Choque tóxico, a doença que fez essa mulher perder a perna e processar marca de absorvente interno

A Síndrome do Choque Tóxico é uma rara emergência medicinal que pode causar sérios danos ao organismo de uma pessoa e até levá-la ao óbito.

A doença não é um condição exclusiva das mulheres, mas possui uma relação histórica com os absorventes internos, como explica o médico Drauzio Varella neste artigo.

Cerca de 20% da população mundial possui uma pré-disposição a contrair a síndrome, que teve seu ápice durante os anos 1980 nos Estados Unidos, quando marcas de absorvente internos do país passaram a comunicar um aviso dos riscos em suas embalagens.

Lauren Wasser é uma jovem de 24 anos e foi uma das recentes vítimas dessa condição. Modelo, ela possuía uma vida bastante saudável. Gostava de jogar basquete por hobby e andava cerca de 48 km de bicicleta por dia.

A história foi divulgada pela revista Vice. No dia 3 de outubro de 2012, durante período de menstruação, Lauren começou a se sentir estranha, como se estivesse gripada. A jovem foi até a farmácia e comprou o absorvente que sempre utilizou, da marca Kotex Natural Balance e interno.

Nos EUA, essa categoria de absorvente é bastante popular, mais do que no Brasil.

Mesmo sentindo-se mal, Lauren tentou comparecer ao aniversário de uma amiga, onde pensou em agir o mais normal possível. “Todo mundo disse: ‘Meu, você está péssima’”, ela lembra.

Ela, então, voltou para casa dirigindo, tirou a roupa e deitou na cama. Dormiu talvez por horas, dias, semanas… não sabe ao certo. Mas se lembra do seu cachorro, que é cego, latindo desesperadamente em seu peito enquanto alguém gritava “polícia!” na porta.

É que, preocupada, a mãe de Lauren pediu uma checagem de bem-estar, serviço policial americano quando os oficiais são enviados para ver se determinada pessoa está bem. “Eu não tinha levado meu cachorro para passear; então, havia xixi e cocô dele no apartamento todo”, lembrou ela.

Após uma conversa com a mãe que a deixou ainda mais preocupada, Lauren voltou para a cama. Foi encontrada no dia seguinte, desacordada na porta do quarto, por um policial e um amigo.

Com febre, ela foi levada ao hospital, onde sofreu uma parada cardíaca e ficou em coma induzido. Seus órgãos estavam parando e o estado era grave.

Um especialista em doenças infecciosas desvendou o mistério. “Ela está usando absorvente interno?”, ele perguntou. A resposta positiva fez com que o produto fosse levado para análise, onde se constatou a Síndrome do Choque Tóxico.

Ela acordou dias depois, com 36 quilos de fluido sendo bombeados em seu corpo; desorientada, ela achava que estava no Texas.

“Minha barriga estava enorme. Eu tinha tubos enfiados por todo lado. Eu não conseguia falar”, ela lembra. Ao lado da cama, havia um tubo com toxinas pretas retiradas de dentro do seu corpo.

Lauren acabou perdendo a perna direita, que gangrenou, e os dedos do pé esquerdo. Agora, está processando a Kotex.

Seu advogado, Hunter J. Shkolnik, tem histórico em solucionar casos onde pessoas processam produtos que, por falta de um aviso mais qualificado, lhe causam algum mal. “Os absorventes não mudaram desde a epidemia de SCT original. Eles só colocaram o aviso ‘Você pode ter um choque tóxico’ na embalagem. O material não muda há décadas”, ele comenta.

“Parte do nosso trabalho será mostrar para o júri que isso não tem a ver com o aviso da caixa – é sobre o fato de eles terem acesso a materiais que poderiam tornar [os absorventes internos] mais seguros há 20 anos e preferirem não os usar. Eles chamam esses absorventes de ‘naturais’ quando, na realidade, eles são feitos de materiais sintéticos que os tornam perigosos. O marketing deles faz as mulheres pensarem ‘Ah, esses são naturais, de algodão’, mas eles não são naturais, não são de algodão – e, se fossem, a chance de choque tóxico seria quase zero”.

“A síndrome do choque tóxico pode acontecer se uma mulher não tem anticorpos para a toxina ou uma produção baixa de anticorpos. Portanto, os ingredientes sintéticos dos absorventes são um problema. Os absorventes 100% algodão oferecem um risco menor, se é que oferecem algum”, afirma o Dr. Philip M. Tierno.

