Há 40 anos, indiano trocou tudo por uma bike e pedalou 5 mil km para encontrar seu amor na Suécia

“Isso foi decidido pelos céus. Nós fomos destinados a nos encontrar”. Foi com essas frases que o indiano Pradyumna Kumar Mahanandia (ou P K Mahanandia) começou a explicar para a sueca Charlotte Von Schedvin por que ele acreditava que o amor dos dois estava previsto em uma profecia.

O encontro aconteceu em Délhi, em dezembro de 1975, mas, de acordo com Mahanandia, era só questão de tempo. Segundo o indiano, que nasceu em 1949, em uma família da casta dalit, a mais inferior do hinduísmo, era comum na região que astrólogas visitassem as casas com crianças recém-nascidas para falar sobre o que o futuro lhes reservaria.

Sobre Mahanandia, a astróloga disse que ele não se casaria em um casamento arranjado, mas que se uniria a uma “mulher estrangeira, vinda de terras distantes, nascida sob o signo de Touro, dona de uma selva ou floresta e que tocasse flauta”.

A história era repetida pela mãe de Mahanandia sempre que o filho ficava desanimado após ser perseguido na escola por sua condição de dalit. Era a forma que ela encontrava para mostrar que o futuro lhe reservava algo melhor.

O encontro com Charlotte aconteceu em Délhi, onde o indiano, aos 25 anos, vivia como artista de rua, anunciando ser capaz de desenhar retratos em apenas dez minutos, cobrando 10 rúpias por cada um.

É assim que ele descreve o encontro: “Me lembro claramente: era 17 de dezembro de 1975, e uma mulher com longos e belos cabelos loiros e olhos azuis se aproximou de mim ao fim da tarde. Quando ela apareceu além do meu cavalete, foi como se eu não pesasse nada. Palavras não são precisas o suficiente para descrever a sensação”.

“Seus olhos eram tão azuis, grandes e redondos, e eu senti como se ela não olhasse para mim, mas sim para meu interior”, continua. Apesar da vontade de fazer justiça à beleza de Charlotte, Mahanandia conta que ficou nervoso e seu retrato não saiu tão bom. Então ele pediu que ela voltasse no dia seguinte.

Foi quando ele decidiu se arriscar e fazer as perguntas da profecia. Após confirmar que a jovem, então com 19 anos, era do signo de Touro, possuía uma floresta em sua terra natal, e tocava flauta (além de piano), ele decidiu falar sobre aquilo que tinha sido anunciado pela astróloga logo que nasceu.

Por mais incrível que possa parecer, Charlotte, que havia se sentido estranhamente atraída pelo local onde Mahanandia fazia seus retratos, decidiu dar uma chance a ele e topou sair para tomar chá, depois combinando de visitar a vila onde a família dele morava.

Eles passaram cerca de duas ou três semanas juntos, até que Charlotte precisou voltar para a Suécia – ela havia viajado para a Índia junto e algumas amigas, percorrendo a chamada “Trilha Hippie”, que ligava a Europa ao sul da Ásia, passando pela Turquia e pelo Oriente Médio.

Os dois passaram um ano e meio trocando cartas, até que Mahanandia decidiu que era hora de vender tudo que ele possuía e ir ao encontro de seu grande amor. Ele comprou uma bicicleta usada, guardou um pouco de dinheiro para a viagem e partiu pelo mesmo caminho que havia levado Charlotte até a Índia.

Sua jornada começou em 22 de janeiro de 1977. Com mais de 6 mil km para percorrer, ele pedalou cerca de 70 km por dia, alternando com algumas caronas de caminhão. Graças ao talento artístico, conseguiu trocar retratos e outros desenhos por dinheiro, comida ou um lugar para passar a noite.

Em 28 de maio, depois de pouco mais de quatro meses de viagem, ele chegou à Europa, em Istambul e depois Viena, e viajou até a Gotemburgo, na Suécia, de trem. Depois de alguns choques culturais e da dificuldade para impressionar os pais de Charlotte, finalmente os dois se casaram.

Eles já estão juntos há mais de 40 anos e seguem se amando, tendo criado dois filhos. A história do casal virou o livro A Incrível História do Homem que Pedalou da Índia à Europa por Amor e, segundo especulações, pode se tornar um filme em breve.

Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal

Com informações da BBC e National Geographic /fonte:via

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As árvores de São Francisco são (quase) esculturas naturais

A fotógrafa Kelsey McClellan, conhecida por sua série Wardrobe Snacks, captura as extravagantes árvores do subúrbio de São Francisco. Residente na cidade californiana há 2 anos, a artista americana fotografa essas criações incríveis da natureza – verdadeiras esculturas de plantas. Caminhando pelas ruas, ela descobre arbustos maravilhosos com formatos cada vez mais excêntricos.

Conheça a série de imagens:

Fotos: Kelsey McClellan /fonte:via