10 inventores que se arrependeram de suas maiores criações

Grandes invenções, capazes de transformar o mundo, costumam trazer fama e fortuna para seus inventores, e a garantia de um futuro próspero dentro da área de atuação em questão. Acontece que nem sempre o mundo mudar é uma boa notícia e, ainda que as invenções aqui dispostas tenham trazido todos esses louros aos seus ‘pais’, algumas delas mudaram de tal forma o mundo para pior que, apesar do sucesso, nem mesmo seus inventores as viram posteriormente com bons olhos.

Na maior parte dos casos, é verdade, o propósito original de tais adventos acabou sendo subvertido, na direção de resultados realmente nefastos ou simplesmente pouco práticos, chatos, desagradáveis ou opostos ao seu sentido original. A maioria dos inventores aqui expostos garante que tinham planos diferentes para suas criações dos quais elas acabaram servindo. Assim, selecionamos aqui 1o inventores que se arrependeram publicamente de suas invenções, e pediram desculpas pela forma como mudaram o mundo.

1. Alfred Nobel e a dinamite

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Se hoje o nome Nobel é diretamente ligado ao prêmio que celebra avanços importantes para a humanidade – inclusive o mais célebre de todos, a quem tenha prestado serviços pela paz – , sua origem se deu basicamente pelo enorme sentimento de culpa que tomou conta de Alfred Nobel, depois que enriqueceu por ter inventado a dinamite, em 1867.

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Nobel, em suas memórias, garantiu que seus planos para sua invenção eram o oposto do que acabaram se tornando. No lugar de um intensificador das guerras, ele acreditou que a dinamite poderia acabar com os conflitos. “No dia em que dois exércitos puderem mutuamente aniquilar um ao outro em um segundo, todas as nações civilizadas irão certamente reconhecer o horror e recolher suas tropas”.

Mal sabia ele o que estava por vir. Reconhecido como “mercador da guerra” por enriquecer com os conflitos, Nobel deixou grande parte de sua fortuna para criar o instituto e o prêmio com seu nome.

2. Tim Berners-Lee e a barra dupla nos endereços da internet

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Se hoje a maior parte dos navegadores não exigem que se escreva o http:// nos endereços de internet, antigamente era necessário faze-lo manualmente a cada novo site que se visitava. Digitar os sete caracteres antes de cada busca era nada além de um processo chato – e desnecessário.

Segundo seu próprio inventor, Tim Berners-Lee, ele e sua equipe poderiam simplesmente ter retirado a barra dupla do processo, e a internet teria funcionado igualmente.

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É claro que, de todas as invenções arrependidas, ou mesmo das perdas de tempo que a internet nos trouxe, essa é uma das mais inofensivas da lista – mas não para Berners-Lee, que vê a barra dupla como o grande arrependimento de sua carreira. Assim, em 2009 ele admitiu seu erro, e pediu perdão ao mundo pelo desperdício de esforço manual e intelectual que ele provocou.

3. Robert Oppenheimer, Albert Einstein e a bomba atômica

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Foi J. Robert Oppenheimer, enquanto diretor do laboratório que desenvolveu a bomba atômica, nos EUA, quem assinou sua maldita criação. Ela não seria possível, no entanto, sem o trabalho de Albert Einstein – e ambos arrependeram-se profundamente, plenos de razão, dessa “conquista” – ainda que Einstein de forma muito mais clara e direta que Oppenheimer.

Eu não tenho remorsos sobre a feitura da bomba”, disse Oppenheimer. “Mas eu não sinto que tenha sido usada de forma correta. O ultimato dado ao Japão era cheio de platitudes, e nosso governo deveria ter sido mais frontal e claro em dizer ao mundo o que a bomba significava”, afirmou, um tanto escorregadio diante de talvez a pior invenção da história.

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Einstein não participou do processo de criação da bomba, mas sua famosa fórmula E=mc2 foi o que permitiu que descobrissem como a energia seria liberada em uma explosão atômica.

Por medo de que os nazistas desenvolvessem a tecnologia, ele escreveu ao então presidente americano Franklin Roosevelt incentivado que a bomba fosse feita pelos americanos. Depois da guerra, Einstein afirmou, no entanto, que estava arrependido, e se soubesse que os nazistas não seriam capazes de criar sua própria bomba, jamais teria incentivado o processo.

4. Ethan Zuckerman e os pop-ups

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Ainda que bastante inofensivo, diante dos males do mundo, como a barra dupla, essa invenção de fato é capaz de nos levar à loucura, e atrapalha um bocado a experiência de navegação na internet, hoje tão parte de nossas vidas. Ethan Zuckerman é o nome a se xingar quando um pop-up surgir na tela de seu computador – e ele mesmo admite isso.

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Em um ensaio oportunamente intitulado “O pecado original da internet”, Zuckerman explicou que trabalhava para uma empresa que fornecia sites de graça, e que passou cinco anos desenvolvendo uma maneira de tornar a empresa lucrativa. A solução viria da boa e velha propaganda, e o meio acabou se tornando o pop-up.

Ele garante, no entanto, que a intenção era boa: criar uma maneira de se anunciar nas páginas sem comprometer ou mesmo associar a propaganda ao conteúdo. “Eu escrevi o código para que uma nova página se abrisse, e rodasse um anúncio. Peço desculpas. Nossas intenções eram boas”.

