FOTO DO DIA

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Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.

Francis Bacon

19 DE ABRIL DIA DO ÍNDIO: Vamos conhecer a história dos Camaiurás: os índios da água no Xingu


                NG - Um índio contempla o crepúsculo às margens do Ipavu

Antes do nascer do sol, ao longo da praia do Lago Ipavu, uma linha de fogueiras surge no horizonte para aquecer os corpos nus que acabaram de sair da água. É julho, época de seca, e o frio da noite envolve o Xingu, o maior parque indígena do mundo, no norte do Mato Grosso. À medida que a luz clareia o dia, uma bruma surge sobre as águas. Típica dessa estação, a neblina dilui em silhuetas misteriosas os habitantes que vão e vêm pela praia – um movimento que, no ritmo peculiar do tempo naquelas paragens, irá durar o dia inteiro.

As águas translúcidas do Ipavu norteiam a vida dos índios camaiurás. Grupos de mulheres carregam os bebês para sessões diárias de banhos, iniciando-os desde pequenos nas artes de “ser peixe”. Crianças, jovens e velhos banham-se várias vezes ao longo do dia. Ao cair da tarde, barcos de pesca saem em busca de alimento.


                NG - As brumas do Lago Ipavu são típicas de julho, início do período seco no Xingu

As brumas do Lago Ipavu são típicas de julho, início do período seco no Xingu. Desde as primeiras horas do dia, os camaiurás começam a peregrinação para se banhar nas águas sagradas da tribo.

 

A relação com a água supera questões práticas do cotidiano: o elemento traduz parte da cultura local. O mito da criação da tribo, por exemplo, fala sobre um pássaro sagrado, o Pika’Hu, que, em uma disputa com um índio, regurgitou um imenso volume d’água abençoada por uma erva mágica e, com isso, fez emergir a aldeia dos antepassados. Desde esse dia lendário, acredita-se que os ancestrais vivam no fundo da lagoa e as águas sejam a fonte de força e vitalidade do povo Camaiurá. Tempos atrás, beber dali era um gesto proibido àqueles que não pertenciam à tribo.

Mantendo as tradições

O culto aos ancestrais explica a data mais importante da vida da aldeia, o Kuarup, o festivo ritual anual da despedida dos mortos. Troncos cuidadosamente selecionados são retirados das matas para representar, no centro da aldeia, o espírito dos ilustres que se foram. Cânticos, danças e comida marcam as celebrações, além do ukauka, uma espécie de luta ao estilo greco-romano para a qual os índios treinam por longo tempo. “O Kuarup simboliza o Xingu, um território sagrado da ancestralidade indígena do Brasil”, comenta o advogado Noel Villas-Bôas, filho do sertanista Orlando Villas-Bôas, que, ao lado dos irmãos Claudio e Leonardo, foram os pioneiros que se aventuraram para fazer contatos com tribos isoladas no interior do Brasil na década de 1960. A saga dos exploradores resultou na criação do Parque Indígena do Xingu.

Treinos da luta uka-uka antecedem o Kuarup, a festa em homenagem aos mortos. Os camaiurás pescam em um lago intocado durante o resto do ano para garantir comida aos visitantes – Foto:Ricardo Teles

Os esforços de organização do Kuarup começam com boa antecedência. Responsáveis em dar alimentação e guarida a todos os visitantes, boa parte dos camaiurás muda-se para o Lago Iananpaú, distante 40 quilômetros da aldeia. Ali, durante quatro dias, os índios organizam-se em uma monumental pescaria que deverá provisionar o Kuarup de comida. Menor e com águas lodosas, o Iananpaú difere bastante do Ipavu, a “casa” dos camaiurás. Como o lago permanece resguardado desde o mesmo evento no ano anterior, ele borbulha de vida nessa ocasião.


                NG - Os pajés da aldeia fumam às margens do Lago Iananpaú

Os pajés da aldeia fumam às margens do Lago Iananpaú, evocando os espíritos para pedir proteção e fartura durante a grande pescaria.

