Vítima de maus-tratos, cavalo tem pata amputada e ganha prótese

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Roni Rigon/ Agência RBS

Apaixonados por cavalos, os amigos Vitor Boldrini, Adriana Susin, Renata Onzi e Maurício Lazari, ganharam o que eles acreditam ser uma missão em junho do ano passado. Pela Brigada Militar, souberam de uma denúncia que um cavalo havia sido abandonado em um mato do Parque Oásis, em Caxias do Sul. Era um final de semana e eles não pensaram duas vezes: foram até o local, colocaram o bicho dentro da caminhonete e o levaram até a cabanha que administram em Monte Bérico. O cavalo estava muito magro, cheio de bicheiras e não conseguia ficar em pé.

Achamos que ele não sobreviveria. Começamos a tratá-lo em agosto do ano passado e, depois de complicações em função de uma osteomielite (inflamação óssea), ele passou por uma cirurgia para amputar a pata. No lugar foi colocado uma prótese — explica Adriana.

Vítima de maus-tratos, cavalo recebe prótese em pata amputada para voltar a andar Roni Rigon/Agencia RBSCurativo no ferimento da pata amputada é trocado duas vezes ao dia

Depois de quase um ano, Campeão, nome que recebeu dos quatro amigos, segue recebendo cuidados diários. Para que o ferimento na pata amputada não crie escaras, é preciso fazer curativo duas vezes ao dia. Junto da prótese, para facilitar o encaixe, são colocadas uma fralda, medicamentos, meia e faixas. À noite, o animal dorme sem a prótese. Desde junho do ano passado, o cavalo da raça crioula já usou quatro pernas mecânicas:

Campeão tem dois anos e meio e pode crescer até chegar aos seis. Isso pode fazer com que ele tenha que trocar de prótese:imagem 2

Ele tem dois anos e meio e segue crescendo, por isso, essa pode não ser a última. Ele sempre se adaptou muito bem. O que nos dá força para continuar lutando é a força de vontade que ele tem. Ele quer viver! Lidamos com cavalos há muito tempo e sabemos que muitos pensariam em sacrificá-lo. Um cavalo vive, em média, 30 anos. Esse pode ser o tempo que teremos que cuidar dele. E faremos isso  conta Boldrini.

Os quatro donos do Campeão não sabem ao certo o quanto já gastaram com o tratamento do animal, mas estimam que já desembolsaram mais de R$ 15 mil. Mas, ao falarem do bicho, parecem não se importar com o dinheiro, muito menos com o cansaço.

O equino é da raça Crioula:imagem 3
— Queremos ser exemplo para as pessoas, que a nossa atitude seja multiplicada  destaca Boldrini, que enche os olhos de lágrimas ao falar de Campeão.

O alto custo para manter um cavalo amputado é uma das razões para que a prática seja rara, de acordo com o médico veterinário do conselho regional do Rio Grande do Sul Alexandre Carvalho Monteverde:

Cavalo é um animal que tem função, seja para o trabalho ou para o lazer. Um cavalo amputado e parado é sinônimo de prejuízo para alguns. A outra razão para ser raro é que eles precisam das quatro patas para se locomover e, na maioria das vezes, não se adaptam tão bem a esse tipo de coisa.Vamos dá continuação com uma pergunta que todos querem saber.

Os cavalos que quebram a perna precisam ser sacrificados?

No Velho Oeste, um cavalo (em inglês) que tivesse uma perna quebrada poderia passar os últimos segundos de sua vida na mira da arma de um cowboy. Infelizmente, nos dias de hoje, esses animais ainda são geralmente sacrificados após sofrerem esse tipo de lesão, pois têm pouquíssimas possibilidades de ter uma recuperação bem-sucedida.

O animal anda com certa facilidade, mas precisa ter cuidado com obstáculos :imagem 4

Os pesquisadores estão trabalhandoduro para tentar descobrir novas técnicas que aumentem as chances de um cavalo diante de uma fratura. Por enquanto, a cura ainda parece distante.

