Rato gigante que caiu do céu é uma nova espécie

Há mais de 20 anos, os habitantes das Ilhas Salomão contam histórias sobre os ratos gigantes que vivem no alto das árvores.Mas ninguém jamais conseguiu provar que a criatura de fato existe – até novembro de 2015, quando madeireiros cortaram uma árvore de 9 metros na ilha de Vangunu. Com a árvore, caiu também um rato.

Infelizmente, a queda o tirou a vida. Mas, por sorte, o guarda-florestal de uma reserva próxima, Hikuna Judge, testemunhou os últimos momentos do animal.Sabendo que tinha achado algo especial, Judge preservou os restos do roedor e os enviou ao Museu de Queensland, na Austrália.

“Soube imediatamente que era algo novo”, disse o mastozoólogo Tyrone Lavery, bolsista do Museu Queensland e do Museu de Campo de Chicago que busca pelo rato desde 2010.Com quase um quilo e 45 cm de comprimento, o rato-gigante-de-vangunu (Uromys vika) é cerca de 4 vezes maior que os ratos urbanos de esgotos do mundo inteiro.

É a primeira espécie de roedor registrada nas Ilhas Salomão em 80 anos.

Os dentes afiados do rato o permitem abrir as castanhas Canarium (na foto).

Vida nas árvores

Mesmo para uma única espécie, os hábitos do rato gigante surpreenderam os cientistas.

Por exemplo, a cauda longa, sem pelos e escamosa, provavelmente ajuda o roedor a agarrar galhos e navegar pelo dossel florestal. Patas traseiras largas, com solas grandes e garras curvas também devem ser adaptações para a vida em árvores, segundo Lavery, que, junto com Judge, é co-autor do artigo publicado no periódico Journal of Mammology, onde a nova espécie foi descrita.

Como a maioria dos roedores, o rato-gigante-de-vangunu tem incisivos grandes e afiados que usam, aparentemente, para mastigar castanhas Canarium. Os ratos também gostam de cocos, de acordo com os locais de Vangunu.

Ilustração revela o rato gigante recém-encontrado em uma árvore.

Essa área do Pacífico, a Melanésia, abriga uma variedade de espécies de roedores, disse Nathan Whitmore, biólogo da Sociedade para Conservação da Vida Selvagem em Papua Nova-Guiné, que não esteve envolvido no estudo.

“O problema é que eles são cada vez mais difíceis de encontrar”, disse Whitmore em e-mail. “É provável que muitos sejam extintos antes de sabermos que existiram.”

Corrida dos ratos contra a extinção

É por isso que Lavery e Judge foram sortudos em achar o rato de Vangunu – a rápida destruição do seu habitat na floresta pode indicar que o animal está criticamente ameaçado.

Madeireiras já derrubaram 90% das árvores das Ilhas Salomão. Em Vangunu, os ratos estão confinados a um pedaço de floresta de apenas 80 km2. A única espécime do estudo foi coletada em Zaira, uma comunidade que se opõe ao corte de árvores.

Gatos assilvestrados e outras espécies invasivas também podem estar predando ou competindo com o rato-gigante-de-vangunu, aponta Whitmore.

“Esses ratos exóticos também foram vítimas da extinção de espécies nativas de ratos na Ilha Christmas em decorrência da propagação de parasitas tripanossoma”, ele disse.

Claro, descrever a espécie é o primeiro passo para salvá-la.

Em geral, “você não consegue pleitear recursos para conservação de espécies que não consegue provar que existem”, disse Whitmore. “Isso torna o trabalho de Tyrone especialmente valioso.” fonte:via

 

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