Mudar de vida para tentar transformar o mundo em um lugar melhor

Qual é o seu propósito? Quais são suas paixões? E as insatisfações? Você está fazendo algo para mudá-las? Qual o seu maior sonho? E a sua maior virtude? Quem é você e qual é o legado que você quer deixar para o mundo? Essas foram algumas das perguntas que nos fizemos por diversas vezes antes de sair em busca das respostas.Etão conheça a história de Felipe e Gabriele, que criou o incrível projeto Think Twice Brasil. Vem descobrir como e porquê:

Eu, Gabriele, tenho 28 anos e nos últimos dez trabalhei como advogada em um escritório de São Paulo. O Felipe tem 31 anos e, pelo mesmo tempo, trabalhou na área de marketing de uma grande empresa de bens de consumo.

Nos conhecemos em maio de 2013, justamente quando aquelas questões do primeiro parágrafo vieram à tona e martelavam dia após dia na nossa cabeça. Não por acaso, esse encontro se deu durante o Usina de Ideias, um curso de negócios sociais. Papo vai, papo vem e algumas piadinhas depois (bobas, mas engraçadíssimas), começamos a namorar e, juntos, caminhar em busca das respostas que tanto nos intrigavam.

Estabelecemos algumas premissas para nortear essa busca. A principal delas era o fato de desejarmos mudar de carreira. Queremos nos tornar empreendedores sociais e dedicar nosso trabalho, em tempo integral, para pensar, criar, compartilhar e implementar ideias e projetos que reduzam a pobreza e melhorem significativamente a vida de quem não tem muitas oportunidades de escolha.

Isso porque tivemos a chance de nascer em famílias que nos deram condições financeiras de frequentar boas escolas e cursar uma faculdade. Nada mais justo do que retribuir essa sorte, trabalhando para que cada vez mais pessoas sejam sortudas como nós.

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Outra premissa era aprender na prática aquilo que já estudávamos na teoria. Não se resolve um problema sem antes entender o porquê de ele ter surgido. Além disso, a verdade é que ninguém resolve nada, sem se resolver primeiro.

Praticar a empatia nos colocando nos sapatos das pessoas que serão o foco do nosso trabalho se mostrou ser o melhor caminho para compreender de onde vem a fome, os altos índices de mortalidade infantil, a desigualdade de gênero e tantos outros temas que estão presentes no mundo todo e, em especial, nos países menos desenvolvidos.

Quando esses primeiros passos já estavam claros, nos demos conta que não dava pra aprender e sentir tudo isso sem fazer algumas mudanças. Praticar a empatia da sala do escritório ou do sofá da casa da mãe já era um belo começo, mas para o que a gente queria ainda era pouco.

Foi quando tivemos a ideia do Think Twice Brasil – Empathy Experience, que é uma viagem a países da África e da Ásia em que boa parte da população ainda vive abaixo da linha da pobreza. O plano era sair em busca de inspirações e agentes de transformação que, movidos pelas suas paixões, driblam as dificuldades para encontrar soluções eficazes e capazes de mudar a vida de muita gente.

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Como uma das premissas era praticar a empatia, de cara definimos que essa experiência seria feita da maneira mais simples possível, utilizando apenas transporte público, se hospedando em albergues, vilarejos rurais e nas acomodações oferecidas pelos próprios projetos. Essa foi a maneira que encontramos para nos aproximarmos o máximo possível dessas diferentes realidades e poder sentir na pele como é a vida quando não se tem muitas escolhas.

Para a nossa alegria, depois de alguns meses de pesquisa e cálculos, concluímos que o custo mensal desse projeto seria quase metade daquele que tínhamos levando uma vida normal em São Paulo, pagando as contas básicas, abastecendo o carro e saindo pra se divertir uma vez ou outra.