Uma perna fraturada pode ser o fim da carreira da vida de um cavalo

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A cura da perna de um cavalo é difícil devido a uma combinação de fatores. Suas pernas devem absorver um impacto considerável, já que seu corpo pesado galopa em alta velocidade. Os cavalos praticam bastante atividade física, o que pode levar à deterioração dos ossos da perna e a um risco maior de queda. Outra coisa a ser considerada é a quantidade de ossos que eles têm na perna. Dos 205 que formam o corpo todo de um cavalo, 80 ficam nas pernas. O complexo sistema de articulações, ossos, ligamentos, tendões, cartilagem, lubrificante, lâminas e cascos, que contribui para a sua incrível velocidade, também pode ser a causa de sua queda. Além disso, entre 60 e 65% do peso de um cavalo concentram-se nas suas pernas dianteiras – é por esse motivo que a maioria das lesões ocorre nelas.

Hoje ele vive em uma cabanha e recebe cuidados diários:imagem 5

Muitos problemas podem afetar as pernas dos cavalos, como inflamação, osteoartrite (em inglês), problemas nas articulações, doenças e, naturalmente, ossos quebrados (em inglês). A recuperação é mais complicada porque os cavalos não podem ficar deitados o tempo todo. Eles foram feitos para permanecer em pé a maior parte do tempo, inclusive enquanto dormem. Por serem possíveis presas, devem estar prontos para correr o mais rápido possível, motivo pelo qual ficam na ponta dos dedos (ou dos cascos, para ser mais preciso).

 

O círculo de vencedores

A segunda colocada do Kentucky Derby 2008, Eight Belles, foi sacrificada na pista depois de ter fraturado inexplicavelmente seus dois tornozelos dianteiros, logo após o final da corrida. Barbaro foi o campeão do Kentucky Derby em 2006, mas sofreu uma queda no Preakness Stakes pouco tempo depois. Ele lutou durante meses para se recuperar, mas foram muitas as complicações pós-operatórias e o animal acabou sendo sacrificado em 29 de janeiro de 2007.

Agora que já sabemos porque as pernas de um cavalo são tão importantes para sua saúde geral e seu desempenho, vamos descobrir o que acontece quando elas se quebram e se o animal terá que ser sacrificado.

Embora os cavalos ainda sejam sacrificados com freqüência após fraturarem uma perna, o procedimento, hoje em dia, geralmente é realizadode uma maneira mais humana, com uma injeção intravenosa de barbiturato, administrada por um veterinário, e não são só os cavalos de corrida que sofrem lesões nas pernas. Os pôneis também. Além de coices e quedas, acidentes simples, como pisar em falso, podem causar fraturas e lesões sérias. Fadiga e a estrutura musculoesquelética do próprio cavalo (em inglês) também podem ser fatores determinantes. Problemas pré-existentes difíceis de diagnosticar, como tendões distendidos, fraturas e microfraturas, também podem contribuir para a fratura dos ossos (em inglês).

Cavalos jovens têm mais chance de recuperação total após fraturarem uma perna?

Se o pior acontecer e o cavalo quebrar uma perna, existem vários fatores que ajudam a determinar se um veterinário será capaz de curar a perna quebrada e fazer o animal voltar a ser saudável. Algumas perguntas que o dono de um animal lesionado precisa fazer são:

Qual é a gravidade da fratura? O tipo de fratura faz uma grande diferença na hora de determinar se o cavalo conseguirá se recuperar com êxito. A gravidade das fraturas é bastante variada. Por exemplo, na fratura incompleta, o osso racha, mas não se quebra totalmente. Ela é mais fácil de ser tratada do que uma fratura completa, que pode resultar na fragmentação do osso. Muitos cavalos com fraturas incompletas conseguem se recuperar. Lesões extensas e múltiplas fraturas estão mais ligadas a uma possível necessidade de eutanásia. Se os fragmentos dos ossos saem ou não pela pele, é outro fator a ser levado em conta, pois sua exposição pode aumentar a chance de complicações, conforme discutiremos a seguir.

