Nossos antepassados se relacionaram com neandertais – e há um pouco deles em cada um de nós

Encontrar os primeiros passos dados na trilha que a humanidade traçou até os dias de hoje é um dos desafios mais intrigantes da ciência. Grandes pesquisadores têm se dedicado a essa questão há séculos, e, embora ainda estejamos longe de decifrar o enigma, algumas certezas vão se confirmando. E uma delas é que os Homo Sapiens e os Neandertais fizeram sexo muito tempo atrás.

A imagem básica que se tem da evolução é aquela linha em que primatas foram se tornando bípedes até se tornarem o que conhecemos como humanos, mas a ciência sabe que se trata de um caminho muito mais complexo, com diferentes espécies se desenvolvendo e extinguindo, até que sobramos nós, os Homo sapiens.

Entre teorias descartadas e outras que continuam sendo consideradas, a mais aceita indica que o Homo Sapiens e os homens de Neandertal surgiram a partir de um ancestral comum na África, e depois seguiram caminhos distintos (Diferentemente do que algumas pessoas pensam, o Homo Sapiens não é uma evolução dos Neandertais).

Paleontologistas tentam desvendar o motivo que fez com que os neandertais tenham se extinguido, enquanto os Homo Sapiens seguem vivos até hoje – com uma população que deve ultrapassar os 10 bilhões de habitantes nas próximas décadas.

Se há algum tempo o darwinismo sugeria a hipótese de que os neandertais fossem menos desenvolvidos cognitivamente, a ideia tem caído por terra graças a achados arqueológicos que mostram que a espécie também era capaz de criar ferramentas, usar ornamentos e até de desenvolver práticas funerárias.

Como dito, a ideia mais aceita dentro da comunidade científica é a de que os Homo Sapiens e os Neandertais surgiram de um ancestral comum na África há cerca de 500 mil anos. Os neandertais teriam migrado para a Europa e continuado a evoluir por lá, depois se expandindo rumo à Ásia, enquanto os Homo Sapiens permaneceram na África por um bom tempo.

Um dos grandes desafios para quem tenta decifrar a humanidade é o fato de que nossos feitos só começaram a ser registrados há cerca de seis mil anos, o que deixa os arqueólogos e paleontólogos com um intervalo enorme a ser investigado.

E a análise do DNA de fósseis tem representado um grande salto para a ciência. E é graças à genética que podemos saber que, ao longo dos milhares de anos em que neandertais e Homo Sapiens coexistiram, eles se encontraram, se relacionaram, fizeram sexo e reproduziram.

Estima-se que os encontros eram raros, mas deixaram um traço genético que permanece presente até hoje. Todos os humanos modernos, excetuando aqueles de ancestralidade 100% africana, têm de 1% a 2% de traços genéticos de neandertais.

É difícil precisar quando essas relações aconteceram, mas os cientistas estimavam que os encontros rolaram há 50 mil anos, graças à análise do DNA de um fóssil de neandertal encontrado numa caverna na Croácia. Ele compartilhava mutações genéticas com os europeus e asiáticos de hoje.

Uma unha de neandertal encontrada na Sibéria, cuja análise genética encontrou material relacionado ao dos Homo Sapiens, mudou o paradigma científico: estima-se que o indivíduo tenha vivido há 100 mil anos, o que pode indicar que houve uma migração de Homo Sapiens muito antes do que é imaginado.

Ainda há muito mais dúvidas do que certezas, mas o avanço da ciência e da análise genética indicam que, nos próximos anos, devemos encontrar muitas outras peças do quebra-cabeças da humanidade. Inclusive que expliquem melhor o neandertal que há em cada um de nós.

Imagens: Museu de História Natural/fonte:via

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Última teoria de Stephen Hawking diz que universo não é infinito

As teorias modernas a respeito do surgimento e do funcionamento do universo sugerem que sua criação se deu a partir de uma breve explosão, em uma fração de segundo após o Big Bang, a partir da qual o cosmos rapidamente se expandiu – e segue se expandindo. Esse movimento de expansão seria um evento eterno, acontecendo em distâncias incalculáveis, sendo a parte observável do universo uma mínima fração da totalidade do cosmos, onde o processo se concluiu e por isso foram formadas as estrelas, planetas e galáxias.

A última teoria publicada pelo físico inglês Stephen Hawking antes de sua morte, no entanto, contraria algumas dessas máximas – e pode alterar tudo que entendemos sobre o tema.

O estudo foi realizado por Hawking em parceria com o professor Thomas Hertog, da universidade KU Leuven, na Bélgica, e foi publicado pelo Journal of High-Energy Physics, na semana passada. Segundo o estudo, o universo seria mais simples e, especialmente, seria finito.

A pesquisa foi realizada em julho do ano passado, e publicada antes da morte de Hawking, ainda com a chancela do gênio da física e da cosmologia. Em resumo, a última teoria de Hawking e Hertog afirma que a ideia da inflação eterna está errada.

“Prevemos que o nosso universo, nas maiores escalas, é razoavelmente simples e globalmente finito. Portanto, não é uma estrutura fractal”, afirmou Hawking na pesquisa. A pesquisa ainda precisa ser confirmada em novos trabalhos, mas sugere uma redução significativa no universo e “uma categoria muito menor de possíveis universos”, afirmou Hawking. Se confirmada, a nova pesquisa terá implicações intensas sobre o paradigma do multiverso que rege os estudos cosmológicos hoje.

Hawking é um dos maiores astrofísicos da história, e Hertog recebeu, em 2014, uma bolsa de dois milhões de euros por seus anos de trabalho em cosmologia holográfica quântica.

© fotos: divulgação/fonte:via