“Quis me matar quando cheguei em casa”

Anos depois do ocorrido, Lauren ainda sente dores e enfrenta a depressão que ameaçou lhe atingir por conta das mudanças na rotina. Com a ajuda da namorada, ela documentou toda sua recuperação em fotos e, apesar de não gostar de mostrar a prótese nos cliques, tenta manter a postura de modelo que guiou sua vida antes da doença.

O que Lauren busca agora é transparência. Nem ela, nem seu advogado querem o fim dos absorventes internos, mas sim que os anúncios dos riscos sejam mais claros, ou melhor, que algo seja feito para evitar a intoxicação de outras mulheres.

O que mais a irrita é ver os comerciais veiculados nos Estados Unidos com meninas utilizando absorvente interno e usando biquíni ou shorts branco intacto. “Não consigo subir num escorregador, não quero nem pensar em usar biquíni, não posso entrar no mar se eu quiser”, ela lamenta. “Esse produto fodeu com a minha vida”.

Mas a vida segue e Lauren quer se recuperar. Aos poucos, tenta voltar a realizar suas atividades com as devidas adaptações, inclusive o basquete. “Se você tem jogo, você tem jogo para sempre”, ela frisa.

 

Fotos: Jennifer Rovero/Camraface /fonte:via

Portugal é eleito melhor destino do mundo em 2017

Nada de ficar quebrando a cabeça para decidir o seu próximo destino de viagens. O resultado do World Travel Awards já saiu e o país eleito como o melhor destino do mundo é uma ótima notícia para os brasileiros: trata-se de Portugal.

Além de falar a nossa língua, o país europeu também tem um ótimo custo de vida – mais baixo do que o encontrado em São Paulo e outras capitais. E, para melhorar, há voos diretos para Lisboa saindo de diversas cidades brasileiras. \o/

Portugal é o primeiro país europeu a conquistar o prêmio, que foi entregue neste domingo, 10. Apesar disso, cidades como Londres e Paris já haviam recebido a distinção em anos anteriores. Lisboa também recebeu o prêmio de melhor destino de escapada urbana do mundo.

Criado em 1993, o World Travel Awards é considerado como o “Oscar do turismo” por reconhecer o trabalho de entidades turísticas do mundo inteiro. Este ano, a cerimônia ocorreu em Phu Quoc, no Vietnã, onde Portugal deixou para trás concorrentes de peso, como Brasil, Grécia, Maldivas, Estados Unidos, Marrocos, Vietnam e Espanha.

 

Fotos: Unsplash /fonte:via

Tudo o que sabemos sobre o urso polar faminto que desesperou a internet

O vídeo do National Geographic que mostra um urso polar consideravelmente magro e com aparência abatida viralizou em todo o mundo e provocou uma reflexão sobre os impactos causados pelo homem no meio ambiente.

As imagens foram feitas na Sea Legacy, na Ilha de Baffin, a maior do Ártico do Canadá e quinta maior do mundo. Uma série de ursos polares vivem na região, mas nenhum outro foi avistado nessas condições.

O urso está faminto. O formato dos ossos expostos abaixo da pele deixam isso claro. O animal circula pelo local buscando por qualquer vestígio de alimento. Todas as características formam um indicativo de que ele está nesta condição já há um bom tempo.

Sem um exame profundo, é quase impossível dizer se o mamífero possui algum tipo de doença. É de conhecimento dos cientistas que analisam a região que ursos polares são vítimas de alguns parasitas, mas a espécie não é assim tão propensa a contrair doenças graves.

Paul Nicklen, responsável por registrar o animal, disse que não notou nenhuma ferida ou cicatriz aparente em seu corpo. Quando há briga, os ursos costumam se machucar bastante, sendo raro um integrante da espécie com mais idade não possuir qualquer marca de ferimento.

“O urso está claramente muito desnutrido”, disse Steven Amstrup, cientista e líder da Polar Bears International. “É claro que ele possui sintomas de muita fome”.

