Como é o mundo visto por pessoas que enxergam as cores de forma diferente

Segundo estimativas, cerca de 8,5% da população masculina mundial sofre de daltonismo – entre as mulheres, a proporção é de cerca de 0,5%. Apesar de a condição afetar uma parcela considerável dos homens, ela é pouco levada em conta quando se pensa na acessibilidade.

Muitos daltônicos podem perder informações importantes relacionadas às cores ao ler textos e interpretar gráficos, por exemplo. Hoje, há ferramentas na internet e até jogos de videogame com modos especiais para quem sofre com o daltonismo, mas muitos dos usuários relatam que eles ainda precisam evoluir muito, e às vezes mais atrapalham do que ajudam.

Há basicamente três tipos de daltonismo: protanopia – dificuldade ou incapacidade de distinguir os tons vermelhos (normalmente se vê marrom, verde ou cinza); deuteranopia – dificuldade ou incapacidade de distinguir os tons verdes (normalmente se vê marrom) e tritanopia – dificuldade ou incapacidade de distinguir os tons azuis e amarelos (normalmente se vê tons rosados).

Estima-se que deuteranopia atinja 3,26% dos homens, que a protanopia atinja 1,25% e que a tritanopia atinja 0,026%. Existe também o chamado daltonismo total, ou monocromacia, em que as pessoas só enxergam em preto e branco, mas essa condição só atinge 0,00003% da população.

Confira imagens que ilustram o modo como os daltônicos veem o mundo – se quiser ver mais, acesse o simulador do Colblindor.

 

Imagens via Colblindor/fonte:via

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Artista japonesa quer cobrir sua exposição completamente com flores vermelhas

A natureza e seus ciclos pode ser vista como a maior obra de arte do planeta – e plantar uma flor é uma parceria artística e tanto entre o ser humano e a própria natureza. Assim, como que simulando e acelerando esse processo – e colocando-o para acontecer dentro de uma galeria – a artista japonesa Yayoi Kusama decidiu cobrir de flores vermelhas a Galeria Nacional da Trienal de Victoria, na Austrália.

Seu desejo com a exposição “Flower Obsession” (algo como “Obsessão floral”, em tradução livre) era recriar a sensação de uma lembrança de infância. “Um dia, depois de olhar para um padrão de flores vermelhas na toalha da mesa, olhei para cima para ver que o teto, as janelas e as colunas pareciam ser rebocadas com o mesmo padrão floral vermelho”, disse Kusama. “Eu vi a sala inteira, todo o meu corpo e todo o universo coberto de flores vermelhas, e nesse instante minha alma foi destruída… e isso não era uma ilusão, mas a própria realidade.”

Se cobrir o universo todo de flores é uma tarefa um pouco mais difícil, para cobrir a galeria ela decidiu distribuir margaridas gérbera artificiais e adesivos de flores para que os visitantes pudessem espalhá-las por toda a superfície do local, até que a galeria esteja toda coberta, ao fim dos quatro meses da temporada da exposição.

O trabalho dialoga com outra de suas obsessões anteriores – os pontos, que também já cobriram todas as superfícies de galerias pelo mundo. A arte foi a maneira com que Kusama encontrou para comunicar e melhor lidar com suas condições mentais, transformando o que para muitos seria visto como mero transtorno em arte, experiência, e saúde.

E o resultado de suas obsessões florais é incrível – como se a natureza tivesse novamente tomado conta, e atropelado tudo com sua verdadeira e absoluta beleza.

 

© fotos: divulgação/fonte:via

Avó de 76 vive sozinha na Sibéria e cruza o Baikal de patins todo dia para cuidar de animais

Todos os dias, às 5:30 da manhã, a russa Lyubov Morekhodova, de 76 anos, se levanta em meio ao frio da Sibéria, dá um pouco de comida para suas vacas e as leva para pastar numa montanha.

A idade não diminui sua disposição, e ela costuma patinar pelas águas congeladas do grande Lago Baikal para conferir se as vacas estão bem. Lyubov – cujo nome significa Amor – também cuida de alguns cachorros, um gato, galos e galinhas, bezerros e búfalos.

Ela vive sozinha numa pequena casa às margens do Baikal desde 2011, quando o marido faleceu. Engenheira e especialista em tecnologia, ela trabalhou por 42 anos em uma fábrica de Irkutsk, uma das maiores cidades da Sibéria, até se aposentar e decidir voltar para a casa onde passou a infância.

Foi lá mesmo que, mais de 70 anos atrás, o pai de Lyubov fez o par de patins que ela usa desde os 7 anos de idade. Ele cortou uma serra de metal e inseriu as duas metades em pedaços de madeira, criando o dispositivo que Lyubov amarra até hoje em suas Valenki, tradicionais botas de feltro.

“Não gosto dos patins modernos. Eles ficam soltos na região dos tornozelos e meus pés ficam gelados. Os Valenki estão sempre quentes”, conta a senhora, que costumava apostar corridas com os colegas de trabalho usando os mesmos patins.

Lyubov se tornou uma pequena celebridade na Rússia depois que um amigo publicou imagens dela patinando na internet. Vários jornalistas a convidaram para viajar a Moscou para dar entrevistas, mas ela prefere o recolhimento, apesar de não ver problemas em atender as equipes dispostas a ir até a margem do Baikal.

Os filhos, sobrinhos e netos de Lyubov costumam visita-la no verão, mas os pedidos para que ela se mude de volta para a cidade não são capazes de convence-la.

Contemplar o Baikal é o que mais a alegra: “Eu sento sozinha na cozinha. Sento e olho para isso (o lago). Me traz felicidade, bom humor, e sempre penso que se alguém estivesse sentado ao meu lado eu diria ‘Que beleza. Que incrível beleza’”.

A rotina de Lyubov inclui subir e descer até dez vezes um morro para buscar água para ela e os animais. Ela também é ótima no bordado, macramê, crochê e na tecelagem com contas.

Não há nada no Baikal que a assuste. “Não sinto medo aqui. Nem sei do que eu deveria ter”, conta. “A única coisa desagradável são os turistas bêbados dirigindo quadriciclos que sempre dão um jeito de quebrar alguma coisa. Já mataram dois cães e viraram meu barco de cabeça para baixo”, completa.

“Mas eu percebi que não posso fazer muito sobre eles. No verão, vem muita gente para cá. Apenas digo ‘Recolham seu lixo, arrumem a própria bagunça. Não deixem nada para trás, tudo acaba no Baikal”, conta a protetora do lago, que diz viver uma vida feliz junto aos animais. “No verão posso ver minha família, e no inverno estou ocupada demais para ficar entediada”, conclui.

 

Fotos e informações: Siberian Times /fonte:via