Um paraíso na terra que você precisa conhecer antes de morrer

É um dos locais que atrai mais turistas na Croácia e é fácil perceber porque: o Parque Nacional Plitvice Lakes está situado numa zona montanhosa, perto da fronteira com a Bósnia, e envolve 16 maravilhosos lagos, de diferentes formas e tamanhos, todos unidos por cascatas.

O que também não é igual é a cor da água: as piscinas naturais que se formam devido ao surgimento de barreiras de gipsita, que retêm a água, variam assim entre o verde e o azul. Como se tudo isso não bastasse, ao redor dos lagos se encontra uma rica floresta, com ursos, lobos e algumas aves raras como habitantes. A beleza e importância geológica do local fazem delePatrimônio Mundial da UNESCO.

Enquanto não tem a sorte de poder visitar os Plitvice Lakes, fique com algumas imagens.

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Fotógrafo cria série de retratos de muçulmanos e usa a humanidade para combater o preconceito

Não tomar o todo por uma pequena parte é sempre uma boa medida para se evitar injustiças, racismos e generalizações contra grupos ou indivíduos. Hoje a comunidade muçulmana pelo mundo sofre excessivamente desse tipo de leitura, que condena um grupo amplo, diverso e cheio de camadas como se todos fossem a diminuta minoria que usa do islamismo como prerrogativa para disseminar violência e terror.
A verdade é que se fossemos justos, todo e qualquer grupo, seja religioso, ideológico, político ou até mesmo esportivo, estaria sujeito à mesmíssima leitura. A fim de derrubar esse tipo leitura míope e injusta sobre os muçulmanos, o fotógrafo australiano Matt Palmer decidiu dividir com o público diversas histórias pessoais de alguns membros dessa comunidade.
O ensaio se chama Faces of Islam (Faces do Islã) e reúne justamente retratos e relatos


 

“Eu não penso mais sobre isso [usar o véu], não é algo que faço conscientemente. É como vestir uma camiseta ou sapatos… Quando estou me arrumando de manhã, no entanto, e me olho no espelho, me sinto linda com o véu. Me cai bem, e tenho orgulho disso” – Sara, escritora e estudante.
O enfoque do trabalho não é na religião em si, mas sim nas pessoas que formam essa comunidade. As fotos de Palmer retratam muçulmanos de origens diversas que vivem na Austrália, e procuram mostrar o quanto são pessoas com desejos, sonhos e caminhos singulares através e para além de sua orientação religiosa.

Eu escuto post-hardcore. Quando as pessoas descobrem que eu escuto essa música, eles se espantam. ‘Você ouve esses gritos, e tudo mais?’” – Raheema, universitária
São pessoas que não só não tem a ver como condenam e são também vítimas indiretas do terrorismo publicamente ligado ao Islã. O trabalho funciona como um convite ao diálogo, franco, direto e informal, a fim de que os preconceitos e desinformações possam se diluir para que empatia e afeto possam se construir no lugar.

Tudo era poderoso, a serenidade com que subimos o monte Arafat, não era possível ouvir um lamento, tudo estava tão calmo, você poderia escutar um alfinete caindo. Na hora em que fomos, havia um milhão de pessoas. Um milhão” – Tia Halima, anciã

Viver na África do Sul sob a liderança de Nelson Mandela foi um dos eventos que transformou a minha vida. Me ensinou que é possível alcançar mudanças através do comprometimento e dedicação a uma causa. Me ensinou que eu possuo força interior para fazer diferença no mundo” – Naseema, trabalhadora comunitária

Eu tenho pressa, e estou correndo no caminho de trabalhar com as pessoas para ajudar as pessoas, e nada pode me parar. Minha cabeça está determinada” – Mohamed, trabalhador comunitário

Nossa tia ligou do hospital e disse ‘seu pai faleceu’. Ficamos em negação, e não consegui compreender isso por um bom tempo. Afinal, ele não estava lá, e eu não o via há três meses. As vezes ainda penso que ele está em algum lugar, e que posso encontra-lo, mas não posso” – Aliya, corretora

Eu amo crocodilos! Vou nadar com crocodilos esse ano. Eu adoro o fato de que eles não se importam com o que os outros pensam, são criaturas feias mas brilhantes no que fazem” – Safeera, terapeuta

A melhor parte é quando uma pessoa doente vem até você e melhora das dores e doenças; essa é a melhor parte em ser médico” – Muaz, médico e estudante de medicina

Eu me relaciono com meu passado ou com outras pessoas vivendo em condições bastante difíceis. E então comparo com onde estou agora, o que conquistei, o que fiz, e sempre me sinto bastante afortunado, muito sortudo, diferente de milhões de outras pessoas” – Rajab, engenheiro

Havia um dinossauro, mas ele era movido a pilhas. E se você entrasse no túnel escuro, era como se chovesse uma tempestade lá dentro! Isso foi divertido, e não assustador. Mamãe acho assustador. Mamãe tem medo das aventuras que eu gosto” – Laila, estudante da primeira série

