As mortes desses escritores consagrados foram mais surreais que a própria ficção que criaram

Uma das grandes lutas de um escritor é produzir uma literatura que possa fazer e oferecer sentido ao leitor diante do costumeiro absurdo que muitas vezes a própria vida real é. Superar a realidade não é tarefa para qualquer um com uma pena na mão e uma ideia na cabeça. Mas se tem autores que foram capazes de acrescentar algo ao surreal da própria vida são esses escritores aqui citados.

Ironicamente, porém, o que os une aqui é o fato de que o fim de suas vidas, a morte desses autores, veio de maneira tão bizarra que parece se dar como um ponto final que nos lembra que a loucura da vida real é realmente imbatível – seis casos em que a morte dos autores supera a mais fina ficção.

Edgar Allan Poe (19/01/1809 – 07/09/1849)

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Um dos maiores mestres do horror e do suspense, a morte do autor americano é rodeada de estranhos mistérios, como sua própria obra. Encontrado perambulando por Baltimore intoxicado por drogas e álcool, Poe, segundo seu atestado de óbito, morreu de “congestão cerebral” – seja lá o que isso queira dizer. A hipótese mais aceita, porém, é de que Poe teria sido vítima de um golpe chamado “cooping”, no qual gangues capturavam cidadãos comuns aleatórios e os embebedavam, para depois os obrigar a votar diversas vezes em um mesmo candidato.

Tennessee Williams (26/03/1911 – 25/02/1983)

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A morte do dramaturgo americano, autor das peças Um Bonde Chamado Desejo e Gata em Teto de Zinco Quente foi tão prosaica que parece possuir certa profundidade bruta e secreta, como grande parte da realidade retratada em sua obra: um dos maiores autores de teatro dos EUA em todos os tempos morreu engasgado com uma tampa de colírio. Segundo os médicos que realizaram a autópsia, o excessivo uso de drogas e álcool certamente não ajudo nos reflexos de Tennessee, mas, para ver melhor, ele de fato acabou simplesmente engasgado com uma tampinha.

Ésquilo (552 a.C – 456 a.C)

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Nenhuma morte nessa lista sequer aproxima-se do absoluto acaso e azar que veio a matar o grande dramaturgo grego Ésquilo. Morto em 456 a.C. aos 69 anos, o pai da tragédia grega estava na região da Sicília, na Itália, visitando a cidade de Gela. À época era comum que águias sobrevoassem a região, a procura de caça. Quando pescavam uma tartaruga, as aves costumavam atirar o animal do alto em uma pedra, para que o casco se quebrasse e elas pudessem devorar a carne. Sim, Ésquilo foi confundido com uma rocha e morreu com uma tartaruga atirada em sua cabeça.

Percy Shelley (04/08/1792 – 08/07/1822)

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O bizarro na morte do poeta inglês Percy Shelley (marido de Mary Shelley, autora de Frankenstein) começa com a morte em si mas termina em sua cremação. Percy morreu afogado no mar – o que já seria trágico e inusitado – mas, ao ser cremado, todo seu corpo transformou-se em cinza, menos o seu coração. Mary Shelley recebeu então as cinzas junto com o órgão de seu marido, que vinha se calcificando ao longo do tempo, e por isso resistiu ao fogo.

Mark Twain (30/11/1835 – 21/01/1910)

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A loucura a respeito da morte do autor americano Mark Twain não é exatamente a maneira como veio a falecer, mas sim o fato de que ele previu a própria morte com precisão absoluta. Tendo nascido em 1835, ano da última aparição do cometa Halley no século XIX, o autor de As Aventuras de Tom Sawyer, considerado um dos pais da literatura americana, afirmou em 1909 que gostaria de morrer da mesma forma que nasceu: junto com o cometa, que viria a se aproximar da terra novamente no ano seguinte. Seu pedido foi perfeitamente atendido, e Mark Twain faleceu de um ataque cardíaco em 21 de abril de 1910, exatamente no dia seguinte à passagem do cometa Halley pela terra.

Zelda Fitzgerald 24/07/1900 – 10/03/1948)

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Autora de Este lado do paraíso, Zelda Fitzgerald e seu marido, o também escritor F. Scott Fitzgerald viveram uma intensa vida de álcool, festas, infidelidade e loucura. Vítima evidente da sociedade patriarcal e machista da época, Zelda teve seu sucesso eclipsado pelo sucesso do marido, e acabou por passar a vida inteira entrado e saindo de hospícios, diagnosticada com estados diversos de doenças mentais. Em uma dessas internações, em 1948 – 8 anos depois da morte de Scott -, enquanto esperava por uma sessão de eletrochoque, um incêndio tomou conta do asilo, que acabou por matar a escritora junto com outras nove mulheres internadas.

© imagens: divulgação

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