 

O percurso é longo e leva um dia inteiro. Após se deslocar por terra até a aldeia dos vizinhos cuicuros, os camaiurás começam uma viagem de barco pelo Rio Xingu e, finalmente, uma jornada de 8 quilômetros sertão adentro. As mulheres seguem na frente, com grandes cestos na cabeça e filhos no colo. A missão delas é montar acampamento e preparar as refeições. Sob a guarda de meninos armados de espingardas e flechas para eventual encontro de animais perigosos, a caminhada é exaustiva, mas ligeira. Os homens vêm a seguir munidos de arpões e uma imensa rede, que atravessará o Iananpaú de ponta a ponta.


                NG - As pinturas corporais são típicas das cerimônias dos índios camaiurás no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso

As pinturas corporais são típicas das cerimônias dos índios camaiurás no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso.

 

Pouco tempo depois de todos chegarem ao lago, Kotók, o cacique, filho do saudoso Tukumán, um dos mais respeitados pajés do Xingu, começa o ritual. Sem falar muito, mira os olhos na direção de um e aponta a mão para outro, como quem rege uma orquestra. A pescaria logo começa a tomar forma. A agilidade e a cooperação entre os homens impressionam: todos sabem bem as tarefas que precisam ser cumpridas.



                O Lago Ipavu margeia a aldeia no alto Xingu

O Lago Ipavu margeia a aldeia no alto Xingu.

 

Entram em cena então os pajés. O papel deles é decisivo para que tudo saia bem. Já no primeiro dia, após os índios correrem com a imensa rede ao redor de toda a lagoa, os xamãs sentam-se na beira da água e rezam por fartura e proteção – jacarés, arraias, cobras e piranhas infestam a água. Os pajés fumam, rezam e evocam os espíritos. Em seguida, pintam o corpo com urucum: a pele vermelha, acreditam, completa a blindagem contra todos os males que possam ameaçá-los.


                NG - Uma menina camaiurá mergulha nas águas cristalinas de um igarapé próximo à aldeia

Uma menina camaiurá mergulha nas águas cristalinas de um igarapé próximo à aldeia.

 

A rede é lançada com esforço para atravessar o lago. Na frente, batedores espinham seus arpões contra o chão para localizar arraias – ao reagir ao perigo, o bicho não foge, mas afunda na areia; pisar em uma criatura dessas pode ser terrível. Todos gritam sem parar, não para assustar, mas para sinalizar que tudo vai bem. Quando cai a tarde, a rede é deixada exatamente no meio do lago. No dia seguinte, ela será recolhida.

A arraia, dona de um ferrão venenoso que causa muita dor, é abatida com arpão. Os homens andam descalços no Lago Iananpaú – Foto:Ricardo Teles

Na volta ao acampamento, os mais jovens acendem fogueiras e, com tochas na mão, aproximam o fogo, como se percorressem os corpos uns dos outros. Uma espécie de “limpeza” e proteção espiritual. A nova geração xinguana vive um dilema: ao mesmo tempo que compartilham o orgulho de serem indígenas da grande nação, estão em contato permanente com o mundo externo. Longe da aldeia, muitos moram na pequena cidade de Canarana. Munidos de celulares e tablets, estão em permanente contato com o mundo digital e com jovens do resto do mundo. Uma vez que adentram a terra indígena, contudo, entre crianças que não falam português e os mais velhos que se mantêm fiéis à tradição, todos reassumem sua identidade ancestral.


                As crianças passam o dia brincando nas águas do Lago Ipavu, diante da aldeia

As crianças passam o dia brincando nas águas do Lago Ipavu, diante da aldeia. Em julho, o frio avança sobre as noites do Xingu, e os pequenos costumam acender fogueiras para se aquecer depois dos banhos.

 

Na manhã seguinte, pouco antes do raiar do sol, gritos esparsos me despertam e anunciam que é hora de recomeçar os trabalhos. Depois do desjejum – peixe defumado com tapioca quente –, todos se reúnem à beira do lago. O grupo se divide em dois, um para cada lado da margem. Batedores se posicionam de 3 em 3 metros ao longo da rede para impedir a fuga das presas. Mesmo assim, conforme a armadilha avança e o lago fica mais raso, centenas de peixes saltam por cima da rede, desesperados diante do cerco.


