Conheça o brasileiro que vendia picolés na rua e hoje fatura R$ 5 milhões com sorveteria

Émerson Serandin tem uma daquelas histórias de empreendedorismo que o acompanham desde a infância. Aos 11 anos, ele já vendida picolés na rua em Catanduva, interior de São Paulo. Por ser de uma família humilde, ele precisava ajudar nas despesas de casa e encontrou no doce uma maneira de complementar o orçamento – o que ele não sabia é quão longe a venda de sorvetes e picolés iria levá-lo.

Tanto é que, depois de adulto, chegou a deixar de lado as vendas para apostar em uma carreira na área de processamento de dados durante 10 anos. Mas as coisas começaram a mudar em 2006, quando conheceu um novo método para trabalhar com sorvetes em Campos do Jordão. A produção em pedra congelada havia sido trazido da Europa e parecia cheia de potencial para se expandir pelo Brasil.

Antes de se jogar de cabeça no negócio, Émerson decidiu se dedicar aos estudos. Assim, se formou na Gelato University, ou Universidade do Sorvete, na Itália (sim, isso existe!), e fez diversos cursos nos Estados Unidos para aperfeiçoar a técnica. Mas foi apenas em 2014 que ele largou tudo para criar a Ice Creamy, uma franquia de sorvetes artesanais que são preparados na hora e chamam a atenção de qualquer um tanto pelo sabor quanto pela apresentação. Em 2015 o negócio deverá ter um faturamento de R$ 5 milhões.

Um dos diferenciais da oferta de Émerson é o sorvete na pedra. Dá uma olhada nessa técnica:

Mesmo assim, o empreendedor quer ainda mais.  Sua meta é alcançar os 100 franqueados até o final deste ano e faturar R$ 15 milhões em 2016.  “Quero que a Ice Creamy se torne, em dez anos, a maior rede de sorvetes do país“, conta.

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Todas as fotos: Divulgação

Por que a Curiosity em Marte está proibida de investigar a água encontrada?

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Esta semana, os cientistas da NASA anunciaram que haviam encontrado evidências químicas de água líquida na superfície de Marte. Mesmo que a descoberta tenha uma fundamentação convincente, a existência de rios sazonais de água no planeta vermelho nunca será 100% confirmada até que possamos ver, tocar e analisar a água. Se não há seres humanos em Marte para fazer isso, nós vamos ter que estudar essa água indiretamente, através de nossos robôs lá.

A questão é que não podemos. A sonda Curiosity da NASA está a cerca de 50 quilômetros do local onde os cientistas suspeitam que exista água marciana em estado líquido, mas graças a um tratado internacional assinado em 1967, ela não tem permissão para chegar perto.

 

Isso porque, para chegar na superfície de Marte, a Curiosity teve que viajar 225 milhões de km a partir da Terra através do espaço, e ao longo do caminho pode ter pego sujeira, poeira e todos os tipos de micróbios misteriosos que a deixam muito longe de ser estéril. A pobrezinha não teve a chance de tomar um banho.

Mesmo que os cientistas façam o seu melhor para esterilizar seus equipamentos até que cheguem ao seu destino por meio do que o astrônomo Alan Duffy, da Universidade de Swinburne, na Austrália, descreve como um “salão de bronzeamento ultravioleta muito intenso”, se eles não podem garantir a esterilização, não há como se aproximar da água.

“Uma vez que a água líquida parece estar presente, temos que tomar precauções extras para evitar a contaminação dela pela vida terrestre”, explica Rich Zurek, cientista-chefe do programa Marte da NASA. “Nossos robôs atuais não foram esterilizados com o grau necessário para ir para uma área onde a água líquida pode estar presente”.

Curiosity em Marte: Mãos amarradas

Cada país na Terra está vinculado às disposições do Tratado de 1967 sobre Espaço Exterior, que proíbe “qualquer pessoa de enviar uma missão, robô ou ser humano para perto de uma fonte de água no temor de contaminá-la com a vida terrestre”.