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Que idade tem o cavalo? Cavalos mais jovens geralmente têm mais chance de se recuperar de uma perna quebrada porque seus ossos ainda estão se desenvolvendo. Esses cavalos normalmente são mais leves e colocam menos peso sobre a lesão.

À noite, o bicho dorme sem a prótese:imagem 8

Onde é a fratura? O sucesso da cura varia conforme a parte da perna em que o osso quebrou. Por exemplo, uma fratura na parte inferior pode ser difícil de reparar porque os cavalos apresentam menos vasos sangüíneos nesse local. O processo de recuperação pode levar ainda mais tempo se a fratura ocorrer em um dos ossos maiores do animal.

 

Prevenção de lesões

Uma forma que está sendo testada para ajudar a prevenir lesões em cavalos de corrida é o uso de materiais sintéticos ao se projetar a superfície da pista de corrida. Por exemplo, a camada superior de Polytrack™ é composta de areia de sílica, fibra e material reciclado [fonte: Keeneland]. As camadas internas absorventes da pista criam um caminho esponjoso, capaz de amortecer as pisadas dos cavalos e absorver parte do impacto, diminuindo a probabilidade de um passo em falso ou de uma torção na perna. Os exercícios são importantes para manter a saúde do animal, como também dar tempo suficiente para que ele se recupere completamente após lesões e tensões moderadas. Os donos também podem oferecer ao cavalo suplementos nutricionais que ajudarão a fortalecer e manter saudáveis os cascos, as articulações e os ossos.

Mesmo que o dono do cavalo decida dar uma chance à perna quebrada para se recuperar,existem várias coisas que podem dar errado no processo de recuperação. Veja na próxima página alguns obstáculos que esses animais enfrentam .

Complicações do tratamento de uma perna quebrada

Talvez você esteja se perguntando: “Mesmo que a cura da perna quebrada de um cavalo (em inglês) seja difícil, por que não deixar que a natureza decida se ele deve viver ou não?”. Parte da resposta é que pode haver muita dor envolvida no processo de reabilitação. Algumas pessoas acham que o sacrifício do animal é mais humano do que deixá-lo viver e sofrer.

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Os cavalos são animais majestosos, mas normalmente sofrem sérios problemas de saúde quando não recebem o cuidado necessário

 

Dificilmente você consegue salvar a vida de um cavalo apenas amputando a perna quebrada. Os cavalos não são como os cachorros, que conseguem ter uma vida razoavelmente ativa com três patas. Eles são mais pesados e esse peso pode causar problemas para os outros cascos. Infelizmente, poucos cavalos conseguem adaptar-se a próteses (em inglês). Os cavalos devem gozar de boa saúde geral, ser capazes de se adaptar a novas situações e ter um dono que esteja disposto a gastar seu tempo e dinheiro nos tratamentos para acompanhamento do processo de colocação de uma prótese.

O alto custo para manter um cavalo amputado é uma das razões para que casos como o do Campeão sejam raros:imagem 13

O tratamento de uma perna quebrada pode apresentar muitas complicações. Aqui vão exemplos de alguns problemas que podem afetar a recuperação:

Peso: os cavalos, em geral, são animais pesados e suas pernas e cascos, pequenos, em comparação com o seu peso total. O apoio de uma perna quebrada normalmente força as pernas saudáveis a suportarem mais peso do que deveriam e isso – somado a outros fatores – pode aumentar as chances de desenvolvimento de problemas incapacitantes, como laminite e abscessos . A causa exata da laminite (uma doença inflamatória do material que liga o casco ao osso da perna, que pode levar ao seu descolamento) é desconhecida, mas a dor causada por ela aumenta muito a probabilidade de eutanásia. As faixas que são colocadas sob o abdômen e que mantêm o cavalo erguido (tirando o peso das pernas) são geralmente usadas por curtos períodos de tempo, mas não conseguem prevenir a laminite. As faixas podem ser desconfortáveis, causar excesso de pressão localizada e levar a sérios problemas gastrointestinais. Se a faixa é usada por muito tempo, a perna curada não consegue suportar o peso do cavalo devidamente e a laminite ainda pode ocorrer. O peso de um cavalo deve ser igualmente distribuído nas quatro pernas.