As imagens do urso polar foram feitas em agosto. Por conta de dificuldades climáticas, a permanência dos profissionais na ilha não durou muito tempo e eles deixaram o local no mesmo dia em que encontraram o mamífero. Não se sabe o que aconteceu com ele, mas Nicklen acredita que ele tenha morrido um ou dois dias após o registro.

A população de ursos polares está ameaçada? 

No geral, ursos polares ao redor do mundo não estão em perigo iminente. Nicklen contou que, durante um estudo na região ártica da Rússia, avistou alguns que eram tão gordos que mal conseguiam andar. Os cientistas acreditam que o país seja o local onde se concentra o maior grupo de ursos polares no mundo.

Para eles, as populações de ursos polares que mais correm risco estão nas regiões onde as geadas ocorrem por temporada, como é o caso da Ilha de Baffin, onde o urso faminto foi encontrado. Um estudo da Nat Geo constatou que eles perdem até 2 kg por dia esperando a chegada do gelo.

Como o aquecimento do planeta afeta os ursos polares? 

Os ursos polares estão entre os maiores ursos do mundo, podendo pesar até 1.600 kg. Isso significa que eles precisam se muita comida para sobreviver.

Eles se alimentam, basicamente, de frutos do mar, e podem consumir centenas de quilos de carne em uma refeição. Ao contrário de outras espécies do mamífero, que podem se alimentar de plantas e vegetais, o polar é carnívoro e precisa do alimento para sobreviver.

Menos neve no Ártico significa que os animais possuem maior dificuldade de construir uma moradia adequada, como é o caso do que tem acontecido no Canadá.

A região oeste da Hudson Bay, no Canadá, é uma das mais requisitadas por estudiosos de ursos polares. Embora as pesquisas tenham sido inconclusivas sobre se o efeito regional causado no clima é culpa da ação do homem, outros estudos alertam para a possibilidade da população de ursos polares no local ser extinta em 30 anos, isso caso as condições climáticas não melhorem.

 

Fotos: Nat Geo/Reprodução/fonte:via

Cientistas recriam rosto de rainha indígena que antecedeu os Incas

Alargadores de ouro nas orelhas, cabelo preto bem liso, um pouco grisalho, e feições fortes. É mais ou menos assim que cientistas imaginam que era a aparência de uma importante nobre do povo Wari, que viveu no Peru séculos antes do Império Inca. As informação são da National Geographic.

Trata-se daquela que ficou conhecida como Rainha de Huarmey, em referência ao local onde seu fóssil foi encontrado em 2012. Os arqueólogos acreditam que ela pertencia à elite dos Wari, pois seu esqueleto estava acompanhado por joias, frascos e ferramentas para tecelagem feitas de ouro.

A Rainha foi encontrada numa tumba onde se encontram mais 57 mulheres nobres, sendo quatro rainhas ou princesas. A Rainha de Huarmey tinha uma câmara só para ela, com os ornamentos de ouro para as orelhas, um machado de cobre e um cálice de prata.

O exame de seu esqueleto aponta que ela passou a maior parte da vida sentada, mas que, do tronco para cima, era bem ativa: acredita-se que ela era especialista na tecelagem, o que lhe conferia um status todo especial entre os Wari.

Isso porque roupas eram consideradas mais valiosas que ouro ou prata por antigas culturas andinas por causa do imenso trabalho que tecê-las requeria. Acredita-se que algumas delas levavam até três gerações para serem terminadas.

A reconstrução foi feita pelo arqueólogo Oscar Nilsson, especialista em obras do tipo, que decidiu trabalhar de forma bastante manual, em oposição às restaurações digitais que costumam ser feitas.

Ele usou uma impressora 3D para criar uma réplica do crânio da Rainha. Depois, usou dados que ajudam a estimar a espessura dos músculos faciais para recriar o rosto, com fotografias de indígenas que ainda vivem na região como base.

O trabalho de reconstrução levou 220 horas no total, de acordo com Nilsson, que, para recriar o penteado, usou cabelo verdadeiro de mulheres andinas vendido em um mercado de material para perucas – o cabelo original da Rainha foi encontrado ainda preservado.

“Trabalho com isso há 20 anos e já vi muitos projetos fascinantes”, conta o arqueólogo, “mas esse é mesmo algo diferente. Eu simplesmente não poderia dizer não”, completa, em entrevista à National Geographic.

 

Fotos: Oscar Nilsson

Com informações da National Geographic