                Durante a pesca, outros animais perigosos, como jacarés e cobras, foram apanhados na rede

Durante a pesca, outros animais perigosos, como jacarés e cobras, foram apanhados na rede. Muitos peixes escapam por cima da armadilha durante o cerco final.

 

Começa então a pesca com arpões: os índios tentam acertar os peixes saltitantes, na maioria das vezes em vão. Ninguém lamenta os erros eventuais. Todos sabem que há uma compensação: os milhares que escaparem agora servirão de reserva para o próximo ano, num tipo de seleção natural que mantém o equilíbrio do lago.


                NG - Índios adentram a mata em busca do tronco sagrado

Índios adentram a mata em busca do tronco sagrado. Durante o Kuarup, a aldeia se despede dos mortos e cada tronco representa o espírito dos que se foram.

 

A rede chega à praia, mas o resultado desaponta. Um jacaré fez um estrago considerável nas tramas de náilon, e muitos peixes escaparam. Antes que o desânimo domine o grupo, os pajés voltam às águas para reforçar as esperanças. Os consertos no equipamento são feitos, e a pescaria reinicia seu passo a passo.


                NG - As flautas são instrumentos sagrados para os camaiurás

As flautas são instrumentos sagrados para os camaiurás, tocadas somente pelos homens e guardadas em um casa no centro da aldeia, o tap’yy.

 

Na manhã do quarto dia, finalmente, ao puxar a rede, os gritos são mais intensos. Dá para sentir na mão a tensão e o volume dos pescados. Dentro d’água, os homens fazem o cerco final rumo à praia. Mulheres e crianças, posicionados na margem do lago e com cestos à mão, vibram e gritam de alegria. A rede está cheia. Kotók fala em 3 toneladas, aliviado da responsabilidade de alimentar os convidados do Kuarup. É hora do trabalho de defumar milhares de peixes, que atravessa a madrugada. A festa é grande. Os camaiurás saúdam os espíritos pela fartura e, sobretudo, por todos terem saído ilesos do ritual.


                NG - Umas das várias danças tradicionais na região é a Tawaranã

Umas das várias danças tradicionais na região é a Tawaranã.

 

Tradições como a pescaria e a festa dos mortos resistem intactas graças à mentalidade não integracionista iniciada pelos irmãos Villas- Bôas. No norte do Mato Grosso, agora ocupado pela atividade agropecuária, tal política manteve viva a rica estrutura social dos povos do Xingu “e resguardou o parque como uma área de conservação”, diz Noel Villas-Bôas. Neste ano, o Kuarup será em homenagem a Tukumán, um símbolo do Xingu, um homem de muitas histórias terrenas e espirituais, contadas por todo o parque.


                NG - A arraia, dona de um ferrão venenoso que causa muita dor, é abatida com arpão

A arraia, dona de um ferrão venenoso que causa muita dor, é abatida com arpão. Os homens andam descalços no Lago Iananpaú. 

 

A despeito da tecnologia e do conhecimento das sociedades modernas, nossa relação com o planeta é ainda conflituosa. Parto do Xingu com a sensação de que, nas cidades, ainda não resolvemos bem a equação entre evoluir e preservar o mundo que nos cerca. Sem esse equlíbrio, nenhum progresso jamais fará sentido. Senhores de uma cultura vigorosa e de um modo de vida em simbiose com a natureza, os camaiurás nos deixam lições de quão importantes são as coisas simples: a força da comunidade, o respeito mútuo e a relação com a natureza que se traduz numa espiritualidade livre, rica e singular.


                NG - Um índio contempla o crepúsculo às margens do Ipavu

Um índio contempla o crepúsculo às margens do Ipavu. O mito de criação dos camaiurás fala de um pássaro mágico que despejou as águas que formam o lago, que ficou encantado.


                NG - Toda a comunidade participa da pescaria.

Toda a comunidade participa da pescaria. As crianças têm uma estratégia para ajudar os adultos: elas saltam nas águas do Iananpaú para atrair os peixes para dentro da rede. 


