Kilauea: erupção destrói todas as maravilhas naturais dessa região do Havaí

Todo o habitat natural de uma região do Havaí foi devastado pela erupção do vulcão Kilauea.

A maravilhosa floresta da região de Puna, a mais atingida pelos fluxos de lava, se tornou um terreno estéril, piscinas naturais cristalinas com jardins de corais se tornaram ambientes sujos e sem vida, e um lago de 400 anos evaporou totalmente. Várias criaturas morreram.

“Do ponto de vista humano, o que está acontecendo é trágico”, disse David Damby, vulcanologista do Serviço Geológico dos Estados Unidos. “Mas, do ponto de vista do vulcão, esse é o trabalho que ele faz: construir novas terras e mudar a paisagem”.

“É uma coisa muito poderosa de se testemunhar”, complementou Ryan Perroy, vulcanologista e professor da Universidade do Havaí em Hilo. “Mas, em termos geológicos, também não é um evento inesperado. Foi assim que Puna foi construída, com erupções vulcânicas”.

Floresta de Puna

A perda do habitat da floresta em Puna foi um evento deprimente: primeiro, as árvores frutíferas, flores e samambaias começaram a ficar marrons, definhando no ar nocivo cheio de dióxido de enxofre, e depois a lava substituiu grandes trechos de bosque verdejante por terrenos vulcânicos irregulares e áridos.

“Antes das erupções, essa área era provavelmente a melhor floresta do estado do Havaí”, disse Patrick Hart, professor de biologia da Universidade do Havaí em Hilo. “Havia espaços onde a floresta nativa se estendia até o oceano, e você simplesmente não vê isso no resto do Havaí”.

As florestas úmidas e chuvosas de Puna eram um importante habitat para plantas, pássaros e insetos nativos havaianos. Levará pelo menos 100 anos para que os trechos dizimados prosperem novamente – primeiro com líquen, depois com samambaias nativas e árvores Ohia que se adaptarem para crescer na lava. Em 150 anos, a terra pode começar a se assemelhar a uma floresta como a que costumava estar lá.

Como os especialistas não cansam de se repetir, no entanto, esse é um processo que aconteceu muitas vezes antes no Havaí.

Lago Verde e Baía de Kapoho

A devastação da floresta não foi a única mudança dramática na paisagem. Na manhã de 2 de junho, a lava também entrou no Lago Verde, em Puna. Plumas de vapor começaram a subir de um ponto popular para a natação, onde as profundezas atingiam cerca de 60 metros. Em menos de duas horas, o lago de água doce, com 400 anos de idade, desapareceu totalmente, evaporado.

Apenas alguns dias depois, rios de lava fluíram para perto da Baía de Kapoho, destruindo centenas de casas e cobrindo a água azul-turquesa cheia de corais e uma série de piscinas naturais raras e protegidas ricas em vida marinha.

“A Baía de Kapoho era um lugar de lazer muito importante para as pessoas nesta área. Também era um local de pesquisa muito importante para nós, cientistas”, explicou Steven Colbert, professor de ciências marinhas da Universidade do Havaí em Hilo.

A água ao redor da baía precisará ser limpa para que as piscinas possam florescer novamente, mas isso não acontecerá até que a erupção diminua ou pare. Uma vez que as partículas vítreas vulcânicas se dissiparem e o pH e a temperatura da água voltarem ao normal, o coral pode recomeçar a crescer. Não é impossível que isso ocorra, no entanto: parte daquela área já o fez quando foi formada por lava nas décadas de 1950 e 1960.

O ciclo de destruição e reconstrução da natureza

Enquanto esses processos podem parecer simplesmente ruins para nós, seres humanos, não é necessariamente o caso, do ponto de vista da natureza.

Por exemplo, a rapidez com que o coral havaiano vai florescer novamente depende se a lava vai criar um litoral inclinado, ou piscinas protegidas, como fez em Kapoho, o que pode permitir um crescimento mais rápido do que a taxa usual de um centímetro por ano.

