Monemvasia

Monemvasia é uma vila, município e unidade municipal do costa sul da Grécia continental. Faz parte da unidade regional da Lacónia e da região do Peloponeso. A unidade municipal, cuja sede é a cidade de Molaoi, situada noutro município, tem 947 km² e em 2001 tinha 23 853 habitantes (densidade: 25,2 hab./km²). No mesmo ano, o município de Monemvasia tinha 4 660 habitantes, dos quais 1 405 residiam na vila.

Geografia

A vila situa-se à beira do mar Egeu, numa pequena ilha ao largo do sudeste do Peloponeso. A ilha está ligada ao continente por um dique com 200 metros de extensão, que a transforma numa península artificial. A maior parte da ilha consiste num planalto com altitude média de cerca de 100 metros, cerca de um quilómetro de comprimento no sentido leste-oeste e uma largura máxima de 300 m. A encosta costeira norte é muito abruta, descendo quase a pique para o mar, enquanto que a encosta sul, onde se encontra a vila tem um declive menos acentuado. A ilha é dominada por uma imponente fortaleza medieval. Outros vestígios medievais são numerosas igrejas bizantinas e as muralhas da vila.

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O nome da vila deriva das palavras gregas Mόνη (mone) e Eμβασία (emvasia), que significam “entrada” ou “embarcadouro único”. O seu nome em italiano, Malvasia, deu nome à casta de uvas Malvasia, disseminada por todo o Mediterrâneo e comum em Portugal, onde é usada, por exemplo, na elaboração de vinho do Porto e da Madeira.

Monemvasia é também chamada de Gibraltar do Oriente e “O Rochedo”, pela semelhança de um grande penedo situado na vila com o Rochedo de Gibraltar. A vila encontra-se numa encosta junto à extremidade sudeste da ilha, a sudeste do rochedo, ocupando uma parte deste, em frente à baía de Palaia Monemvasia.

Além da pequena vila situada situada no local da antiga cidade medieval, existe uma aglomeração urbana, mais moderna, situada no continente, em frente à ilha: o bairro de Géfyra, onde se situa o porto e a maior parte das infraestruturas turísticas. A parte antiga é chamada Kastro (“castelo”), e ela própria também está dividida em duas partes: a “vila alta”, no cimo do rochedo, atualmente abandonada, e a “vila baixa”, situada abaixo. Muitas das suas ruas são muito estreitas e só acessíveis a pé. A noroeste do centro há ainda um pequeno conjunto de dez casas.

História

A localidade e fortaleza foram fundadas em 583 por gentes da Lacónia que procuravam fugiram da invasão da Grécia por Eslavos e Ávaros. A história dessa invasão e ocupação do Peloponeso foi narrada na Crónica de Monemvasia, escrita na Idade Média. No século VIII foi construído um hospital, um centro de luta contra a propagação da peste, que promovia os princípios hipocráticos de higiene.

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A partir do século X, a cidade tornou-se um centro marítimo e mercantil importante. A fortaleza resistiu a tentativas de invasão de Árabes e Normandos em 1147. Nessa época, os campos de trigo cultivados dentro da fortaleza davam para alimentar 30 homens.

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Em 1204, durante invasão do Império Bizantino pelos Cruzados, Monemvasia foi assediada sem sucesso pelos Venezianos. Apesar da maior parte do Peloponeso ter caído nas mãos dos “Latinos”, a cidade permanece bizantina. Guilherme II de Villehardouin, príncipe de Acaia, conquistou-a em 1248, após três anos de cerco. Em 1259, Guilherme foi capturado pelos Bizantinos depois da batalha de Pelagónia e em 1262 Monemvasia foi devolvida a Miguel VIII Paleólogo como parte do resgate de Guilherme.

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O governador imperial e comandante militar bizantino Miguel Cantacuzeno reagrupa de novo os habitantes de Monemvasia, a qual passa a sua capital e uma base de apoio para a reconquista do Peloponeso aos barões francos e para a constituição do despotado grego da Moreia. Além de ser o principal porto de exportação do vinho Malvasia, a cidade é então um porto de abrigo para a marinha genovesa (aliada dos Bizantinos, ao passo que os Venezianos eram aliados dos Francos) e para os corsários de Creta, que atacam os navios latinos.

