Clare Hollingworth: a jornalista que deu o furo da Segunda Guerra e faleceu mês semana, aos 105 anos

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A maioria de nós jamais ouviu falar em Clare Hollingworth, e isso diz muito sobre nossa memória e o mundo. Correspondente de guerra, tendo coberto mais de 8 conflitos durante suas muitas décadas de carreira como repórter, Clare não só foi uma pioneira em um mercado até hoje bastante dominado pela presença masculina, como é também detentora de possivelmente o maior furo (quando um jornal publica antes dos demais uma notícia importante) de todo o século 20: foi ela a primeira a reportar que a Segunda Guerra Mundial havia começado, em 1939. Mês passado Clare faleceu, aos 105 anos, como uma heroína do jornalismo e da afirmação feminina.

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Clare tinha 27 anos e trabalhava para o jornal Daily Telegraph, da Inglaterra, quando, enquanto cruzava a fronteira entre a Alemanha e a Polônia dirigindo um carro da diplomacia britânica, viu centenas de tanques, carros blindados e canhões alemães rumando à Polônia, preparados para o combate. Começava a anexação da Polônia à Alemanha e, com isso, a Segunda Guerra Mundial.

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Ela ainda aguardou por três dias em Katowice, cidade polonesa perto da fronteira, até telefonar para a embaixada britânica em Varsóvia para informar que a guerra havia começado. Foi preciso que a repórter colocasse o telefone para fora da janela, a fim de que fosse escutado o som da artilharia e do avanço alemão, para que enfim acreditassem nela. A manchete (que informou o próprio governo polonês de que o país estava em guerra) dizia: “1000 tanques aglomerados na fronteira polonesa. 10 divisões prontas para ataque veloz.”

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Ao longo de sua carreira, Clare noticiou os horrores da Guerra do Vietnã, Argélia, Oriente Médio, Índia, Paquistão e da revolução cultural na China. Quando deu seu maior (e primeiro) furo jornalístico, anunciando o início da segunda grande guerra, ela trabalhava no jornal há apenas uma semana.

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Seu 105º aniversário foi comemorado no último mês de outubro, e a notícia de seu falecimento foi dada através de uma página no Facebook em sua homenagem.

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“Estamos tristes por anunciar que depois de uma carreira ilustre, que abarca um século de notícias, a célebre correspondente de guerra Clare Hollingworth morreu esta noite em Hong Kong”, informou o post.

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O machismo fez do mero desejo de trabalhar de tantas mulheres um gesto corajoso e pioneiro, e foi justo essa coragem que, no caso de Clare, não só salvou a vida de milhares de pessoas, como a tornou um nome iluminado na história de sua profissão.

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© fotos: Facebook

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