Matthias Sindelar, o jogador que ousou vencer a Alemanha e comemorar um gol contra Hitler

A seleção da Áustria não vai estar presente na Copa do Mundo da Rússia, assim como aconteceu nas últimas quatro edições. A participação mais recente aconteceu na França, em 1998, mas, mesmo com apenas sete participações em mundiais, o país merece ser lembrado ao revisitar as grandes histórias das Copas.

Tudo graças a Matthias Sindelar, o grande craque austríaco da década de 30. Alto e magro, o atacante se destacava em campo pela velocidade, leveza e habilidade, ganhando o apelido “Der Papierene”, ou “Homem de Papel”.

Sua presença foi fundamental para que a seleção austríaca recebesse o apelido Wunderteam, ou “Time Maravilha”. Campeã da Copa Internacional da Europa Central em 1932, espécie de torneio precursor da Eurocopa, a Áustria chegou à Copa de 1934 como uma das favoritas, tendo vencido ou empatado 28 das 31 partidas anteriores ao Mundial.

Apesar do bom futebol do Wunderteam, que bateu França e Hungria nas oitavas e quartas de final, respectivamente, a Áustria caiu frente à anfitriã e futura campeã Itália na semifinal, partida que os especialistas europeus definiram como final antecipada.

Nascido em 1903, a participação de Sindelar na Copa de 1938 poderia ser considerada improvável, afinal, a carreira dos atletas não era tão longeva naquela época. Apesar disso, aos 35 anos, o craque seguiu como titular da equipe, sendo importante na campanha vice-campeã da Olimpíada de 1936, novamente com derrota para a Itália.

A Áustria se classificou para a Copa de 1938, mas não pôde jogar. O motivo? A três meses do Mundial, a Alemanha de Hitler invadiu e anexou a Áustria ao território do Terceiro Reich.

Assim, os jogadores deveriam jogar pela Alemanha, que na época era uma seleção de segundo nível, mas ganharia muito com a presença dos atletas austríacos.

Os gols e a comemoração da revolta

Mas Sindelar foi um dos jogadores que se recusaram a vestir o uniforme alemão, que inclusive ostentava uma suástica como escudo. Não sem antes dar um jeito de expressar seu descontentamento com a questão política que marcava a Europa.

Um mês após a indexação, e dois antes da Copa, em 3 de abril, Hitler resolveu celebrar a anexação com uma partida entre Áustria e Alemanha, supostamente a última dos austríacos como nação soberana.

O resultado fora encomendado pelos generais alemães: há quem diga que eles foram ao vestiário austríaco exigir que a partida terminasse empatada, enquanto outra versão dá conta de que eles determinaram que os alemães sairiam vitoriosos.

Mas, em campo, Sindelar se recusou a se dobrar. Ele marcou o primeiro gol da partida, comemorando efusivamente – segundo relatos, ele fez questão de celebrar em frente à tribuna em que figuravam autoridades militares nazistas. A partida, que terminou 2 a 0, seria a última oficial do “Homem de Papel”.

Apesar da rebeldia, os alemães mantiveram o “convite” para que Sindelar atuasse por eles na Copa. Ele recusou, alegando estar lesionado ou velho demais para competir em alto nível, ainda que seu histórico recente indicasse o contrário. Quatro atletas austríacos (Josef Stroh, Rudolf Raftl, Johann Mock e Franz Wagner) acabaram jogando o Mundial pela Alemanha.

A recusa de Sindelar teve consequências: ele foi proibido de jogar futebol profissionalmente e de viajar para além das fronteiras alemãs. Para seguir a vida, o craque abriu uma cafeteria, mas há relatos de que membros do exército nazista atrapalhavam seu funcionamento com frequência.

Em 22 de janeiro de 1939, cerca de seis meses após o término da Copa, Sindelar e sua companheira, a italiana Camilla Castagnola, foram encontrados mortos no apartamento onde viviam, em Viena.