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Monemvasia, a quem os imperadores concederam valiosos privilégios, torna-se reduto dos corsários mais perigosos do Levante. Isso leva o almirante catalão Rogério de Lauria a saqueá-la em 1292. Em contrapartida, em 1302, a cidade deu as boas vindas aos mercenários da Companhia Catalã que se dirigiam para oriente.

Em 1333, é a vez dos piratas turcos de Umur Beg, emir de Aydin, pilharem a cidade; é a primeira vez que os Turcos aparecem na região. Em 1384, o arconte local Paulo Mamonas opõe-se ao déspota da Moreia, Teodoro I Paleólogo, que pretende entregar a região aos Venezianos. Dez anos mais tarde, em 1394, Mamonas paga tributo ao sultão otomano Bayezid I e em 1397 é deposto por Teodoro. Mamonas apela então a Bayezid, que envia tropas para lhe devolver o poder.

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Em 1419, o rochedo parece ter caído nas mãos dos Venezianos, mas regressou rapidamente à posse do déspota. Cerca de 1401, o historiador Jorge Frantzes nasceu na cidade. Depois da Queda de Constantinopla em 1453, Monemvasia resistiu aos ataques das tropas de Mehmed II em 1458 e 1460, tornando-se o último domínio do déspota da Moreia Tomás Paleólogo, o pretendente ao trono imperial bizantino. Como não tinha forças para defender Monemvasia, ofereceu-a ao sultão mas acabou por vendê-la ao papa.

Em 1464, os habitantes acharam que o representante do papa era fraco e que o papa era incapaz de os proteger, pelo que admitiram uma guarnição veneziana. A cidade foi relativamente próspera sob o domínio veneziano até à paz de 1502-1503, quando perdeu as terras agrícolas que eram a fonte de alimentos e do vinho Malvasia. Os mantimentos tinham que vir por mar ou de terras em mãos dos Turcos, e o cultivo da vinha definhou sob o domínio turco. O rochedo foi mantido pelos Venezianos até ao tratado de 1540, que custou à Sereníssima República Monemvasia e Náuplia, as suas duas última possessões no continente grego. Os habitantes que se recusaram a viver sob o domínio otomano receberam terras noutros lugares. Os Otomanos governaram a cidade até que esta foi novamente ocupado pelos Venezianos entre 1690 e 1715. O segundo período de domínio otomano prolongou-se entre 1715 e 1821.

Sob os Otomanos, a cidade era conhecida como Menekşe (“violeta” em turco) e era o centro dum sandjak (distrito) da província de Mora (nome turco do Peloponeso). A importância comercial de Monemvasia manteve-se até à Revolta de Orlov (1770), durante a guerra russo-turca, durante a qual se assistiu a um severo declínio. A cidade foi libertada do jugo otomano a 23 de julho de 1821 por Tzannetakis Grigorakis e o seu exército privado, que a cercaram durante a Guerra de independência da Grécia.

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A fortaleza não é habitada desde 1920. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi bombardeada por navios alemães, austro-húngaros e turcos. Pela sua importância estratégica, ainda que modesta, Monemvasia foi ocupada por tropas italianas entre junho de 1941 e outubro de 1943. Aos italianos seguiram-se os alemães até outubro de 1944, quando a ilha foi ocupada pelos britânicos, que só a abandonariam em outubro de 1949. Depois de ter estado algo esquecida e isolada durante a década de 1950, nos últimos anos a assistiu-se ao crescimento do turismo. Os edifícios medievais foram restaurados e alguns deles convertidos em hotéis. Devido à maior parte das ruas não estarem adaptadas ao trânsito automóvel, a vila preserva a sua tranquilidade e um carácter muito original. Em 1971 foi construída a estrada que liga a ilha com o continente, quebrando um isolamento de séculos.

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