Movimento: os cavalos são animais que gostam de se movimentar e há um grande risco de se machucarem novamente em algum momento durante o processo de cicatrização. Um cavalo mais tranqüilo, que não se importa em ter os movimentos limitados, geralmente tem mais chance de se curar adequadamente.

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Infecção: as fraturas expostas normalmente se complicam por conta de infecções, que podem ser mais graves, dependendo do local onde ocorrem. Como os cavalos não têm músculos abaixo das articulações do jarrete (semelhante ao tornozelo humano), não há muitos vasos sangüíneos para conduzir anticorpos ao local da infecção, dificultando assim o tratamento. Esse fato também dificulta a administração de antibióticos (em inglês). Dar ao animal quantidade suficiente de antibiótico para ser eficaz, pode matar os microorganismos intestinais naturais do cavalo e influenciar a ação de importantes analgésicos.

Dor: o controle da dor é uma faca de dois gumes quando se trata de cavalos. Ela certamente precisa ser tratada, mas corre-se o risco de medicar o cavalo em excesso. Se o animal não sentir dor alguma, há uma grande chance de lesionar novamente a perna. A gravidade da dor das complicações pós-operatórias comuns, como a laminite, é a base da decisão para a eutanásia.

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Custo: o longo e complicado processo de tratamento do cavalo pode ser caro e não ter garantia de que funcionará. Além do custo elevado, a reabilitação pode ser comprometida pela falta de instalações disponíveis que possam tratar cavalos com lesões graves e pela falta geral de conhecimento.

FOTOS: Hospital para cavalos de corrida em Istambul

Mantido pelo Jockey Club da Turquia, centro de ponta é o maior e mais antigo do país.Veja a baixo como fuciona este hostpital de ponta que cuida de cavalos de corrida.

Um cavalo de corrida é erguido antes de ser colocado em mesa de cirurgia no hospital equino Veliefendi em Istambul, na TurquiaUm cavalo de corrida é erguido antes de ser colocado em mesa de cirurgia no hospital equino Veliefendi em Istambul, na Turquia

Um cavalo começa a perder a consciência após ser anestesiadoUm cavalo começa a perder a consciência após ser anestesiado

Cavalo de corrida é visto com seu treinador durante tratamento no hospital equino VeliefendiCavalo de corrida é visto com seu treinador durante tratamento no hospital equino Veliefendi

Um cavalo inala anestesia durante cirurgia no hospital Veilefendi em IstambulUm cavalo inala anestesia durante cirurgia no hospital Veilefendi em Istambul

Um cavalo de corrida é submetido a castração no hospital equino Veliefendi em Istambul, na TurquiaUm cavalo de corrida é submetido a castração no hospital equino Veliefendi em Istambul, na Turquia

Cuidadores conversam enquanto aguardam a avaliação médica no hospital equino VeliefendiCuidadores conversam enquanto aguardam a avaliação médica no hospital equino Veliefendi

Os veterinários Hulya Hartoka (esquerda) e Dursun Dogan enfaixam a perna de um cavalo de corrida após cirurgia laparoscópica para remover fragmentos ósseos no hospital equino Veliefendi Os veterinários Hulya Hartoka (esquerda) e Dursun Dogan enfaixam a perna de um cavalo de corrida após cirurgia laparoscópica para remover fragmentos ósseos no hospital equino Veliefendi

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