A versão oficial apontou a causa da morte como asfixia por vazamento de monóxido de carbono, um acidente relativamente comum naquela época. Apesar disso, não faltou quem suspeitasse que se tratara de suicídio por causa da pressão exercida pelos alemães, ou mesmo de assassinato cometido pelos nazistas – anos depois, foi revelado que a Gestapo investigou Sindelar por suspeitas de que ele fosse “”pró-judeu” e “social-democrata”.

Estima-se que o funeral do craque levou de 15 mil a 20 mil pessoas ao Cemitério Central de Viena. Em 1998, Sindelar foi eleito o maior atleta austríaco do século, e segue imortalizado na história do esporte. Há um vídeo no Youtube que reúne algumas das raras filmagens do Homem de Papel.

Fotos: Reprodução/fonte:via

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Fotos de longa exposição deixam as marcas dos astros no céu

Para se aproximar daquilo que o pintor holandês Vincent Van Gogh era capaz de fazer com um pincel, seu coração e sua genialidade, o fotógrafo russo Daniel Kordan precisou viajar até o deserto do Namibe, na costa da Namíbia, com sua câmera aberta à longa exposição – e enfim conseguir registrar a impactante beleza do “rastro” das estrelas, ou o movimento dos astros ao longo das horas noturnas.

Para cada imagem completa, Kordan não só contou com o límpido céu do deserto africano, como precisou de milhares de fotografias em longa exposição. Depois de tiradas, o fotógrafo realiza um processo de “empilhamento” de imagens, que oferece aos registros fixos a ilustração dos movimentos das estrelas.

“As noites na Namíbia são tão pacíficas e silenciosas. Eu fiquei feliz em desfrutar do brilho das estrelas da via láctea enquanto minha câmera tirava milhares de fotos”, disse Kordan.

O impacto do vibrante colorido dos céus do Namibe é ainda maior em contraste com as cores opacas do próprio deserto, e as fotos são um documento da infinitude e da beleza do cosmos – algo que um artista como Van Gogh em seu Noite Estrelada consegue captar em toda sua poesia, mas que mesmo a objetividade da fotografia parece se banhar também em arte ao registrar.

© fotos: Daniel Kordan/fonte:via

“A família transafetiva existe”, pastora trans adota menino especial e menina transexual

Manifestações de afeto como a que você vai ler a seguir deixam ainda mais desconcertados os defensores de uma ideia de família mais do que ultrapassada.

A boa notícia foi dada pelo jornalista Neto Lucon e fala sobre o caso envolvendo uma pastora transgênero que adotou um garoto com necessidades especiais e uma garota trans. As duas crianças vão fazer parte agora da família que Alexya Salvador, de 36 anos, mantém há oito anos com Roberto Salvador Junior.

A vontade de ter crianças sempre esteve no radar, porém o casal resolveu se preparar sete anos para encarar os desafios de criar outro ser humano. Prontos para assumir tal responsabilidade e dar sobretudo amor, os dois encontraram o primeiro filho, Gabriel, em um abrigo de Mairiporã, onde tiveram que enfrentar o espanto de alguns funcionários surpresos pela opção por uma pessoa com necessidades especiais.

“Nossa, tanta criança saudável, você vai escolher justo o que é doentinho? Vai escolher o doente?”, disse uma das funcionárias.

Pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana, Alexya Salvador pode ter se tornado a primeira transexual a desfrutar a licença-maternidade e do direito de ser mãe. A conquista ganhou ainda mais força com a chegada de Ana Maria.

“Mainha, tenho uma coisa para te contar. Eu não sou um menino, eu sou uma menina. A senhora vai me amar mesmo assim?”, dizia com receio a jovem pernambucana com medo de que o fato de ser trans impedisse a consumação do fato. O que evidentemente não aconteceu.

Ciente do preconceito existente em um país como Brasil, figurando em segundo lugar na lista de assassinatos de pessoas trans e travestis, Alexya se agarra na potência do desejo de ser mãe para mudar tal realidade.

“Nasci para ser mãe. Além de ter nascido para ser filha, esposa, pastora, vou ser a primeira reverenda trans da América Latina, eu nasci para ser mãe. Quero encorajar todas as pessoas transgêneras que desejam ser pai ou mãe. É possível sim. A família transafetiva existe.”