E seja você o rei, a rainha ou o mais baixo dos mendigos, somos todos iguais. Isso foi realmente lindo. Eu realmente aprendi muito quando fui à peregrinação para Meca. Isso mudou minha vida em muitos sentidos” – Janeth, advogado comunitário

O maior risco que corri foi perceber que a depressão é algo real. E tive coragem de realmente fazer algo a respeito” – Hassen, contador
Todas as fotos © Matt Palmer

Criatura “alienígena” de olhos verdes assusta pescadores

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Recentemente, as fotos de um estranho peixe causaram furor na internet, após um pescador da Nova Escócia a divulgar. O jornal Daily Mail chegou a chamar o animal de “aterrorizante peixe alienígena com asas e olhos brilhantes”.
Puro exagero. Trata-se de uma espécie muito antiga, uma quimera, conhecida há um bom tempo. O nome deste peixe é Harriotta raleighana, mas ele também atende se você chamá-lo de quimera de nariz longo, quimera de nariz fino e por aí vai.

Este peixe com cerca de um metro de comprimento tem meia dúzia de dentes na boca, quatro em cima e dois em baixo, que usa para capturar animais que vivem junto ao fundo do mar. 

Surpreendentemente, é muito parecido com seus ancestrais de 350 a 375 milhões de anos atrás, o que indica que deve sofrer pouca pressão evolutiva, como competição, ou simplesmente não ser muito sujeito a alterações.
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Também é um peixe cartilaginoso, como seus parentes distantes e, desde que os pescadores começaram a lançar suas redes mais para o fundo, tem se tornado mais comum nas pescarias comerciais.
 Só que a espécie normalmente chega morta na superfície por causa da diferença de pressão, tendo perdido o sistema digestivo durante a descompressão, e é jogada fora (como na foto acima).
Se você ficou curioso com o estranho focinho, parece que a quimera tem sensores de bioeletricidade, como o tubarão, e é capaz de sentir as batidas cardíacas de presas em potencial. Mas como vive no fundo do mar, pouco se sabe sobre este peixe de estranho aspecto, por exemplo, seus hábitos ou longevidade. [LiveScience]
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Guerra no Iraque: Estado Islâmico x Curdos

Jovens curdos usam uma mistura de trajes tradicionais e ocidentais em uma formatura na Universidade de Sulaimani. Essa geração desfruta de mais liberdade que as anteriores. “Podemos estudar muito, mas há uma guerra. Talvez todo o nosso trabalho não dê em nada”, diz um estudante.

No dia em que Mosul caiu em poder do Estado Islâmico, Botan Sharbarzheri decidiu: estava disposto a morrer. O universitário de 24 anos deixou sorrindo a casa dos pais em Slemani, uma cidade no Curdistão iraquiano, comprou cigarros, deu alguns telefonemas. Ele e muitos de seus amigos estavam nas férias de verão; por isso, não lhe foi difícil reunir um grupo de jovens com o mesmo ânimo: ávidos e inexperientes aspirantes a guerreiro. Envoltos em uma névoa de fumaça e mensagens de texto pelo celular, eles esboçaram um plano. Surgiram diversas questões, logo resolvidas. Tudo parecia claro, definido, virtuoso. Todos concordaram que estavam prontos a morrer por sua pátria – o Curdistão, e não o Iraque. Dispunham-se a morrer para proteger suas famílias de um inimigo brutal, como seus pais haviam feito contra o Exército do ex-presidente Saddam Hussein. Só precisavam de um campo de batalha onde provar seu valor e de alguém que os liderasse.

 NG - Do lado de fora de sua barraca no campo de Arbat, o diretor Mudhafer Abdul Nari prepara-se para supervisionar as aulas para centenas de estudantes Do lado de fora de sua barraca no campo de Arbat, o diretor Mudhafer Abdul Nari prepara-se para supervisionar as aulas para centenas de estudantes. Levas de árabes iraquianos buscam refúgio no Curdistão. “Os curdos nos protegem. Nos sentimos em segurança”, diz ele.

Antes de o Estado Islâmico (Isis, na sigla em inglês) irromper no Iraque, Sharbarzheri andava insatisfeito, arrastava-se nos estudos de engenharia. Dormia tarde. Não estudava o suficiente. Bocejava diante de equações e estatísticas. A música era seu amor, e o oud, um parente do alaúde de braço delgado e caixa bojuda, seu instrumento. Às vezes, ele praticava as escalas clássicas do Oriente Médio, maqams, por dez, 14 horas seguidas. Só largava o instrumento para acender outro cigarro ou pegar uma xícara de chá.

 NG - O prefeito interino de Jalawla percorre a sua cidade em ruínas, próximo à fronteira iraniana, onde os peshmerga lutam contra as forças do Isis O prefeito interino de Jalawla percorre a sua cidade em ruínas, próximo à fronteira iraniana, onde os peshmerga lutam contra as forças do Isis. Os militantes foram rechaçados, mas os moradores não podem retornar enquanto as minas não forem removidas.