Em termos de organismos marinhos e corais, a região está recomeçando do zero, contudo é mais fácil perder um recife insubstituível para a lava do que perdê-lo para o branqueamento, o que aconteceu em muitos outros lugares do Havaí por causa de um aumento global nas temperaturas oceânicas. Esse aumento é impulsionado por atividades humanas.

“Há a tragédia das pessoas perdendo suas casas e, para nós, cientistas, perdendo nosso local de pesquisa. Mas, do ponto de vista do meio ambiente, esse é um ciclo natural”, disse John Burns, que passou uma década estudando corais nas piscinas naturais havaianas. “Eu prefiro ver um recife morrer de lava do que de branqueamento”.

fonte:via[TheGuardian]

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Esta árvore mágica produz 40 tipos diferentes de frutas

San Van Aken é um artista estadunidense que cria obras de arte vivas. Ele cresceu em uma cidade pequena no estado da Pensilvânia, e estudou artes no ensino superior. Anos depois, porém, sua infância na fazenda passou a fazer parte importante de seu trabalho artístico. Aken conta que seu trabalho “sempre foi inspirado pela natureza e pela nossa relação com a natureza”.

Ele ficou famoso em 2008 por criar a exposição “Eden”, com plantas malucas formadas por vários enxertos de diversas espécies. Mais tarde, ele criou a Árvore das 40 Frutas, que é tão incrível quanto seu nome sugere.

O artista já criou 16 dessas árvores que envolvem 40 enxertos, e as espalhou por museus, centros comunitários e as vendeu para colecionadores particulares nos EUA todo, em estados como Massachusetts, New York, New Jersey, Arkansas e Califórnia.

Usando uma técnica que ele chama de “escultura através do enxerto”, Aken cria árvores que contêm galhos de pessegueiros, cerejeiras, ameixeiras, nectarinas e amêndoas. Algumas dessas plantas vêm de árvores raríssimas de mais de 150 anos de um antigo pomar.

Aken conta que em 2008 ficou sabendo sobre um pomar no estado de Nova York que seria fechado por falta de investimentos. Este único pomar tinha um grande número de espécies raras, antigas e nativas da região, espécies que hoje praticamente não existem mais por causa da pressão da agricultura comercial. Algumas das árvores que seriam perdidas tinham entre 150 e 200 anos.

Para preservar essas valiosas árvores, Aken comprou o pomar e passou a estudar quando cada planta dava frutos. Depois de fazer uma linha do tempo, ele escolheu plantas que produziriam frutos em épocas diferentes e começou a planejar sua árvore mágica.

Para isso, ele escolheu uma árvore forte para ser o porta-enxerto, a base para as outras plantas. Depois de uma espera de dois anos para a base crescer, ele começou a adicionar lentamente enxertos das novas plantas. Essa árvore maluca passou o inverno inteiro se recuperando e na primavera teve a ponta dos enxertos podadas para incentivar a planta a crescer mais rápido.

Depois de cerca de cinco anos e vários enxertos, a Árvore dos 40 Frutos estava completa.

Durante a maior parte do tempo ela parece uma árvore comum, mas na primavera cada galho dá flores de uma cor diferente. Há flores brancas, roxas e de diferentes tons de rosa.

O artista conta que as pessoas que compraram uma dessas árvores estão muito felizes com o resultado. “Elas me contam que ela dá a variedade perfeita de frutos. Então ao invés de ter uma variedade que produz mais do que você sabe que pode comer, ela dá uma quantidade boa de cada uma das 40 variedades. Já que essas frutas ficam maduras em épocas diferentes, entre julho e outubro, você não fica inundado por frutas”.

A árvore é sem dúvidas muito eficiente e bonita, e o melhor de tudo é que preserva um pouco das espécies que estão praticamente extintas dos Estados Unidos.

fonte:via[Science Alert, Epicurious]