                NG - A fartura da pesca

A fartura da pesca, depois que o lago permaneceu um ano em descanso, foi estimada em 2014 em mais de 3 toneladas de peixes

 


                NG - No fim da pescaria, os peixes são defumados para serem servidos às aldeias visitantes durante o ritual do Kuarup

No fim da pescaria, os peixes são defumados para serem servidos às aldeias visitantes durante o ritual do Kuarup. É esperada a visita de diversos povos que habitam o parque, como os calapalos, os cuicuros e os mehinakos. NG185 Xingu.

 


                NG - Jovens banham-se na lagoa Iananpau

Jovens banham-se na lagoa Iananpau, onde uma bruma surge sobre as águas à medida que a luz clareia o dia.

 

Fotos: Ricardo Teles

Projeto na Bahia usa arte e educação para transformar a vida de jovens em situação de rua

A arte tem um poder transformador muito forte. Indo além de desenvolver um dom ou aptidão, ela acolhe e desenvolve um papel fundamental na sociedade. Fomos conhecer o Projeto Axé, em Salvador – Bahia -, que tem como missão abrir portas para crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade descobrirem seus desejos artísticos através de workshops.
Fundado em 1990 pelo ítalo-brasileiro Cesare de Florio La Rocca, a organização não-governamental defende os direitos deste público que, em grande parte dos casos, vive em situação de rua. A educação aliada a arte é uma das premissas para oferecer a estas mentes pensantes um horizonte muito maior do que as vias por onde andam, ampliando suas oportunidades e desenvolvendo as aptidões.
Através de estímulos e vínculos, constroem pontes para que estas crianças e adolescentes, entre 5 e 21 anos de idade, saiam das ruas para ingressarem em Unidades Educativas, espaços pedagógicos onde se realizam atividades lúdicas, artísticas e culturais, baseadas nos princípios da ética e dos Direitos Humanos.
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Segundo Marcos Cândido, um dos idealizadores do Axé, a iniciativa leva a eles o contato com quatro linguagens de arte que são escolhidas a partir do desejo. Nada é obrigatório e assim funciona essa aproximação, com base na proposta de ArtEducação criada por Cesare e acompanhada pelo educador Paulo Freire ao longo de cinco anos. É muito enriquecedor entender também o quanto são valiosas as pessoas que vivem na rua, que tantas vezes são vistas como marginais, como a escória da sociedade.
Muito pelo contrário! Estes meninos e meninas não se deixam imbecilizar pela escola, não se deixam ser violentadas pela família, vão para a rua porque querem viver melhor. “Se prestarem a atenção, elas não procuram os espaços urbanos feios, horrorosos, e sim os espaços que têm mais beleza, onde tudo é mais bonito, as pessoas são mais educadas e onde as relações que eles podem ter são mais saudáveis”, discursou Cândido, que extrai essa riqueza no meio do caos e lapida estes seres cheios de autonomia, criatividades, vitalidade e independência.
“A gente acredita que os seres humanos vão aprendendo as coisas juntos. O que as crianças fizeram foi encontrar no espaço da rua aprendizagem e socialização. É muito desumano de um lado, porque essa criança é confrontada a todo minuto com a questão da sobrevivência. A todo minuto elas matam um leão. Isso as torna muito fortes e ao mesmo tempo traz um legado que pode ser usado para o mal ou para o bem”, pontuou.
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Em visita à matriz do projeto, no Pelourinho, tive contato com este universo cheio de descobertas, com meninos e meninas que pintam, bordam, costuram e recorrem à música para aliviar suas dores. Uma turma de garotos entre 13 e 17 anos estava empenhada na aula de desenho e, no meio deles, apenas uma garota, grávida aos 14 anos. Muito tímida e compenetrada, estava ali porque gostava da arte e quer levar isso adiante como profissão.
A escolaridade, ou melhor, a falta dela, traz um grande desafio para este sonho, mas ele não é impossível, não. Tem uma galera que sai de lá e segue rumo a faculdade. Este foi o caso de Fábio Bastos Cardoso, que em 1997 – aos 13 anos – entrou para o Axé na área de serigrafia de estampa. Depois da vivência com as atividades, se apaixonou pela área artística e em 2003 conseguiu viajar para a Itália para fazer um curso de moda.
Assim seguiu sua vida e carreira brilhante. “Terminei o segundo grau em 2009 e passei em artes plásticas na Universidade Belas Artes. Me formei em 2013 e hoje trabalho na área de artes visuais”, me contou, orgulhoso do que o projeto o ajudou a conquistar. Ali foi aberta a primeira porta para que ele costurasse um futuro de maiores oportunidades.
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Fotos: © Brunella Nunes
Em parceria com a Ford e a Ford Fund – fundo social da empresa que é destinado a ações globais dedicadas a comunidades, educação e segurança – dentro do Axé também há espaço para as mães. Por meio de aulas de modelagem, corte e costura, a mulheres em situação de vulnerabilidade em  
Camaçari, a cerca de 1 hora de Salvador, são treinadas para costurarem mochilas ecossustentáveis produzidas com o reaproveitamento de uniformes antigos de funcionários da montadora, que passam por processo de higienização antes de serem entregues ao programa.
Nessa turma conheci Maria de Fátima dos Santos, 53 anos, mãe de nove homens e uma menina. Ela estava separando os tecidos junto com uma porção de mulheres enquanto três de seus filhos faziam oficinas no Axé. Aliás, suas 10 crias já passaram ou ainda estão dentro do projeto que consegue impactar uma família inteira.
Ela e o marido estão desempregados, então ela vive de bico e da bolsa de R$ 280 que recebe da ONG. “Vivo com uns R$ 300 por mês. Isso é o meu sustento. Quando consigo faço umas faxinas, lavo roupas para os outros. Aqui eu aprendi e peguei gosto pela costura, não sabia nada, me disse, mesmo focada no trabalho que estava fazendo e que pode virar mais uma renda familiar futuramente.
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As mochilas que a Maria ajuda a fazer chegam a 2 mil unidades, que são doadas anualmente aos alunos da rede municipal de ensino de Camaçari. Quando estávamos por lá rolou a cerimônia de entrega de 10 mil mochilas e a cerimônia de formação de uma turma de alunos do Projeto Axé.
Foi uma coisa linda ver a evolução do projeto como um todo.
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PAIS ALIMENTAM A FILHA COM COMIDA TÍPICA DE 195 PAÍSES ATÉ AOS 5 ANOS DE IDADE