Sharbarzheri tocava em público, participava de clubes de músicos, sonhava em gravar. Mas a indústria musical do Curdistão iraquiano é pequena mesmo em tempos prósperos; assim, o pai dele, que é professor, por muito tempo recomendou a Sharbarzheri uma profissão mais prática – construir pontes, por exemplo. O garoto sentia-se amarrado. A economia iraquiana estava ruindo, nada parecia promissor. Outro jovem qualquer poderia ter baixado a cabeça e comentado eraadat Allah (“é o que Deus quer”). Mas Sharbarzheri, ateu convicto, opunha-se a todo tipo de fanático religioso. Até aquela semana de junho de 2014, vontade divina, para ele, significava menos que dever escolar esquecido.

 NG - Masoud Barzani, presidente do Governo Regional do Curdistão, passa em revista as cadetes de uma academia militar em Zakho Masoud Barzani, presidente do Governo Regional do Curdistão, passa em revista as cadetes de uma academia militar em Zakho. O Curdistão faz parte do Iraque, mas possui Parlamento e Forças Armadas próprias, que incluem centenas de mulheres peshmerga.

Mas eis que chega o autoproclamado exército de Deus, incendiando e matando sob uma bandeira negra, e de repente fornece um propósito a Sharbarzheri. Na guerra, ele encontrou uma clareza que só conhecera na música. Cada escolha era uma nota: se as unisse bem, ele poderia compor a partitura da sua vida. Sharbarzheri não possuía arma; vendeu seu amado oud para comprar um fuzil AK-47. Não era treinado; por isso, procuraria juntar-se a combatentes experientes. Não tinha namorada; portanto, não havia ninguém para impedi-lo. Seus pais, se soubessem, teriam tentado. Argumentariam, chorariam, suplicariam para que não fosse. Mas há certas coisas que um homem tem de fazer, e costumam ser aquelas que ele não conta para a mãe.

 NG - Em uma barreira próxima ao sul de Kirkuk, uma árabe suplica a soldados peshmerga que deixem sua família entrar em território curdo Em uma barreira próxima ao sul de Kirkuk, uma árabe suplica a soldados peshmerga que deixem sua família entrar em território curdo. Nos últimos dois anos, o Curdistão absorveu mais de 1 milhão de pessoas, suscitando um clamor por limites à imigração.

Curdistão, o outro Iraque

A MAIORIA DOS JOVENS CURDOS não pressentia outra guerra. Pelo menos, não provocada pelo Estado Islâmico. Alguns anos antes, o Curdistão iraquiano vinha prosperando. Em 2003, os americanos tinham deposto Hussein, o mais odiado inimigo dos curdos, abrindo o caminho para que esse povo estabelecesse o controle de seu território montanhoso do tamanho da Suíça. Embora permanecessem como parte do Iraque, basicamente eles criaram um protoestado. Logo investimentos, desenvolvimento e um otimismo movido a petróleo (o Curdistão possui vastas jazidas) começaram a transformar a região. Arranha-céus subiram em Slemani, a “Paris do Curdistão”, e em Hewler, a capital curda (chamada de Erbil em árabe), acompanhados de shopping centers, revendedoras de carros de luxo e gelaterias. Surgiram universidades. Instituiu-se uma espécie de sistema de assistência médica universal. Marqueteiros até criaram um slogan para atrair turistas e homens de negócio: “Curdistão, o outro Iraque”. E, enquanto as áreas árabes do país convulsionavam, cerca de 5 milhões de curdos ingressaram naqueles anos no período a que muitos chamaram de era dourada. Foi nesse tempo livre do medo e alimentado por promessas que Botan Sharbarzheri chegou à maioridade. “Tudo parecia possível”, me conta ele. “Ao menos por algum tempo. A gente via tanta coisa acontecendo. Eu era só um garoto, mas percebia. Meus pais se sentiam aliviados.”

 NG - Na balada, brindes de cerveja no Bar 52, casa noturna preferida por estrangeiros em Hewler, a capital do Curdistão Na balada, brindes de cerveja no Bar 52, casa noturna preferida por estrangeiros em Hewler, a capital do Curdistão. A cidade beneficiouse de um boom do petróleo há alguns anos e atraiu forasteiros. Agora alguns moradores reclamam da profusão de bares e clubes.

Conheci Sharbarzheri no começo de 2015, em um café de Slemani, onde retomou os estudos. Ele é bem-apessoado, de baixa estatura e costuma usar um cavanhaque ralo. Vem até a nossa mesa mancando ligeiramente. Levou um tiro meses antes, durante uma investida em batalha – a bala atravessou sua panturrilha. Muitos ali no café já conhecem a história. Rapazes levantam-se para cumprimentá-lo. Moças observam e cochicham. Na cultura curda há poucas marcas de honra maiores. “Acho estranho não precisar mais esperar em filas”, diz o veterano. Mas cora e muda de assunto. Ele está fazendo exames para as aulas que perdeu durante a convalescença. Não está indo bem. “Tenho dificuldade para me concentrar nisso.” Enquanto fala, manuseia um cordão tradicional de contas de oração, mas garante que elas não têm nenhum significado sagrado. “Engenharia… É uma chatice.”

