Padre ‘adota’ bebê com Down abandonado: ‘Obrigado pelo presente de aniversário’

O aniversário de 51 anos do padre peruano Omar Sánchez Portillo sempre será lembrado por ele por um motivo especial: seu encontro com o pequeno Ismael, um bebê de dois meses com síndrome de down que foi abandonado pela mãe, mas tem sido cuidado pelo padre e seus assistentes.

A história foi publicada pelo site Aciprensa, que entrou em contato com o padre. Omar relatou que a mãe de Ismael tem 17 anos, e abandonou o filho no hospital. Foi aí que o Associação das Bem-Aventuranças, fundada pelo padre, foi acionada para acolher o menino, e ele tratou de ir pessoalmente até Cusco para resgata-lo.

“Jesus, obrigado pelo presente de aniversário! Jesus nunca deixa de me surpreender. Bem-vindo Ismael! Trazer você de Cusco foi uma grande aventura, a primeira de muitas que vamos viver juntas. Cromossomo do amor, síndrome de Down”, escreveu Omar no Facebook.

“Cerca de 98% das pessoas que acolhemos têm algum tipo de deficiência, capacidade diferente ou doença psiquiátrica ou física”, explica o Sacerdote sobre a Associação, que depende de doações para se manter.

“Eles são uma riqueza para o mundo em todos os sentidos da palavra. Por exemplo, as crianças com síndrome de Down, eu sempre digo, têm um cromossomo adicional, que é o amor”, conclui o Padre, que, além de amoroso, tem um quê de poeta.

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Fotos: Reprodução/Omar Sánchez Portillo/fonte:via

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Pela lei atual, imigrante malinês que salvou bebê deveria ser expulso da França

Às vezes, um ato isolado é capaz de expor os paradoxos e a real complexidade de questões imensas que costumeiramente são tratadas de forma simplista e até preconceituosa.

Foi o que se viu diante do gesto verdadeiramente heroico que o imigrante malinês Mamoudou Gassama, de 22 anos, realizou no último sábado, quando escalou quatro andares para salvar uma criança de quatro anos que estava pendurada na sacada de um edifício em vias de cair para uma morte certa.

A cena é angustiante e emocionante mas, diante do final feliz, o ponto nevrálgico da questão se torna o fato de Mamoudou ser, até então, um imigrante ilegal, sem papel – o que, segundo as leis de imigração do atual governo francês, exigiria que o malinês fosse deportado do país.

O presidente Emmanuel Macron, após a façanha salvadora, rapidamente recebeu Mamoudou e concedeu a ele sua cidadania francesa, em um gesto benévolo e justo, mas que expõe não só a complexidade das relações sociais na Europa de hoje, como o preconceito com que se costuma tratar os imigrantes por lá.

Uma exceção foi aberta no caso concreto de Mamoudou, mas a verdade é que ele não é um caso a parte: a sociedade francesa e europeia de modo geral precisa se adaptar, despida de preconceitos e reconhecendo os efeitos do próprio passado colonialista sobre o qual o continente europeu foi levantado no mundo de hoje, e compreender que ela é feita também de imigrantes.

Momoudou chegou no país há poucos meses, vindo de Mali com o sonho de construir uma vida melhor em Paris. Além de se tornar cidadão, o imigrante recebeu também uma medalha por sua bravura, e a oferta de um emprego junto aos bombeiros. Que Mamoudou merece todos os louros e melhorias em sua vida por seu feito, isso é inquestionável – mas a maior homenagem que se pode fazer ao jovem malinês, no entanto, é não trata-lo como uma exceção, e sim como uma oportunidade de se rever a maneira com que a sociedade francês enxerga os imigrantes.

© fotos: divulgação/reprodução/fonte:via