Fósseis recém-descobertos podem reescrever a história da evolução na Terra

Fósseis podem mudar muito do que sabemos sobre evolucao (1)

Parece que os depósitos marroquinos da era ordoviciana são um tipo de Mundo Perdido. Espécies que se pensava terem morrido 20 milhões de anos no início da era Cambriana estão ao lado de outras que, até então, acreditava-se que ainda não teriam evoluído à época que estes depósitos foram formados.

A era cambriana marca um dos pontos mais importantes no desenvolvimento da vida, com uma explosão de formas multicelulares. No entanto, aproximadamente 485 milhões de anos atrás, muitas dessas espécies morreram – ou pelo menos era assim que pensávamos. Uma formação de 477 milhões de anos de idade, conhecida como Lower Ordovician Fezouata, demonstra que centenas sobreviveram por muito mais tempo do que pensávamos.

O Fezouata é rico em fósseis não vistos em outros lugares, como uma criatura de dois metros de comprimento que se assemelhava a um camarão.

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No entanto, nos últimos anos, a formação também tem rendido muitas espécies que parecem familiares para os cientistas que estão acostumados a estudar formas de vida do Cambriano. “Um certo número de animais do Fezouata não pareceria estar fora do lugar na pedreira Burgess Shale de Walcott”, relata um artigo na publicação Journal of Geological Society. O Burgess Shale é famoso por seus animais extraordinários do Cambriano, mas que acreditava-se que teriam sido extintos logo em seguida.

Para um dos autores do trabalho, o professor Derek Briggs, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o Fezouata é extraordinariamente significativo. “Os animais típicos do Cambriano ainda estão presentes em rochas 20 milhões de anos mais jovens, o que significa que deve haver um registro enigmático no meio que não está preservado”, disse em entrevista ao portal I Fucking Love Science. A ausência de exemplos intervenientes pode ser um resultado da “escassez geral de ambientes lamacentos da plataforma continental distal favoráveis ​​para preservação como ocorre em Burgess Shale”.

O antigo microcontinente de Avalonia foi uma exceção, tendo plataformas continentais estendidas. Traços de estratos rochosos de Avalonia sobrevivem no Marrocos, Espanha e norte da Europa.

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Muito trabalho pela frente para descobrir mais fósseis

Mais de 160 gêneros de animais foram encontrados no Fezouata e ainda há muita escavação a ser feita. Exemplos de espécies que parecem ser cambrianas incluem lobopódios, vermes com pernas e espinhas, e anomalocaridídeos, que, acredita-se, teriam sido os predadores da era cambriana.

Por outro lado, algumas espécies têm se mostrado mais velhas do que os cientistas suspeitavam. “Os caranguejos-ferradura, por exemplo, podem ser pelo menos 20 milhões de anos mais velhos do que pensávamos. A formação demonstra o quão importante fósseis excepcionalmente preservados são para a nossa compreensão dos principais eventos evolutivos da antiguidade”, explica Peter Van Roy, também de Yale.

“Alguns dos organismos são enormes – de vários metros de comprimento”, conta Briggs. “Com tal preservação excepcional, em uma exposição totalmente marinha, podemos desenvolver uma imagem razoavelmente completa de como era a vida no Ordoviciano”.

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Os resultados desafiam a linha do tempo tradicional, que sugere uma explosão de diversidade no Cambriano, seguida por extinções generalizadas que, por sua vez, levaram ao Grande Evento Ordoviciano de Biodiversificação. Em vez disso, pode ter havido uma continuidade não reconhecida entre as duas eras. [I Fucking Love Science]

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