Mesmo com as linhas de batalha a menos de três horas, os curdos mantêm a tradição dos piqueniques – Foto: Yuri Kozyrev

Sharbarzheri é como a maioria dos curdos iraquianos: tem menos de 30 anos e, em geral, esperança no futuro, ainda que ela esteja em abrupto declínio. Para ele e muitos de seus pares, o mundo encolheu, empobreceu de perspectivas. O Isis é perigoso, mas os militantes são uma ameaça externa. Há ameaças mais próximas.

Guerra civil

Internamente, partidos políticos curdos, que nos anos 1990 se engalfinharam numa cruenta guerra civil, brigam há tempos por poder e dinheiro. As relações com Bagdá, dominada pelos árabes, que nunca foram sólidas, deterioraram-se, e líderes árabes na capital iraquiana não liberam a parte do orçamento federal devida ao Curdistão como retaliação por uma disputa por receitas do petróleo. A euforia da chamada “década de ouro” esvai-se. Sharbarzheri não vê sentido nas aulas enfadonhas quando o Isis pode vir e arruinar tudo. Ou quando o Estado iraquiano – corrupto, ineficiente e cambaleante – pode desabar como uma casa condenada. “Seria melhor morrermos todos do que ter de viver assim por muito mais tempo”, reconhece ele.

 NG - O homem faz uma pausa para as orações da tarde durante um passeio no Lago Dukan, local de férias no Curdistão O homem faz uma pausa para as orações da tarde durante um passeio no Lago Dukan, local de férias no Curdistão. A maioria dos curdos iraquianos é muçulmana sunita e conserva cultura e língua distintas das de seus vizinhos árabes, persas e turcos.

Esse é um modo de se expressar tipicamente curdo. Com certeza, a maioria dos homens no café concordaria, e provavelmente também muitas das mulheres, todas elas de jeans justos e maquiagem exuberante, cantando e batendo palmas em volta de um grande bolo de aniversário branco. Afinal, como é que um jovem que sentiu o gosto da liberdade suporta perdê-la? Sharbarzheri, por isso, decidiu que voltará para a frente de batalha assim que possível. “No Curdistão, estamos congelados”, diz ele, pegando o maço de cigarros. “Ninguém sabe o que fazer. Por isso, continuarei lutando.”

Cultura Curda

OS CURDOS TÊM CULTURA e língua próprias, mas, com exceção de alguns poucos momentos históricos de soberania, sempre viveram à sombra e sob o controle de uma cultura maior – persa, árabe, otomana, turca. Estima-se que atualmente 25 milhões de curdos vivam na Síria, no Iraque, na Turquia e no Irã (o tamanho real da população é desconhecido), e muitos acham que eles são o maior grupo étnico do mundo sem país próprio. Pode ser verdade, mas isso subentende uma unidade. E ela não existe.

Nas diversas regiões, os curdos falam dialetos distintos e apoiam partidos políticos de alcance local – em geral, conflituosos. Por isso, mesmo se tivessem oportunidade, provavelmente não tentariam esculpir um Estado curdo maior juntando essas várias terras. Um dos problemas é que, por toda parte, os curdos se sentem em inferioridade, e muitos ainda se deixam cegar pela trágica beleza de suas histórias.

Entre os grupos curdos, os do Iraque são os que estão mais próximos da independência. Possuem Parlamento e presidente, oleodutos próprios e uma força militar chamada peshmerga, que significa, em tradução livre, “os que defrontam a morte”. Continuar sendo parte do Iraque pareceu ser, por muito tempo, um mal necessário – mais uma condição imposta pelo Ocidente, pelos americanos, que um desejo dos curdos. De tempos em tempos, desde a queda de Saddam Hussein, o governo curdo insinua que talvez se separe do Iraque, e isso enfurece seus vizinhos poderosos, Turquia e Irã, além dos árabes iraquianos do sul. Mas os líderes curdos sempre recuam e frustram muitos cidadãos, todos sonhadores, que prefeririam um Estado próprio a ter, digamos, paz ou uma economia viável. Há vários anos governos ocidentais vêm deixando para os curdos da Síria e do Iraque o grosso do trabalho de combater o Estado Islâmico em campo aberto. Muitos curdos gostariam de ver esse esforço reconhecido. Diriam que já adquiriram o direito à independência.

Ao sul de Kirkuk, soldados curdos peshmerga jogam vôlei próximo às linhas de frente. Quando combatentes do Isis, entre os quais ex-oficiais do Exército iraquiano, capturaram cidades do Iraque em 2014, os peshmerga eram uma das únicas forças capazes de detê-los – Foto: Yuri Kozyrev

Perdi a conta das vezes em que entrei em um táxi e ouvi o motorista declarar sua independência pessoal e afinidade com Estados Unidos e Israel – um Estado que numerosos curdos estimam por ser pequeno, irredutível e cercado de inimigos, exatamente como eles.

“Estados Unidos, Israel, Curdistão!”, me diz um desses taxistas curdos. Ele a seguir mostra três dedos, depois os recolhe em um punho fechado. “Juntos, podemos vencer!” “Vencer o quê?”, pergunto. “Tudo! Especialmente os árabes.” Seu sorriso é glorioso.