5. Mikhail Kalashnikov e o rifle AK-47

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Criado ao fim da segunda guerra mundial, o AK-47 surgiu da percepção de seu inventor, o russo Mikhail Kalashnikov, dos terríveis ferimentos que os soldados – ele incluído – sofreram durante o conflito. O sofrimento de Kalashnikov – um cristão ortodoxo – começou quando ele teve noção do quanto sua arma passou a ser usada por criminosos, em propósitos nada nobres como a defesa de uma nação.

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Kalashnikov morreu em 2014, a tempo de tomar conhecimento de que sua arma havia matado mais pessoas do que qualquer outra na história. “A dor espiritual é insuportável”, ele escreveu. “Eu sigo diante da mesma questão insolúvel: se meu rifle tirou a vida das pessoas, então não seria eu… um cristão ortodoxo, o culpado por essas mortes?”.

Ainda que a igreja russa o tenha perdoado, considerando que a invenção foi feita para proteger sua terra, Kalashnikov morreu diante de sua questão – e dos assombrosos resultados de sua invenção.

6. Dong Nguyen e o Flappy Bird

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Esse seria um inofensivo caso de sucesso simplesmente, não fosse a consciência do inventor ter falado mais alto, por um motivo ao mesmo tempo nobre (temos que admitir, afinal, que ele tinha uma certa razão) e um tanto cômico. O vietnamita Dong Nguyen criou em 2013 o Flappy Bird, um dos jogos mais baixados da história. 50 milhões de downloads depois – quando Nguyen faturava uma média de 50 mil dólares por dia – ele simplesmente tirou o aplicativo do ar.

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Sua razão foi clara e direta: o jogo era excessivamente viciante, e estava sendo usado demais. Em sua declaração oficial, pelo Twitter, Nguyen arrematou: “Eu não aguento mais”.

Sua decisão, no entanto, não acabou com o fenômeno: além de receber ameaças de morte, Nguyen viu telefones com o aplicativo instalado serem vendidos por pequenas fortunas pela internet. O jogou voltou a ser oferecido pela Amazon Fire, mas não foi relançado em nenhuma outra plataforma.

7. Robert Propst e o cubículo de escritório

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A ideia do escritório do futuro, desenvolvida por Robert Propst, era de retirar as paredes do local de trabalho para, assim, oferecer maior flexibilidade e circulação aos trabalhadores, criando um ambiente fluido. O projeto dos cubículos, conhecido então como Action Office, era interessante, produtivo, e principalmente, mais barato. As empresas aderiram instantaneamente.

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Aos poucos, porém, os espaços foram se transformando em cubículos de fato, transformando os locais em, segundo o próprio Propst, “caixas como labirintos de ratos”. No lugar do espaço fluido e comunitário que ele pensou, o que se viu foi, como ele mesmo chamou, uma “insanidade monolítica”. O escritório do futuro veio – e era bem pior do que ele pensava.

8. Vincent Connare e a fonte Comic Sans

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Criada para substituir a dura e sóbria fonte Times New Roman nos balões de diálogos em um aplicativo infantil, a Comic Sans se tornou uma das fontes mais populares do mundo – e esse foi seu principal problema segundo seu próprio inventor, o designer Vincent Connare.

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E foi ele mesmo quem melhor ofereceu o veredito sobre sua criação: “Se você a ama, você não sabe nada sobre tipografia”, ele disse. Sublinhando, porém, que o problema está no seu uso excessivo, e não propriamente no resultado gráfico – como concordam a maioria dos especialistas – ele seguiu em seu decreto: “Se você a odeia, você também não entende nada de tipografia, e devia procurar outro hobby”.

9. John Sylvan e as cápsulas de café

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Amado e consumido nos quatro cantos do mundo, o café expresso em cápsulas foi inventado por John Sylvan em 1992 como um produto inocente, do qual ele não tinha conhecimento que tomaria o mundo – fisicamente inclusive.

A invenção das cápsulas de café e suas máquinas é uma tragédia ambiental, e só no ano passado foram jogadas ao lixo uma quantidade de cápsulas capaz de dar a volta ao mundo 10 vezes.

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E não para por aí: Sylvan também perde o sono pelo efeito que sua invenção provoca na vida e no corpo de seus milhões de usuários. “É como um cigarro para o café, uma máquina capaz de oferecer uma dose de uma substância viciante”. Ele hoje trabalha em uma empresa de energia solar, a fim de amenizar o impacto de sua principal criação.

10. Anna Jarvis e o Dia das mães

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Arrasada pela morte de sua mãe em 1905, a americana Anna Jarvis decidiu, três anos depois, transformar um memorial em homenagem a sua mãe numa comemoração pela vida de todas as mães. Para tal, ela comprou a flor preferida de sua mãe, e trabalhou para que a festa fosse reconhecida como uma celebração da maternidade.

A criação da data também se deu por Jarvis estar cansada de tantas homenagens públicas aos feitos masculinos, e tão poucas aos esforços e conquistas da mulher.

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Seus esforços, no entanto, deram certo demais para seu gosto por, começando pela indústria de flores, a data ter sido subvertida de seu sentido original, em nome de um propósito promocional e comercial. Jarvis tentou lutar contra a comercialização da data através do registro de sua criação, mas sem sucesso.

Enojada pelo que havia acontecido com sua celebração, ela se referia aos que vendiam cartões e presentes de dia das mães como “charlatões, bandidos, piratas, sequestradores, insetos que usaram sua ganância para destruir um dos movimentos comemorativos mais nobres e verdadeiros”.

© fotos: divulgação

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