Será que existe mesmo comida de criança? Enquanto muitas famílias optam por alimentar seus filhos com bife e batatas fritas simplesmente porque “é isso que as crianças comem“, uma mãe resolveu inverter a lógica e ofereceu à sua pequena filha comidas típicas de 195 países.

O experimento começou quando a menina Ava tinha apenas 7 meses e, ao todo, foram cozinhadas 650 receitas provenientes de cada país existente no globo terrestre. Tudo isso antes de que ela completasse o seu 5º aniversário.

Proveniente de Oklahoma, nos Estados Unidos, a mãe e cozinheira de mão cheia Sasha Martin sempre amou a gastronomia internacional e queria fazer com que o ato de cozinhar fosse mais divertido, mas o experimento também foi uma maneira encontrada por ela para permitir que sua pequena filha conhecesse e amasse o mundo em que vivemos, entendendo mais sobre a cultura de diversos países. Como não tinha dinheiro suficiente para uma volta ao mundo real, a família optou por uma deliciosa volta ao mundo gastronômica.

A aventura é compartilhada através do blog Global Table Adventure onde Sasha adverte que você não irá encontrar nenhuma receita exótica, como tarântulas fritas. A ideia da experiência foi cozinhar pratos com ingredientes que podem ser encontrados localmente em quase qualquer cidade grande e não causar um verdadeiro choque cultural. Por isso, a opção é por alimentos simples e corriqueiros, mas com um sabor único que pode ser apreciado por pessoas de diferentes culturas.