O sujeito me conta que lutou contra Saddam Hussein na resistência curda. Não vê diferença entre aquele inimigo e o Isis, que, segundo dizem, inclui ex-oficiais do ex-ditador iraquiano. “Mesma coisa, mesma coisa”, continua ele, esfregando a palma das mãos. Pisa fundo no acelerador e aumenta o volume da música folclórica patriótica. Nosso pequeno Estado dentro de um sedan risca a imensa penumbra azulada.

Estado Islâmico

MAIS OU MENOS na mesma época em que Botan Sharbarzheri parou de estudar e escolheu a guerra, outro jovem iraquiano juntou-se ao Isis. Sami Hussein tinha 21 ou 22 anos e vivia em Kirkuk, uma cidade a menos de duas horas ao sul da universidade de Sharbarzheri, vizinha de Baba Gurgur, uma importante reserva petrolífera. Ele era um rapazinho árabe magricela, com uma penugem fazendo as vezes de barba, impressionável como Sharbarzheri – e tanto um quanto o outro se ressentiriam se me ouvissem dizer isso. A conversão de Hussein ao Islã militante talvez tenha começado com sussurros de um clérigo local. Quem sabe até, por algum tempo, ele tenha resistido à sedução da bandeira negra. Mas quase não há dúvida de que não tinha esperanças para o futuro. A década de ouro dos curdos pode estar tisnada, mas a maioria dos árabes iraquianos nunca vivenciou nada parecido com aquele florescimento dos anos que se seguiram à invasão americana. Em muitos lugares, suas vidas tinham sido bem piores.

Quando o conheci, na primavera passada, logo depois de ter sido preso e pouco antes de ele desaparecer misteriosamente, Hussein disse que se juntara aos militantes do Isis porque acreditava que o Islã estava sendo atacado. Fora aliciado por propaganda no Facebook e em outras redes sociais, e pelos sermões de clérigos radicais. Como Sharbarzheri, ele queria aventura com propósito. E sabia que acabaria combatendo curdos e conterrâneos árabes.

Em contraste com o ateu Sharbarzheri, Hussein considerou sua escolha uma revelação da vontade de Deus, ao menos no início. Também é verdade que ninguém pode ser atraído para o grupo sem ser seduzido pela matança. Não existe Isis sem assassinato, ruína, estupro e tortura. Sem um Deus iracundo e implacável. Portanto, um jovem foi defender, o outro veio destruir.

Ao partir para a batalha, Sami Hussein aparentemente também decidiu não contar à sua mãe. Foi preso meses depois, quando veio vê-la.

Kirkuk

KIRKUK, COM SEUS tórridos bairros de curdos, árabes, turcos – e sunitas, xiitas e cristãos –, é o Iraque em miniatura. Séculos de diversidade, amor, beleza e velhos rancores destilaram-se naquelas planícies escaldantes, em que trigais margeiam campos de petróleo. Em junho de 2014, o Exército iraquiano abandonou a cidade, possível última morada do profeta Daniel do Antigo Testamento, antes de um ataque do Estado Islâmico.

Para os curdos, parecia ser o destino: acreditavam, havia tempo, que Kirkuk era deles por direito, e durante anos Saddam Hussein tentara expulsá-los com violência. Naquele junho, para reaver seu Estado ancestral, os curdos só precisavam manter o Isis fora dali. Por isso, seus empolgados soldados afluíram a Kirkuk e ocuparam o vazio deixado pelas forças iraquianas.

Não seria fácil, porém. A velocidade da invasão do Isis era avassaladora. As forças de segurança dos curdos, inicialmente, eram reduzidas, mal equipadas e lentas para se adaptar ao ágil inimigo. Combatentes radicais alojaram-se a leste e a norte, capturaram a segunda maior cidade iraquiana, Mosul, e mataram mais de mil civis. Logo morderam um naco do território curdo e chegaram a uma manhã de distância da capital curda, Hewler, e das imediações de Kirkuk.

Os curdos com recursos prepararam-se para fugir. Os sem meios imaginaram o horror iminente. Mas soldados e voluntários, bravos e desorganizados, se lançaram de encontro à onda militante. Aos poucos, montaram defesas esparsas em uma linha de frente arqueada por centenas de quilômetros na fronteira curda, desde os limites iraquianos a sudoeste até as divisas síria e turca a noroeste. Depois, alguns combatentes peshmerga chegaram ao campo de batalha de táxi, tênis e trajes camuflados mal combinados, portando fuzis velhos e falhos. Entre os que acorreram estava Botan Sharbarzheri.

Na época em que ele seguiu para Kirkuk à frente de seus voluntários em idade universitária, países ocidentais apoiavam as forças curdas com aviões de guerra. Essa cobertura permitiu aos curdos deter o avanço dos invasores do Isis e, em alguns lugares, começar a repeli-los. Kirkuk estava salva, por ora, e os curdos tornaram-se uma das poucas forças capazes de resistir ao Isis.