Não que a NASA não pudesse esterilizar completamente as suas sondas se quisesse. Segundo Malcolm Walter, astrobiólogo da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, eles poderiam expor a Curiosity a quantidades absurdas de calor e radiação que iriam acabar com qualquer coisa que conseguisse sobreviver à viagem da Terra, sem sombra de dúvida, mas se fizessem isso, eles estariam acabando com componentes eletrônicos internos da sonda no processo. Não é exatamente prático.

“Para deixá-la completamente esterilizada, eles teriam que usar radiação ionizante ou quantidades de calor realmente poderosos, sendo que ambos danificariam os componentes eletrônicos”, diz Walter. “Então, eles vão tão longe”.

O que fazer?

Qual é a solução? Nós todos sabemos que a NASA está planejando enviar seres humanos a Marte pela primeira vez em meados de 2030, então talvez alguns astronautas sortudos verão a água marciana líquida com seus próprios olhos. Outra opção seria enviar robôs para Marte que seriam capazes de construir outros robôs que podem investigar a água com pouco risco de contaminação. No ano passado, a Nasa anunciou que está desenvolvendo robôs que podem imprimir infraestrutura 3D em Marte, então esta também poderia muito bem ser uma possibilidade.

Até lá, a Curiosity e sua amiga Opportunity terão que se contentar com o estado de ambiguidade de sua limpeza e ficar bem longe da água. [via]

Já achamos água em marte, mas que formas de vida realmente poderiam viver lá?

água em marte crateras

Nesta semana, a NASA reacendeu nossas esperanças de encontrar vida alienígena quando anunciou a primeira evidência direta de água líquida em Marte. Mas antes de começarmos a nos entregar a fantasias de caranguejos espaciais e seres reptilianos, devemos lembrar que Marte é um mundo frio com uma atmosfera fina. E isso levanta uma questão óbvia: que tipos de formas de vida realmente poderiam viver lá?

Para tentar responder a esta pergunta, a jornalista científica Maddie Stone, que escreve para sites como o Gizmodo, foi buscar informações em artigos e livros, entre eles: “Spectral evidence for hydrated salts in recurring slope lineae on Mars”, publicado este ano na revista “Nature Geoscience”; “Some like it cold: understanding the survival strategies of psychrophiles”, publicado no “EMBO Repots”, em 2014; “Polyextremophiles: Life Under Multiple Forms of Stress”, obra de 2013, editada por Joseph Seckbach, Aharon Oren e Helga Stan-Lotter; e “A Microbial Oasis in the Hypersaline Atacama Subsurface Discovered by a Life Detector Chip: Implications for the Search for Life on Mars”, publicado em 2011 na revista “Astrobiology”.

Stone explica que qualquer vida em Marte hoje é quase certamente microbiana, mas, além disso, não podemos ter certeza de nada até que realmente consigamos estudá-la. Ainda assim, podemos fazer algumas suposições sobre a natureza da vida marciana, dando um mergulho profundo em algumas das amostras mais estranhas de biologia no planeta Terra.

Frio e salgado

Para a Agência Espacial Norte-Americana, a “evidência mais forte até agora” de que a água líquida flui de forma intermitente na superfície marciana vem de uma nova análise espectroscópica, que encontrou sais percloratos hidratados em manchas de escoamento nas paredes de crateras marcianas. Dissolver o sal na água é uma das melhores maneiras de evitar que ela congele em temperaturas abaixo de zero, e sais de perclorato, que consistem em cloro e oxigênio ligado a vários outros átomos, fazem este trabalho melhor do que a maioria dos sais. Sabe-se que certos percloratos evitam que líquidos congelem a temperaturas tão baixas quanto -70 graus Celsius.

Então, acredita-se que em Marte a água líquida salgada ocasionalmente flui para baixo nas paredes das crateras, depositando faixas sal à medida que evapora na atmosfera fina do Planeta Vermelho. Uma das coisas que ainda não sabemos é se toda essa água tem origem em reservatórios do subsolo, ou se os sais percloratos estão literalmente puxando vapor de água do ar.

