Cientista propõe teoria polêmica para explicar como Stonehenge se formou

As imponentes rochas de Stonehenge são tão pesadas que a ideia de como elas teriam sido transportadas pelo povo neolítico sempre intrigou cientistas e pesquisadores.

Agora, uma nova teoria controversa sugere que uma geleira, em vez de pessoas, foi o que levou as grandes pedras do oeste do País de Gales até a planície de Salisbury, na Inglaterra, onde hoje se encontra o monumento.

Muitos arqueólogos, no entanto, discordam dessa hipótese, afirmando que ela carece de evidências e subestima as conquistas e a habilidade dos antigos construtores dessa estrutura.

A história de Stonehenge

A história de Stonehenge se estende desde 8500 aC, quando pessoas mesolíticas cavaram poços para postes semelhantes a totens no local.

Já os primeiros pilares de pedra foram erguidos por volta de 2500 aC, e rearranjados por pessoas ao longo dos próximos milhares de anos.

O monumento tem dois tipos de pedras principais que vêm de diferentes lugares: as pedras maiores de sarsen no círculo externo – que têm até 9 metros de altura e pesam em média 22 toneladas – provavelmente vêm de Marlborough Downs, a cerca de 32 quilômetros ao norte de Stonehenge.

Os arenitos, consideravelmente menores, pesam até 3,6 toneladas e são compostos por cerca de 30 tipos de rochas que vêm de vários locais no oeste do País de Gales, a uma distância de cerca de 225 km.

Como estas pedras “menores” chegaram a Stonehenge é um debate de longa data.

Conto heroico equivocado?

Em um novo livro que será lançado em junho, “The Stonehenge Bluestones” (Greencroft Books, 2018), o geomorfologista Brian John argumenta que geleiras carregaram os arenitos de Gales até a Inglaterra.

Esta hipótese não é inteiramente nova; foi proposta pela primeira vez em 1902 em um artigo científico na revista Archaeologia. Porém, um estudo de 1923 do geólogo britânico Herbert Henry Thomas – que ligou os arenitos a afloramentos rochosos em Pembrokeshire, no oeste do País de Gales – descartou a ideia da geleira.

Desde 1923, as pessoas tomaram a declaração de Thomas como mais ou menos definitiva, assumindo que, se o gelo não poderia tê-las carregado, as pedras devem ter sido trazidas por seres humanos. John crê que esta interpretação está errada.

“As pessoas amam essa história, os ancestrais heroicos recolhendo essas pedras do oeste de Gales e depois levando-as até Stonehenge”, disse. “Todos nós amamos contos heroicos, e acho que é por isso que as pessoas aceitam isso, sem questionar as evidências nas quais se baseia”.

Hipótese glacial

John olha para a situação da seguinte maneira: a maioria das pedras não são pilares bem esculpidos, mas “pedregulhos” característicos de rochas apanhadas em geleiras.

Além disso, cerca de 500.000 anos atrás, o Glaciar do Mar da Irlanda cobria partes do Reino Unido. Ainda não está claro até que ponto esta geleira se estendia, “mas é razoável supor que, uma vez que era uma geleira grande, podia muito bem ter chegado ao limite da planície de Salisbury”.

O cientista também não pensa que há provas de que os humanos carregaram, empurraram ou transportaram as pedras para Stonehenge.

John observou que Stonehenge parece inacabado, provavelmente porque a geleira não derrubou pedras o suficiente para que pessoas o completassem. Isso se encaixa em um padrão visto em outros monumentos de pedra antigos no Reino Unido, em que as pedras foram coletadas localmente, não de longe.

A favor dos humanos

Diversos arqueólogos discordam da hipótese da geleira. Segundo Josh Pollard, professor de arqueologia da Universidade de Southampton, na Inglaterra, não existem evidências de depósitos glaciais com grandes pedaços de pedra calcária em qualquer lugar perto de Stonehenge.

Pollard faz parte do The Stonehenge Riverside Project, um projeto cujos membros estudam os afloramentos rochosos em Pembrokeshire que combinam com as pedras em Stonehenge. Dois afloramentos, chamados Craig Rhos-y-Felin e Carn Goedog, têm evidência de atividade neolítica, incluindo valas rasas, ferramentas de pedra e depósitos de carvão que datam do Mesolítico, do Neolítico e da Idade do Bronze. Esses artefatos podem ser evidências deixadas pelas pessoas que extraíram pedras de lá para Stonehenge.

Além disso, os arenitos não se parecem com detritos glaciais, conhecidos como “moreias”. “Os arenitos são muito parecidos com pilares. Não são o tipo de pedras que você encontraria em moreias glaciais, que seriam pedregulhos menores e mais redondos”, explicou, acrescentando que rochas glaciais são tipicamente arranhadas. Alguns dos arenitos, como o riolito, provavelmente desintegrariam se fossem depósitos glacias.

Pollard não concorda que não existem provas de que pessoas tenham movido as pedras. “Sabemos onde algumas dessas rochas começaram. Podemos ver onde foram extraídas dos afloramentos rochosos, e sabemos que acabaram em Stonehenge. Isto é, se você quiser, evidência de movimento”, disse.

Excepcional

Outros monumentos neolíticos de pedra no Reino Unido incluem rochas de longe, incluindo o Anel de Brodgar, na Escócia, e o Newgrange, na Irlanda. E, mesmo que não fosse o caso, Pollard crê que isso não é motivo para não haver uma exceção.

“É importante lembrar que o Stonehenge é um monumento excepcional. É icônico por uma razão: porque no mundo neolítico, não há nada parecido com ele”, argumentou.