Em uma barreira próxima ao sul de Kirkuk, uma árabe suplica a soldados peshmerga que deixem sua família entrar em território curdo. Nos últimos dois anos, o Curdistão absorveu mais de 1 milhão de pessoas, suscitando um clamor por limites à imigração – Foto: Yuri Kozyrev

Mas os combates ainda ferviam, fora da cidade, em pequenas povoações dilapidadas, habitadas sobretudo por árabes. A unidade de Sharbarzheri fora treinada às pressas e, quase sempre, mantida longe do combate de verdade. Um tiroteio aqui, algumas selfies ao lado de inimigos mortos ali. Os jovens de sua unidade dizem que se contentavam em cozinhar, lavar roupa, fazer qualquer coisa por seus companheiros combatentes, e era verdade – embora muitos também sonhassem em mostrar seu valor com mais do que mera roupa lavada.

A chance de Sharbarzheri chegou durante uma caótica viagem de carro a um vilarejo chamado Saiyid Khalaf, a sudoeste de Kirkuk. Sua unidade estava na retaguarda do grupo principal dos peshmerga, que seguia devagar em direção a posições do Isis. Um comandante ordenou que avançassem, e Sharbarzheri, atordoado, empunhando o fuzil que comprara com seu oud, desembestou atrás de um caminhão blindado.

Agora ele estava, de fato, no front do conflito. Um combatente do Estado Islâmico começou a atirar por baixo do caminhão, mirando as pernas dos atacantes curdos. Uma bala atravessou a panturrilha de Sharbarzheri e se cravou na perna de outro peshmerga que vinha atrás, estraçalhando o osso. Os dois caíram, e o atirador poderia ter disparado de novo para matá-los, mas sua atenção se voltou para outros alvos. Sharbarzheri tentou se levantar e não conseguiu. Foi arrastado às pressas para uma ambulância, e logo os curdos bateram em retirada.

Ele resistiu bem ao ferimento. Os pais foram visitá-lo no hospital. Sua mãe chorou. Seu pai, de tão zangado, não conseguia falar. Arriscar tudo, pelo quê? Por bravura? Por patriotismo? Por um país que nem sequer era país?

Mais tarde, o pai, Mohammed, me confidenciou que, mesmo enfurecido no hospital, se sentia cheio de orgulho do filho. O homem reconhecia a bravura do jovem. Conversamos durante um piquenique na casa da família, nas montanhas do leste do Curdistão. Cai a noite. Morcegos esvoaçam acima de um cobertor onde estão servidos um assado de carneiro, charutinhos de folha de uva e pães naan frescos. “Todos lutaríamos pelo Curdistão, mesmo que nem sempre acreditemos nele”, comenta Mohammed.

NO DIA EM QUE SHARBARZHERI foi baleado, Sami Hussein, o árabe que decidiu entrar para o Estado Islâmico, estava na mesma área. Possivelmente no mesmo campo de batalha.

Encontro-o alguns meses depois, na manhã seguinte à sua captura durante uma batida policial em Kirkuk que deteve também mais meia dúzia de rapazes. Em um recinto da polícia perto do Centro da cidade, Hussein foi posto em uma sala de espera estreita, ladeada de sofás. O ar tem aroma de colônia e ranço de cigarro. Ele chega descalço e carrancudo, de ombros caídos, camisa xadrez cinza e amarela e calça de agasalho esportiva.

Um policial coloca uma mesa de plástico diante dele, com um copo d’água. Hussein parece ileso. Tem um dos polegares manchado da tinta usada para assinar a confissão. Um detetive à paisana conduz Hussein por uma lista de perguntas, muitas das quais ele já havia respondido durante as horas de interrogatório. Por que afinal entrou para o Isis? Há muitos estrangeiros entre vocês? O que fazem com as moças yazidi que capturam?

Essa pergunta refere-se ao brutal tratamento dado pelo Isis aos membros de um pequeno grupo étnico e religioso curdo não muçulmano, cujo destino nas mãos dos militantes horroriza o mundo. O detetive a faz por minha causa para lembrar ao americano observador o terror que agora os iraquianos têm de enfrentar sozinhos. “Os combatentes pegam as yazidi e fazem o que bem entendem”, confessa Hussein.

Menina observa filha (à esquerda), mãe (no centro) e cunhada sendo fotografadas com o rosto oculto. São mulheres yazidi, uma minoria étnica curda. A filha e a cunhada contam que foram forçadas a se casar com combatentes do Isis, depois fugiram para um campo de refugiados no Curdistão. Para escapar, a filha pulou de uma janela no segundo andar. “Não achava que iria sobreviver”, diz ela – Foto: Yuri Kozyrev

Ele me conta que se arrependeu de entrar para o grupo, que as promessas de glória e verdade islâmica eram vazias. “Eles não são muçulmanos”, comenta, fitando o chão.

Se nossos papéis fossem invertidos, Hussein talvez gostasse de me ver decapitado. Poderia tratar disso pessoalmente. Mas agora é um garoto atordoado, cansado, descalço. Logo o comandante de polícia, um general curdo chamado Sarhad Qadir, me escolta até um pequeno jardim onde o resto de suas capturas da noite está ajoelhado na grama verde viçosa. Estão algemados e de olhos vendados. “O que vai acontecer com eles?”, pergunto ao militar. “Vão para a prisão”, me responde vagamente, abanando a mão. “O que acontecerá depois não me diz respeito.”