Porém, antes de nos afundarmos em nossa especulação biológica, é importante ter em mente que estas salmouras podem ser extremas demais para abrigarem qualquer tipo de vida. “Há salmouras na Terra que são muito salgadas para ter vida”, observa Chris McKay, astrobiologista da NASA e entusiasta da terraformação de Marte, em entrevista ao Gizmodo. “A mais famosa delas é o Don Juan Pond, na Antártida. A salmoura [marciana] é ainda mais salgada do que a salmoura de cloreto de cálcio no Don Juan Pond”.

Seja como for, estas salmouras ainda são um bom lugar para começarmos a imaginar os tipos de habitats que poderiam existir em Marte, e as adaptações que a vida precisaria ter para sobreviver em tais condições. Então, que tipo de formas de vida podem viver em água muito fria e muito salgada?

Microrganismos resistentes

Ao longo dos anos, os cientistas identificaram uma ampla gama de micróbios halofílicos (que podem se desenvolver em ambientes com concentrações muito altas de sal) e psicrófilos (capazes de viver e de se reproduzir a temperaturas muito baixas) aqui na Terra. Recentemente, encontramos até mesmo alguns psicro-halofílicos – isso mesmo, que amam o frio e o sal – que prosperam em lagos salgados da Antártida ou veias de líquido prensadas entre camadas de gelo glacial. Os limites de temperatura e de salinidade para estes organismos não estão bem estabelecidos, embora tenha sido proposto um limite aproximada de -12° C para a divisão celular e -20° C para funções metabólicas básicas. Um psicro-halofílico, o Psychromonas ingrahamii, se cria a temperaturas tão baixas quanto -12° C e concentrações de sal de até 20%.

Mas como os micróbios da Terra conseguem viver neste tipo de ambiente? Para não derreter como uma lesma quando entra em contato com o sal, os halofílicos puxam o sal para dentro de suas células. Ser salgado coloca o gradiente da osmose a favor destes organismos (ou seja, a água flui para a célula, não para fora dela), mas também tem a vantagem adicional de garantir que não congelem – o que tornaria o metabolismo praticamente impossível.

Já no caso dos psicrófilos, uma série de outras adaptações ajuda a protegê-los dos efeitos do frio. Membranas celulares psicrófilas tendem a ser ricas em ácidos graxos insaturados em comparação com as gorduras saturadas (como se fosse azeite de oliva vesus manteiga), e contêm proteínas de transporte adicionais para materiais que entram e saem da célula. Suas enzimas são estruturalmente mais flexíveis do que aquelas de organismos adaptados a temperaturas mais normais. Alguns desses bichos produzem até mesmo proteínas anticongelantes, que ajudam a limitar o crescimento de cristais de gelo dentro de suas células.

Por fim, análises genéticas mostram que psicrófilos tendem a abrigar um grande número de “elementos de DNA móveis” – genes que codificam características adaptativas ao frio que podem ser trocados de micróbio para micróbio. Por isso, se um psicrófilo em uma salmoura da Antártida, por exemplo, está perdendo uma determinada proteína que é fundamental para a sobrevivência, ele pode adquirir as impressões genéticas que precisa de um vizinho.

Um ermo tóxico e cheio de radiação

As adaptações dos psicro-halofílicos na Terra sugerem as possíveis estratégias de vida de micróbios marcianos. Porém, ainda existem outros grandes, enormes desafios que quaisquer formas de vida em Marte teriam que superar. Em primeiro lugar, há o fato de que Marte, por não ter uma camada de ozônio, é atingido por doses diárias esterilizantes de radiação UV. Depois, há a verdadeira natureza dos sais que encontramos até agora nas salmouras marcianas. Percloratos são compostos altamente corrosivos, tóxicos para a maioria dos organismos na Terra.

Basicamente, os micróbios teriam de superar o fato de que Marte é um grande deserto cheio de radiação e tóxico.

Uma maneira de evitar a radiação seria viver no subsolo. Talvez as faixas de perclorato que estamos vendo sejam indicativos de aquíferos subterrâneos, e talvez esses aquíferos ofereçam um refúgio livre de radiação. Contudo, nós não sabemos se este é o caso. Na verdade, em uma conferência de imprensa, a Nasa deixou claro que ela favorece uma outra hipótese para a formação de salmouras de perclorato – um processo conhecido como deliquescência, em que sais literalmente puxam a água da atmosfera.

