em vídeo de ultrassom 3D e 4D. Logo, apareceu a discussão: será que uma ferramenta de diagnóstico deve ser usada para recreação?

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