Empresa vende insetos vivos como alimento para animais exóticos

Para a maioria das pessoas, basta ouvir ou mesmo ler a palavra “barata” para que uma sensação de asco e repúdio lhe tome conta. Pensar em entrar em contato com uma – ou, pior, de fato fazê-lo – é motivo para calafrios, náuseas, arrepios e horror. Insetos são alguns dos seres menos amados e desejados nesse mundo – e ao mesmo tempo são, com larga vantagem, os animais mais numerosos do planeta.

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Nada nessa vida é, no entanto, incontestável, e qualquer verdade absoluta para uns pode ser, para outros, o exato oposto. Se insetos costumam ser para humanos a coisa mais asquerosa do mundo, há animais que os veem como uma iguaria capaz de fazê-los salivar. E mais: há seres humanos que os veem como matéria prima para um lucrativo negócio – esses, ao invés de tentar afastá-los, criam insetos aos montes, para depois vendê-los como alimento para outros animais exóticos.

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Foi isso que reuniu os engenheiros agrícolas Eduardo Matos e João Paulo Ksouri: grilos, tenébrios, e principalmente baratas. Juntos eles fundaram a Safari, empresa que cria e comercializa insetos comestíveis para servirem como alimento de animais exóticos.

A Safari nasceu da própria necessidade de Matos, criador de dois lagartos, duas tartarugas-tigre e mais de 40 peixes, que, diante do desejo de alimenta-los não com ração (mas com a comida que buscariam caso estivessem na natureza), ele percebeu a carência de empresas que oferecessem os insetos.

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O amigo João Paulo se animou com a ideia, e eles então investiram em pesquisa e na criação, para fazer da Safari uma empresa de qualidade diferenciada. Boa parte da grana investida foi para o galpão de criação dos insetos, e para cuidar da parte legal do negócio, totalmente de acordo com as normas do Ministério da Agricultura e o IBAMA. Um terceiro sócio se reuniu aos dois amigos, e mais dois galpões foram construídos.

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Atualmente a Safari vende 50 mil insetos para mais de 30 clientes e, apesar do crescimento do mercado de animais exóticos, os sócios revelam que as dificuldade enfrentadas são quase todas conceituais – primeiro, o preconceito contra os insetos primordialmente, e depois, convencer que a atividade de venda de insetos não só não é criminosa, como não agride o meio ambiente, e são opções mais saudáveis e nutritivas para os animais.

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Os pacotes custam entre R$ 20 e R$ 25, trazendo, por exemplo, 25 grilos ou 150 tenébrios (larvas de besouro). Os insetos produzidos e vendidos pela Safari são recomendados para a alimentação de répteis, anfíbios, peixes e pássaros, mas não somente: certos mamíferos, como macacos, furões e ratos, também salivam só de ver as baratas da Safari.

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O planejamento par 2017 é de triplicar a venda de insetos, que Matos garante que não só suprem os nutrientes das rações vendidas em Pet Shop, como superam em fibras e vitaminas os preparados industrializados, trazendo mais energia para os animais, que se reaproximam com seus instintos e hábitos naturais. A ideia da empresa é que em breve também esteja vendendo os animais como aperitivos exóticos para seres humanos – sim, é isso mesmo: grilos, baratos e larvas como lanchinhos da tarde.

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É incontestável o sentido inovador da proposta da Safari – além de investir em um mercado ao mesmo tempo em crescimento e praticamente não explorado. Foi com essa proposta que a Safari participou do programa Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões, no Canal Sony. Para tentar pescar um dos tubarões-investidores (que compõem a banca responsável por escolher empresas para investirem), os insetos foram servidos como iscas, com tempero de sal e limão.

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O último episódio inédito do programa foi exibido dia 26 de janeiro, mas quem perdeu pode continuar assistindo às reprises dos episódios todas as quintas, às 21h, no Canal Sony – se você é capaz de vender até mesmo baratas, o Shark Tank Brasil é seu lugar.

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© fotos: reprodução

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