Dá uma olhada em algumas das receitas:

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Kabeli Palau – Afeganistão

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Rolinhos Primavera – Vitenã

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Pão caseiro – França

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Torre de arroz com coco – Malásia

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Caviar – Rússia

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Limonada de melancia – Gana

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Milho grelhado com leite de coco – Camboja

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Essa receita a pequena ajudou a fazer, mas não bebeu: Cerveja – Alemanha

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Pimenta – Laos

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Torta de ricota com massa de gengibre – Estônia

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Sopa Bakso – Timor Leste

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Nozes imersas em suco concentrado de uva – Georgia

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Pão pita – Iraque

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Sushi – Japão

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Torta de Macadâmias – Ilhas Marshall

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Sanduíche de ovo – Níger

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Batatas rústicas recheadas com cordeiro – Líbia

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Sorvete de olíbano – Omã

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Lumpia Shanghai – Filipinas

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Bolo de Princesa – Suécia

Todas as fotos © Global Table Adventure

O maravilhoso cachorro que virou pai adotivo de uma ninhada de guepardos

 
Um pastor australiano se mostrou solidário a uma ninhada de guepardos que perderam sua mamãe gueparda no parto. Tiveram que tirar os bichinhos de última hora porque ela ficou doente e, caso isso não fosse feito, todos morreriam. Vem ver só que gracinha! 

Semanas depois da mãe falecer após a cesária, Blakely, o cão, ajudou os cuidadores do Zoológico de Cincinnati, EUA, a cuidarem dos 5 filhotinhos de guepardo. Os tratadores contam que ele assumiu o papel de pai logo que conheceu os filhotinhos.

Hoje os guepardinhos já estão ficando fortes e saudáveis, graças a ajuda de Blakely. “O primeiro trabalho dele foi deixar os filhotes subirem nele, o que eles fizeram assim que foram colocados juntos”, contou Dawn Strasse, tratadora responsável pelos filhotes. “Eles precisam desse exercício para ganhar tônus muscular”.

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E o trabalho não para por aí. Conforme eles forem crescendo, ele servirá de guia e exemplo. Uma atitude além de fofa, essencial, pois os guepardos estão ameaçados de extinção e hoje existem somente cerca de 12 mil espécimes deles no mundo. Lindo!

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Todas as fotos: Divulgação

Conheça as tribos africanas que transformam itens da natureza em acessórios incríveis

Quem nasce nas tribos Surma ou Mursi é um designer por natureza – e da natureza. Os moradores destas tribos, que se expandem pela Etiópia, Quênia e Sudão do Sul, parecem ter dominado a técnica de criar acessórios utilizando apenas elementos naturais, como folhas, flores e galhos.

As imagens das tribos foram capturadas pelo artista alemão Hans Silvester, que fez questão de documentar a criatividade demonstrada por estas pessoas na criação de seus acessórios. Para o trabalho, Hans acompanhou o cotidiano das tribos, buscando representar o máximo possível o espírito artístico apresentado por seus habitantes.

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Tanto os Surma quanto os Mursi possuem traços culturais bastante similares. Por viverem em terras remotas e quase inexploradas, sempre tiveram pouco contato com outras culturas, preservando sua tradição. Infelizmente, a guerra civil na região tem se tornado cada dia mais violenta e os habitantes destas tribos agora carregam armas fornecidas pelos partidos Sudaneses para caçar ou se proteger de tribos rivais.

Apesar disso, as duas tribos ainda mostram uma maneira única de expressar seu senso artístico, usando seus corpos como tela e criando composições livremente com o que a mãe-natureza oferece e, quem sabe, ainda servirão de inspiração para a alta costura pelo mundo.

Confere só algumas das imagens captadas por Hans:

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Todas as fotos © Hans Silvester

SP-Arte volta a surpreender com lado descolado de galerias nacionais e gringas

Quem aí quer dar um mergulho no universo artístico poderoso da atualidade? A 12ª edição da SP-Arte teve início na quinta-feira, 7 de abril, e agita o Pavilhão da Bienal em São Paulo  e foi até o domingo, 10. Reunindo 140 galerias de arte do Brasil e do mundo, traz novidades contemporâneas e alguns clássicos modernos, além de incluir pela primeira vez um setor dedicado ao design.