A partir daí, traçamos o roteiro inicial e mapeamos alguns projetos e organizações que pretendíamos conhecer. Além disso, preparamos uma pesquisa na qual perguntávamos às pessoas de que forma elas gostariam de acompanhar um projeto como o nosso e se elas teriam sugestões e indicações de ONGs ou pessoas inspiradoras que atuassem nos países que visitaríamos.

Recebemos mais de cem respostas com referências e comentários incríveis e percebemos que muito mais gente enxerga o mundo como nós enxergamos. E acredita que ele pode ser muito melhor. Isso reforçou outra premissa que tínhamos: compartilhar os nossos aprendizados, para que cada vez mais pessoas se inspirem a tornarem-se agentes de transformação.

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Pra não sair de mãos abanando, encomendamos fitinhas do Bonfim com o nome do Think Twice Brasil e a bandeira do Brasil gravados. Com o tempo notamos que não haveria lembrança melhor do que esta para distribuirmos por onde passamos. Fazemos questão de contar a todas as pessoas que elas têm direito a três pedidos enquanto amarramos as fitinhas. Esse momento se tornou simbólico por sentirmos que quase sempre as pessoas com quem cruzamos precisam de muito pouco para recuperar a esperança e voltarem a acreditar nos seus sonhos.

Com tudo encaminhado, no começo de 2014 deixamos nossos empregos para planejar os últimos passos e em agosto embarcamos de São Paulo para Johanesburgo. Até agora já passamos pela África do Sul, Botsuana, Namíbia, Angola, Suazilândia, Moçambique, Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia, Burundi, Ruanda, Uganda, Quênia, Etiópia e Omã. Agora estamos no Irã.

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Conhecemos pessoas e projetos incríveis que têm nos dado a certeza de que tem muito mais gente do bem do que podemos imaginar. Como a Dona Monica, na Namíbia, que oferece diariamente em sua casa refeições nutritivas para mais de 500 crianças do bairro. O Osvaldo, em Moçambique, ex-menino de rua que criou um centro de formação para crianças e adolescentes. A Tariro, no Zimbábue, uma menina de 10 anos que caminha diariamente 20 quilômetros para frequentar a escola, já que estudar é a sua única esperança de não ser obrigada pela família a se casar nos próximos três anos.

Já nos hospedamos na casa da família Kasonde, na zona rural da Zâmbia, trabalhamos em uma fazenda orgânica e convivemos com órfãos e viúvas acolhidos pela querida Rose, no interior do Quênia. Já dividimos o “quarto” com ratos, gafanhotos, aranhas e escorpiões. Fora o banho de caneca e xixi no matinho que são as únicas opções quando não há água encanada, nem eletricidade (o que acontece na maioria das vezes). Em Omã pudemos conhecer o outro lado da moeda e comprovar que dinheiro investido com consciência e em favor da população cria quase um paraíso na Terra. Essas e todas as outras experiências que vivemos estão publicadas no site, com bom humor, fotos e vídeos comprovando que enquanto alguns reclamam, outros (muitos!) estão ocupados mudando o mundo.

O plano é voltarmos para o Brasil no segundo semestre deste ano, com energia de sobra pra aplicar tudo o que aprendemos.

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Mas a verdade é que temos aprendido muito mais do que transformação social. Resgatamos valores e virtudes que haviam sido atropelados pela correria de quem vive em São Paulo. Passamos a estar presentes em nossa própria vida, sem investir mais do que o tempo necessário se preocupando com o futuro e relembrando o passado. Descobrimos que generosidade não vem do dinheiro, mas sim do coração. E o nosso parâmetro de felicidade mudou completamente… banho de chuveiro e água quente agora virou motivo de brinde.

Enfim, concluímos que a gente vive com muito mais do que precisa e quando nos damos conta disso, passamos a investir mais no Ser do que no Ter. Afinal, temos que ser a mudança que queremos pro mundo.

E a gente continua nossa busca por essa mudança…

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Todas as fotos © Think Twice Brasil

Você pode acompanhar a aventura de Gabriele e Felipe no site, Facebook ou Instagram do projeto.

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