Um rumor persistente e difícil de ignorar diz que os curdos e árabes costumam executar seus prisioneiros do Isis. Pergunto ao meu tradutor sobre isso quando saímos da delegacia. “O que vai acontecer com o garoto?” A resposta não tem firulas. “Será executado, é claro.” “Como você sabe?”, replico. “Que interessa, cara? Ele é Isis.” Na verdade, penso na mãe de Hussein, e me pergunto se ela verá o filho de novo.

POR ALGUMAS SEMANAS, tento descobrir, em vão, o paradeiro de Sami Hussein. Pergunto a policiais, comandantes peshmerga, políticos, advogados e até ao primeiro-ministro curdo. Ninguém pode – ou quer – me dar alguma pista.

Por algum tempo, fico obcecado por esse caso. Não é exatamente simpatia, algo difícil de sentir por um voluntário do Estado Islâmico. Há um sentido jornalístico urgente nisso tudo. É que a história de Hussein contém todos os problemas que assolam o Curdistão, o Iraque, o Oriente Médio: as questões de como construir e se tornar um país viável, com o apoio dos vizinhos, e impedir que os conterrâneos, sejam eles quem forem, decaiam, virem inimigos e ataquem.

Hussein, na verdade, é apenas um das dezenas de milhares que afluíram para o Isis. Já que não consigo encontrá-lo, procuro outros. Muitos combatentes do grupo no Iraque são cidadãos iraquianos aliciados ou alistados à força em território dominado. A maioria é árabe sunita, mas jovens curdos também aderiram.

Na cidade de Qeladize, um homem chamado Salah Rashid me conta que Hemin, seu cunhado de 18 anos, entrou para o Estado Islâmico em 2014. O rapaz vivia sem rumo, não se beneficiava da década de ouro do Curdistão, incapaz de encontrar um trabalho fixo. Foi sendo lentamente radicalizado por um imame local, também curdo, que o instruía sobre guerra santa, martírio e paraíso. Hemin e vários outros foram para a Síria pôr em prática aqueles sermões, esperando combater as forças do ditador Bashar al Assad. Mas líderes do Isis logo ordenaram que Hemin e seus amigos voltassem ao Iraque para lutar contra o seu próprio povo.

Rashid rastreou os movimentos do cunhado por chamadas telefônicas e pelo Facebook e concluiu que Hemin estava insatisfeito. Não se alistara para lutar contra os curdos e já não parecia acreditar na propaganda do Isis. Hemin foi morto em outubro de 2014, na cidade de Sinjar, recapturada por forças peshmerga em fins de 2015. Disseram a Rashid que Hemin morrera em combate, mas ele não acredita. “Achamos que ele iria deixar o Daesh”, explica Rashid, referindo-se ao grupo com o nome comumente usado pelos árabes. “Não houve nenhum combate em Sinjar no dia em que ele morreu. Acho que ele queria voltar para casa, então o mataram.”

Rashid implorou aos comandantes do Isis que lhe entregassem o corpo de Hemim. Recusaram, e só restou à família remoer pensamentos diante de um punhado de suas últimas fotografias no Facebook: um rapaz atarracado, com um meio sorriso, num traje camuflado emprestado. “Hemin era uma criança grande”, conta Rashid. “Muitos rapazes entram para o Daesh não porque são extremistas, mas porque não se encontraram. Eu me sinto culpado por não ter cuidado melhor dele. Eu podia ter feito mais. Sabe Deus o que lhe acontecerá agora.” Rashid está falando sobre a vida após a morte, em que garante que Hemin não encontrará o paraíso.

 Peshmerga voltando da linha de frente aguardam uma carona na periferia de Hewler

Peshmerga voltando da linha de frente aguardam uma carona na periferia de Hewler. Atrás deles, a silhueta de prédios inacabados fala de uma era mais esperançosa. “Não somos pagos há meses”, diz um soldado. “Não faz mal. Todos morreríamos pelo Curdistão.”

No caminho de volta a Slemani, penso em Sami Hussein. Na melhor das hipóteses, ele está trancado em uma cela. Possivelmente contando quantos dias ainda tem de vida. Na semana seguinte, mostro a Botan Sharbarzheri uma foto que tirei de Hussein. Ele pega meu iPhone e fita o voluntário do Isis. “Odeio esse cara”, diz Sharbarzheri. “Ele me faz pensar em vingança. Eu vou me vingar. Pelo que me fizeram e pelo que fizeram a todos nós. Prometo.”

É um modo tipicamente curdo de se expressar.

DURANTE A MINHA ÚLTIMA VISITA ao Curdistão iraquiano, em outubro, volto a procurar por Hussein. O general que o prendeu não se recorda do nome, e o Judiciário iraquiano permanece opaco como sempre. Penso em simplesmente bater de porta em porta nos bairros árabes de Kirkuk e mostrar a foto dele, mas é um plano arriscado, e meu tradutor alerta que podemos pôr em perigo qualquer um que fale conosco. Assim, Hussein desapareceu, ao menos para mim. Mais um fantasma entre os milhares perdidos no Iraque nos últimos dez, nos últimos 50 anos.

