O fotógrafo judeu que enterrou fotos de um gueto para que os nazistas não as encontrassem

Até 1939, o polonês Henryk Ross vivia tranquilamente trabalhando como fotojornalista na cidade de Lodz. A vida dele e de outros milhares de judeus mudaria completamente após as tropas de Adolf Hitler tomarem o país e instituírem em Lodz o segundo maior gueto controlado pelos alemães.

Com cerca de 160 mil moradores, o gueto de Lodz só ficava atrás do de Varsóvia, a capital polonesa, em número de habitantes. A princípio, a câmera fotográfica de Henryk foi confiscada pelos oficiais nazistas, mas a habilidade de fotografar viria a se tornar interessante para o regime.

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Cartaz na entrada do gueto avisa: “Judeus – Entrada proibida”

Ross passou a trabalhar tirando fotos para os documentos de identidade dos judeus confinados no gueto, além de ser obrigado a registrar a realidade que os nazistas queriam mostrar ao mundo: os judeus trabalhando e mostrando como o isolamento em Lodz era produtivo.

Apesar de usufruir de privilégios por causa do cargo, Henryk não se sentia confortável e logo passou a arriscar a vida, secretamente registrando o dia a dia do gueto. Graças à ajuda de sua mulher, que ficava de guarda para evitar que ele fosse descoberto, o fotógrafo conseguiu fazer cerca de 6 mil imagens.

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Garoto procurando comida

Em 1944, quando começou a correr a notícia de que Hitler pretendia acabar com o gueto, matando todos os moradores, Henryk decidiu enterrar todas as fotografias e negativos que possuía. A caixa com o material ficou enterrada por sete meses, e, apesar do esforço dele para proteger o conteúdo, quase metade se perdeu por causa da umidade.

Em 1945, quando o exército soviético libertou Lodz da ocupação nazista, Henryk Ross e a esposa estavam entre os menos de mil sobreviventes. Dezenas de milhares de judeus tinham sido levados para serem mortos em campos de concentração nos meses anteriores, ou simplesmente morrido de fome.

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Velhos ou doentes demais para trabalhar, judeus são levados do gueto para campo de concentração

Ross conseguiu desenterrar os registros. “Alguém precisava documentar o nosso martírio”, dizia. As fotografias do polonês ajudaram a condenar, em 1961, Adolf Eichmann, tenente-coronel da SS e um dos principais organizadores do Holocausto. Henryk viveu parte de sua vida em Israel e mais tarde se mudou para o Canadá, onde morou até falecer em 1991. Suas fotografias fazem parte da coleção da Galeria de Arte de Ontário e são um documento importante do horror criado pelo regime nazista.

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Menina na rua, provavelmente vendendo pães

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Grupo deixando o gueto rumo a campo de concentração

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Louça deixada para trás por grupo que foi levado para campo de concentração

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Homem caminha entre os escombros de sinagoga destruída pelos nazistas

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Trabalhador na fábrica de couro

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Prisão dentro do gueto servia como passagem antes da deportação para os campos de concentração

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Famílias deixam Lodz rumo a campo de concentração

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Trabalhadores de padaria

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Doente, homem dorme na rua à espera de ajuda

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Restos mortais de pessoas que morreram em Lodz

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Trabalhadores durante horário de almoço

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Alegria em meio a caos: casamento dentro do gueto

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Cadáver abandonado em Lodz

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Mulheres em meio a escombros de sinagoga destruída pelos alemães

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Garotos carregam pães para distribuição dentro do gueto

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Cadáver sendo transportado

Todas as imagens © Henryk Ross/Galeria de Arte de Ontário fonte

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