É difícil imaginar a vida como a conhecemos prosperando na água salgada que condensa a partir da atmosfera, apenas para re-evaporar logo depois. Mas talvez não seja impossível – mais uma vez, podemos encontrar situações análogas aqui na Terra. No deserto do Atacama, um dos ambientes mais secos e mais cheios de radiação do planeta, os cientistas encontraram microrganismos que vivem em filmes finos de água líquida na superfície de cristais de sal. De acordo com o artigo publicado em 2011 na revista “Astrobiology”, estas camadas finas de água são, provavelmente, formadas por deliquescência.

Talvez a maior razão para os astrobiólogos estarem interpretando com ceticismo a descoberta de água líquida em Marte tenha a ver com o próprio perclorato. Como principal autor deste estudo, Lujendra Ojha, disse ao poral Space.com, percloratos têm uma “atividade de água” muito baixa, ou seja, a água dentro deles não é fácil de ser usada pela vida. “Se [estas] salmouras são saturadas de perclorato, então a vida como a conhecemos na Terra não poderia sobreviver com uma atividade de água tão baixa”, afirmou. E, como já citado, além da baixa atividade de água, o perclorato é tóxico para a maioria da vida na Terra.

Muitas possibilidades

Contudo, devemos manter a mente aberta, porque se há uma coisa que a vida microbiana na Terra tem demonstrado constantemente é uma espantosa capacidade de se adaptar a ambientes tóxicos. Há insetos que se desenvolvem em locais de drenagem ácida de minas altamente corrosivos e lagos de arsênico. Nós já documentamos micróbios do ártico se adaptando ao aumento dos níveis de poluição por mercúrio. Microbiólogos chegaram até a encontrar provas de enzimas bacterianas aqui na Terra que podem degradar perclorato.

Deixando de lado as salmouras de perclorato, poderia haver outros ambientes em Marte mais hospitaleiros para a vida. Como apontou a geóloga espacial Emily Lakdawalla em seu blog, outro ambiente promissor são os filmes finos de água que a sonda espacial Phoenix, também em Marte, observou no solo no seu local de aterragem circumpolar. “Um lugar menos acessível, mas também menos atingido pela radiação e mais continuamente habitável estaria no subterrâneo profundo, onde o calor interno de Marte poderia manter águas subterrâneas líquidas por longos períodos de tempo”, escreve Lakdawalla. Esta água subterrânea é uma das coisas que a sonda InSight da NASA poderia nos ajudar a encontrar.

Termos evidências definitivas de água líquida em Marte não significa que há vida em Marte – mas oferece, sim, alguma esperança tangível. A chegada de uma sonda ao Planeta Vermelho com a capacidade de recolher amostras para caçar “fósseis químicos” ou outras provas de vida está prevista para 2020.

Mesmo com todos estes poréns, dado o que sabemos e o que estamos aprendendo sobre o ambiente marciano, parece justo dizer que qualquer vida que nós encontrarmos lá será bastante impressionante. [via, via]

Ensaio mostra a amizade de crianças órfãs e seus cãezinhos adotados

Em uma de suas viagens, o fotógrafo australiano Sam Edmonds visitou Dhaka, em Bangladesh, e descobriu uma comunidade de garotos órfãos e de rua que adotaram cães de uma ONG para serem seus companheiros.

Sam sensibilizou-se com o afeto que estas crianças sem pais retribuíam aos animaizinhos e decidiu fazer uma série fotográfica. Para as fotos, Sam pediu aos meninos que interagissem com os cachorros normalmente para mostrar com fidelidade a amizade incondicional entre eles.

O resultado é encantador, olha só:

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Os garotos, que vivem em Robindra Shorbod, vendem plásticos reciclados para sobreviverem. Segundo Sam, o resultado do seu trabalho fotográfico é um relato da “força, resistência e, acima de tudo, da camaradagem entre as crianças e os cães que elas adotaram”.

Todas as fotos © Sam Edmonds