Fora da linha de frente, meus amigos curdos ficaram todos mais desalentados, taciturnos. Os peshmerga continuam a rechaçar o Estado Islâmico em vários locais, mas em outras partes do país o Exército iraquiano soçobrou. Cidades importantes, como Mosul e Ramadi, ainda fumegam nas garras do inimigo, e a economia do Iraque (e, com ela, a curda) segue aos trancos e barrancos, tolhida pelos baixos preços do petróleo e pelos longos anos de guerra. A nação ensanguentada não parece mais próxima da harmonização, e no Curdistão velhas feridas machucam, enquanto as novas se agravam.

Em várias cidades e vilarejos curdos, protestos irrompem naquele mês. Muitos deles são pacíficos – o dos professores, por exemplo, que exigem salários devidos há meses. Mas outros manifestantes pedem reforma política, e alguns dos protestos acabam sendo violentos, mortais até. Em Slemani, policiais de preto com farda e equipamento de tropa de choque cercam o bazar central, e unidades peshmerga são chamadas da frente de batalha para manter a ordem. À noite, comboios militares serpenteiam pela cidade.

Sharbarzheri, por sua vez, permanece otimista, apesar dos tumultos. Voltou recentemente a estudar em tempo integral e trocou a sua área – de engenharia para estudos internacionais. Alguém lhe deu um novo oud, mais bonito que o anterior e, embora, ele ainda tenha um AK- 47 em seu quarto, meio esquecido, enfiado num armário junto com cobertores, não pensa mais em voltar para a guerra. “A política é o único modo de fazer mudanças”, me diz ele. Devo ter rido, porque, de repente, Sharbarzheri fica muito sério. “É verdade mesmo”, insiste ele. “No Curdistão, não se pode fazer nada fora dos partidos políticos. Por isso, essa é minha próxima luta.”

Caminhamos conversando pela Rua Salim em Slemani, onde quase toda a noite de tempo bom as ruas transbordam de jovens curdos, a maioria homens, que passeiam, bebem chá, conversam, jogam sinuca, comem, riem e trocam mensagens de texto no telefone até o dia amanhecer.

Hoje, porém, as ruas estão estranhamente quietas. Homens empurram carroças carregadas de romãs, à procura de clientes. Noto o guincho das rodas, um miado de gato. Não há multidão se acotovelando nem nuvens de fumaça de cigarro. Pergunto a Sharbarzheri o que será que está havendo. Ele acha que pode ser o tempo ou alguma partida de futebol na televisão.

“Muitos se foram”, diz, e penso que ele se refere a ir para casa. “Não, para a Europa. Viraram refugiados. Vão para a Turquia, tentam entrar na Grécia ou em outro lugar. Depois, Alemanha. Todos querem partir.” Questiono o motivo. “Eles pensam que o Iraque está tawaw, ‘liquidado’. Não acreditam mais no Curdistão. Com o Isis, com essa porcaria de economia, não veem oportunidades. Conheço um monte de gente que se foi.”

Imagino os campos superlotados, o caos na Europa com torrentes de novos imigrantes tentando entrar. Muitos curdos, se sobreviverem à jornada, se juntarão aos parentes que já vivem no Velho Continente. O êxodo começou anos atrás. Está se acelerando. “E você vai ficar?”, pergunto. Sharbarzheri sorri. “Sim. Sou desse tipo de curdo. Não vou embora nunca.”

Foto: Yuri Kozyrev

Por dentro da cidade proibida da China

Pela primeira vez em mais de um século a cidade proibida da China abre as portas. O palácio foi lar dos imperadores chineses durante a dinastia Ming. É uma magnífica amostra de toda a arte e arquitetura do país que é belíssima e rica em detalhes.

O jardim secreto deste palácio ficou lacrado desde 1924. E esta é a primeira vez que ele é aberto ao público. A visita faz parte do Projeto de Conservação Qianlong Garden, que restaura o espaço construído pelo último imperador residente durante a sua aposentadoria. E está intacto até hoje.

Lá é possível observar marchetaria bambu, pinturas de seda, esculturas de jade e arte de vidro do século 18. Mas vamos ter que esperar até 2020 pela abertura. Enquanto isso dá só uma epiadinha nas fotos abaixo:

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Todas as fotos: Divulgação

Drinques com obras de Dalí, Mondrian e Van Gogh são de cair o queixo

Foi-se o tempo em que os grandes bartenders “só” sabiam misturar as quantidades certas de cada bebida e os copos certos para servir cada drinque. Hoje, há alguns que podem ser chamados de artistas do bar. E Rajendra Limbu com certeza é um deles.

Ele trabalha num hotel de Hong Kong, cidade que vai receber a feira Art Basel. Com o tema em mente, Limbu criou drinques maravilhosos baseados nas obras A Persistência da Memória, de Salvador Dalí, Tableau 1, de Piet Mondrian e A Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh.

Ao que parece, eles só estarão no cardápio durante a semana de realização da feira, mas podem servir de inspiração para outros profissionais criarem suas obras. Dá vontade de beber todos…

Dalí – A Persistência da Memória

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Mondrian – Tableau 1

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Van Gogh – A Noite Estrelada

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Imagens: Reprodução