Nosso giro por lá começou pelo térreo, onde estão obras contemporâneas bem interessantes e com aquele ar hypado que a gente ama. Para mencionar alguns exemplos deste parque de diversões dos amantes de arte, a galeria Choque Cultural apresenta obras inéditas de Daniel Melim, que segundo a galerista Mariana Martins – que exibe seus doces de acrílico no evento -, foram feitas especialmente para a feira.

O estande também conta com peças de Jaca, Matias Picón, Rafael Silveira, com destaque para as molduras incríveis que contornam suas pinturas; os neons de Alê Jordão; duas telas de Tec com o desenho que também ilustra uma das empenas cegas do Minhocão; e ainda a instalação “Praças (im)Possíveis”, do coletivo BijaRi, com a proposta de ser uma praça móvel a partir de bicicleta.

Vale a pena ver de perto também uma série de trabalhos bem diferentes feitos pela artista Iris Helena, representada pela galeria Portas Vilaseca. Sua técnica consiste em aplicar fotografias nas mais diversas plataformas, como numa série de post-its, formando um grande painel; ou em fragmentos erodidos de parede, cartelas de remédio e até mesmo papel higiênico.

Impressionante e delicadas, as obras têm fotos impressas a partir de um jato de tinta.

Quem não passa despercebida pela feira são as peças e letreiros em neon. A galeria Baró exibe a chamativa tela “Extraña devoción (strange devotion)”, do chileno Ivan Navarro. Produzida a partir de neon, madeira, tinta, timer, espelho, vidro espelhado e energia elétrica, é uma explosão de luzes coloridas, criando um túnel que dá vontade de mergulhar dentro.

Ainda dá para conferir de pertinho um famoso quadro com uma caveira tridimensional do britânico Damien Hirst, um dos artistas mais cobiçados do mundo. No estande da Other Criteria, são apresentadas obras lindas do artista, com foco em borboletas. Tem também uma tela dos brasileiros Osgemeos, representados pela galeria Fortes Vilaça, que em 2014 bombou após uma exposição fascinante da dupla em SP.

Observando uma estante de livros com plantas enraizadas entre eles, estava a artista Delba Marcolini. Como nós duas estávamos apaixonadas pelo trabalho, começamos a bater papo.

Descobri que sua paixão mesmo é pelo tear manual, arte que domina há 25 anos “É muito trabalhoso. E sempre eu faço do primeiro ao último nó do trabalho. Leva cerca de 2 meses cada peça“, disse. Depois de ganhar até prêmios internacionais, exibe suas obras têxteis pela primeira vez na SP-Arte.

Entre os estandes que achei mais interessantes (são muitos, socorro!) estão galeria Carbono, galeria Leme, Zipper Galeria, galeria Pilar, Casa Nova Arte e Cultura Contemporânea, galeria Inox e Referência Galeria de Arte. Na ala internacional tem várias coisas bacanas, mas destaco que vale a pena visitar a Stephen Friedman Gallery, El Museo, Arredondo/Arozarena e Neugerriemschneider.

Os amantes do design também encontram exemplos desta arte durante a 12ª edição do salão. Exemplo disso é a ala dedicada aos Irmãos Campana, que são ícones dentro do design brasileiro. No estande da Universidade Belas Artes estão peças bacanas de ex-alunos, como a poltrona Avante e o banquinho Escher do Estúdio Cipó, em exposição. Além disso, o Coletivo Amor de Madre, Mercado Moderno, e outros marcam presença.

Perca-se nas curvas projetadas por Oscar Niemeyer ao redor da Bienal e não vá embora sem dar uma conferida nos estandes das livrarias. Comprei livros de arte de Alex Vallauri e de Eduardo Srur por 100 dilmas muito bem pagas e com descontinho amigo. #ficadica. Acompanhe também a programação, que envolve talks gratuitos e performances.

“The soul will always do what it needs to do” – da britânica Tracy Emin via Galeria Carbono

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Todas as fotos © Brunella Nunes