Rhaebo guttatus

Rhaebo guttatus é uma espécie de anfíbio da família Bufonidae. Pode ser encontrada na Bolívia, Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A espécie tem a capacidade de lançar veneno das glândulas localizadas no dorso quando ameaçada, sendo o primeiro anfíbio com essa capacidade registrado no Brasil.É uma espécie com população estável, classificada como “pouco preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais

Os venenos

Os sapos possuem aquilo que os pesquisadores chamam de “defesa passiva”, isto é, o veneno só é liberado se houver pressão externa sobre as paratoides. Isso acontece, por exemplo, quando um animal abocanha o sapo e ao apertá-lo, comprime as paratoides. O veneno esguicha,  irrita a mucosa da boca,  e é absorvido por ela, podendo até matar o predador por parada cardíaca. Acidentes fatais com filhotes de cachorros não são incomuns.

Quando um sapo se sente ameaçado,   tenta  afugentar o predador, para isso, enche os pulmões, expondo as paratoides, como um  alerta para o perigo.

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Até 2012, era essa a explicação, no entanto, naquele ano, pesquisadores do Instituto Butantan observaram um comportamento único entre os sapos. Animais da espécie Rhaebo guttatus, quando se sentem ameaçados, adotam um comportamento ativo e hostil e são capazes de esguichar o veneno das paratoides em direção ao que os incomoda. Para isso, quando importunados, eles fazem barulhos com a boca e se isso não for suficiente,  expandem as glândulas ao encher os pulmões de ar. Em seguida, fazem movimentos com as patas dianteiras de modo que  alguns músculos e a omoplata, um osso chato próximo à paratoide comprimam essas glândulas esguichando o veneno a até 2m de distância.

Esta diferença foi notada por especialistas de diversas universidades, entre elas a de São Paulo e a Estadual de Campinas, durante incursões na floresta amazônica. Eles perceberam que este anfíbio faz movimentações corporais que comprimem glândulas nas costas e liberam jatos de venenos que podem atingir até dois metros de distância.

De acordo com Carlos Jared, diretor do laboratório de Biologia Celular do instituto, o alvo principal do veneno são os olhos ou a boca, já que seu conteúdo só interage com a mucosa — que leva as toxinas para a corrente sanguínea.

“É uma coisa fora dos padrões dos anuros [ordem dos animais a qual pertence os anfíbios]. As outras espécies de sapos só liberam veneno quando são ‘mastigados’ por presas. E já o Rhaebo guttatus encontrado na Amazônia o esguicha com precisão”, disse Jared.

Entretanto, seu grau de letalidade é 30% menor ao dos venenos de outros exemplares – que podem até causar a morte dos predadores. “A intenção deste sapo é dar um ‘chega pra lá’ nas presas. No ser humano não sabemos qual é o efeito, já que nunca houve casos de contaminação”, explica.

Sapo amazônico (Foto: Divulgação)Exemplar do sapo 'Rhaebo guttatus', encontrado apenas na floresta amazônica. Espécie libera jatos de veneno contra predadores. (Foto: Divulgação)
Folclore

O pesquisador afirma que esse fato explicaria o folclore de que as pessoas tinham que tomar cuidado com os sapos, porque eles soltariam jatos nos olhos.

“Isto pode ter vindo da época do descobrimento da região amazônica, há séculos. Mas isso só faz sentido se for na área de floresta, já que esta espécie perde as propriedades de ataque se for mantida em cativeiro”, explica.

Veneno como medicamento
Jared afirma que essa característica foi descrita por brasileiros na publicação científica “Amphibia-Reptilia”, 200 anos depois da espécie ter sido descoberta.

Ele afirma que o veneno da espécie é composto por substâncias como esteróides e lipídeos, bem diferente das toxinas encontradas em outros anfíbios. Além disso, o líquido liberado pelo Rhaebo guttatus pode auxiliar cientistas no combate a fungos.

“Ele tem uma propriedade ativa de fungicida por andar no chão da floresta. A médio prazo, pretendemos desenvolver uma fórmula de medicamento contra esse tipo de inflamação”, diz.

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