Quanto a ser inacabado, é verdade que Stonehenge foi reorganizado ao longo de sua história. Mas os povos pré-históricos rotineiramente remodelavam seus monumentos. Os restos de Stonehenge indicam que havia mais pilares lá.

Heróis, sim

Em um experimento em 2016, Barney Harris, que faz doutorado em arqueologia na University College London, na Inglaterra, e seus colegas descobriram que apenas 10 pessoas eram necessárias para transportar em um trenó uma pedra gigante a cerca de 1,6 km/h.

Tal caminho, cheio de uma mistura de madeira e galhos, poderia ter ajudado o povo neolítico a arrastar as pedras para Stonehenge. É até possível que esses blocos de rocha tenham sido flutuados em jangadas por parte do caminho.

Embora desafiadora, tal façanha poderia ter unido pessoas. Mover as rochas poderia ter ajudado algumas delas a avançar sua posição social na comunidade.

Aí reside o impasse: enquanto John diz que os arqueólogos se baseiam na chamada realização heroica dos povos antigos para defender sua teoria, os arqueólogos afirmam que John subestima nossos antepassados pré-históricos. “[John] não dá crédito às pessoas pré-históricas pela capacidade de fazer coisas notáveis. Ele tem uma ideia de que todos na pré-história estavam seguindo a rota mais fácil de menos esforço”, disse Pollard.  

fonte:via [LiveScience]

 

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Estes ossos contam a perversa história de uma batalha bárbara

Milhares de ossos de adolescentes e homens foram encontrados em um pântano na Dinamarca, contando a história de uma feroz batalha ocorrida 2.000 anos atrás.

Os esqueletos foram desenterrados por pesquisadores da Universidade de Aarhus, e as descobertas arqueológicas foram publicadas em um artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Combatentes despejados em um pântano

Sem registros escritos para explicar o que aconteceu ou um campo de batalha para vasculhar por evidências, os especialistas estão tentando desvendar a história dessa atrocidade a partir dos próprios ossos que foram despejados no pântano.

As vítimas podem ser representantes de povos germânicos muitas vezes descritos como “bárbaros” pelos romanos, por sua natureza violenta.

Quatro ossos pélvicos suspensos em paus estavam entre os restos mortais de pelo menos 82 homens mortos revelados nas escavações em Alken Enge, na Península da Jutlândia, na Dinamarca. Isso indica que o “enterro” foi uma ação organizada e ritual.

O sítio arqueológico, que vem sendo estudado desde 2009, é a descoberta mais antiga de “um grande contingente de combatentes do início do século I dC”.

Bárbaros mortos por romanos?

“Os ossos estão extremamente bem preservados”, disse uma das pesquisadoras do estudo, Mette Løvschal, do Departamento de Arqueologia e Patrimônio da Universidade de Aarhus. “E podemos ver coisas incomuns, como marcas de animais e marcas de cortes de armas afiadas”.

Os mais de 2.300 ossos humanos estavam contidos em sedimentos de turfa e de lago em mais de 75 hectares de zona úmida. A datação por radiocarbono sugere que são de 2 aC a 54 dC.

Nesta época, os soldados romanos estavam pressionando uma expansão para o norte. Por volta do ano 7 dC, os romanos sofreram uma perda maciça nessa região, na qual dezenas de milhares de guerreiros foram mortos pelo povo germânico.

“O que eles fazem nas décadas seguintes são ataques militares na Germânia, basicamente para punir os bárbaros por essa enorme derrota. O que achamos que estamos vendo aqui pode ser o que resta de uma dessas campanhas punitivas”, explicou Løvschal.

Massacre

Løvschal disse que os ossos parecem ser de uma “população bastante heterogênea”, com alguns tendo cerca de 13 a 14 anos e outros 40 a 60 anos.Estima-se que os restos mortais de cerca de 380 homens que morreram de ferimentos de combate estejam asilados do pântano.

Como os esqueletos não parecem ter ferimentos ou traumas já curados, isso sugere que os combatentes não tinham muita experiência com batalhas anteriores.Os ossos mostram ataques de armas predominantemente no lado direito, com poucos ferimentos no meio do corpo, onde os lutadores podiam estar segurando escudos com seus braços esquerdos.

Especialistas acreditam que os corpos ficaram estendidos no campo de batalha por algum tempo, possivelmente seis meses a um ano, porque muitos mostram sinais de terem sido roídos por cães ou lobos. Eles foram despojados de seus pertences pessoais antes de serem depositados no pântano.

Grande trauma

Muitos mistérios permanecem sobre essa batalha: quem realmente esteve envolvido nela? Será que foi uma luta entre tribos bárbaras, ou será que realmente combatentes germânicos tentaram se proteger de guerreiros romanos?

Além disso, os ossos pélvicos pendurados em espetos são intrigantes. “Essas quatro pélvis em varas parecem ter conotações à humilhação sexual”, argumentou Løvschal. “Parece ter um tom agressivo também. Por esse motivo, é difícil dizer quem fez isso”.

Por fim, os arqueólogos notaram que houve uma grande mudança na paisagem depois da batalha. Antes do massacre, aquela era uma área pastoral, incluindo terras agrícolas e campinas, mas passou a ser uma região densamente florestada nos próximos 800 anos. Ou seja, é possível que o local tenha sido repentinamente abandonado.

“Isso insinua que o evento teve um impacto enorme nas pessoas que moravam lá. Houve um trauma em grande escala para a comunidade”, concluiu Løvschal.

fonte:via [Phys]