15 fotos raras que mostram como era a Disneyland em 1969

Quando o norte-americano Larry Syverson primeiro visitou a Disneyland, em Los Angeles em 1969, o parque havia sido inaugurado há 14 anos, e a Disney ainda não era o império de entretenimento, cinema e comunicação que hoje comanda boa parte do showbusiness do país. Os parques na Flórida ainda não existiam e, para além dos filmes em animação, a Disney era efetivamente um grande parque de diversões na Califórnia. Também não existiam, é claro, smartphones, e as câmeras fotográficas não eram a extensão dos nossos olhos que são hoje.

Larry viajou com sua mulher, Judy – então sua namorada – e registrou tudo em fotos a cores, que hoje, dispostas na internet, se revelam não só como interessantes documentos sobre o próprio parque, como também feito uma máquina do tempo para se observar a época, as roupas, os costumes, as pessoas efetivamente que frequentaram a Disney enquanto Larry fotografava sua viagem. “Nós passamos 15 horas dentro do parque e só saímos quando fechou, a 1 da manhã. Fomos em 22 brinquedos”, ele rememora.

Algumas atrações ainda populares hoje podem ser vistas nas fotos de Larry, como A Small World, o castelo e o Submarine Voyage original – hoje o submarino do Procurando Nemo. Na época não havia um ingresso único para todos os passeios, e era preciso comprar um livro de ingressos para poder viajar nos brinquedos diversos.

Larry era um estudante de geologia de 20 anos e Judy (que nas fotos é a jovem de vestido rosa) viajou de Oklahoma City para se encontrar com ele. O casal nunca mais voltou ao parque, mas recentemente celebrou seu 47o aniversário juntos – uma história de amor digna das mais comoventes fantasias da Disney.

© fotos: Larry Syverson/acervo pessoal /fonte:via

Possível corpo de água líquida é encontrado sob o polo sul de Marte

Finalmente! Depois de anos e anos de busca, os cientistas encontraram evidências de água líquida em um corpo estável em Marte. Segundo observações feitas na calota de gelo no polo sul, o planeta vermelho possui um grande aquífero sob sua superfície. Os pesquisadores detectaram o possível reservatório de água com a Mars Express Orbiter, uma espaçonave europeia que orbita Marte desde 2003. Utilizando o radar da nave, chamado MARSIS, eles detectaram uma área cerca de 1,6 km abaixo da superfície com cerca de 20 km de largura.

Segundo os pesquisadores, a estrutura tem uma assinatura de radar que corresponde a aquela encontrada quando se analisa água líquida subterrânea na Terra, o que leva a equipe a concluir que há um lago sob a geleira.

“Fiquei sem ideias sobre como explicar isso de uma forma que não seja a da água. Tentamos esgotar todas as alternativas possíveis e achamos que fizemos isso”, afirma Roberto Orosei, pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália e líder da equipe, em entrevista ao site The Verge.

Marte é muito frio e seco para a água líquida permanecer em sua superfície. No entanto, pesquisas anteriores já haviam mostrado fundos marinhos antigos e redes de vales fluviais que sinalizam que Marte já foi coberto por rios, córregos, lagoas, lagos e talvez até por mares e oceanos. Pesquisas anteriores encontraram até mesmo possíveis sinais de água líquida fluindo na superfície marciana, porém, essa é a primeira vez que evidências apontam para um corpo de água estável e existente nos dias de hoje no planeta.

Embora eles ainda não tenham detalhes das características de todo o reservatório, ele tem potencial para ser profundo. “Não podemos ver o fundo deste corpo. Ele tem pelo menos dois ou três metros de profundidade”, diz a co-autora do estudo, Elena Pettinelli, geofísica da Universidade Roma Tre, na Itália, ao portal Popular Science.

Possibilidade de vida

A nova descoberta mostra um caminho para encontrarmos vida em Marte. Água líquida normalmente abriga bactérias e outros tipos de seres vivos. Bactérias foram encontradas aqui na Terra em água sob geleiras na Antártida e na Groenlândia, por exemplo. Um reservatório subterrâneo pode ser o lugar perfeito para os micróbios de Marte também sobreviverem.

“Praticamente em qualquer lugar onde há água líquida na Terra, você encontra algo que conseguiu sobreviver”, diz Tanya Harrison, cientista planetária e diretora de pesquisa da Iniciativa de Tecnologia Espacial e Ciência Espacial da Universidade Estadual do Arizona, nos EUA, também em entrevista ao The Verge.

Porém, a descoberta deste corpo de água não significa necessariamente que estamos perto de encontrar vida em Marte. Em entrevista à rede BBC, o Dr. Manish Patel, da Open University, do Reino Unido, diz que a descoberta é como um mapa do tesouro. “Há muito sabemos que a superfície de Marte é inóspita à vida como a conhecemos, então a busca por vida em Marte está agora no subsolo. É onde obtemos proteção suficiente contra a radiação prejudicial, e a pressão e a temperatura sobem para níveis mais favoráveis. Mais importante ainda, isso permite a existência de água líquida, essencial para a vida. Não estamos mais perto de realmente detectar a vida, mas o que essa descoberta faz é nos dar a localização de onde procurar. É como um mapa do tesouro – exceto que, neste caso, haverá muitos ‘X’ marcando os lugares”, acredita.

Sobrevivência sustentada

As evidências de água corrente em Marte – em 2015, a NASA anunciou que listras escuras vistas no planeta provavelmente eram feitas de água salgada – não estavam relacionadas à vida porque estes fluxos não pareciam muito habitáveis: apesar de serem incríveis, considerando que a temperatura média de Marte é de -62ºC, eles são muito pequenos e finos e apenas aparecem durante as partes mais quentes do ano, o que significa que qualquer criatura vivendo ali morreria durante o inverno. “Não haveria condições para uma sobrevivência sustentada”, diz Orosei na matéria do The Verge.

Estas correntes na superfície seriam possíveis porque o sal na água, provavelmente proveniente das rochas marcianas, diminuiria seu ponto de congelamento, permitindo que ela permaneça líquida em condições muito frias.

O aquífero sob a superfície não teria problemas com a mudança nas temperaturas marcianas: os pesquisadores afirmam que ele é potencialmente grande e estável, além de estar longe o suficiente da superfície para que não seja afetado por mudanças na temperatura. (A imagem abaixo mostra uma simulação da detecção do MARSIS: a parte azul escura da imagem da sonda, de alta reflectividade, seria a água líquida).

A água sob a superfície de Marte provavelmente contém muitos sais, como magnésio, cálcio e sódio. A equipe acha que o gelo polar no topo da água está criando muita pressão intensa, o que também torna mais fácil para o reservatório permanecer em estado líquido. O aumento da pressão evita que a água congele a temperaturas mais baixas. Por isso, é possível que este aquífero permaneça líquido durante todo o ano, o que é uma boa notícia para a habitabilidade. “É a coisa mais próxima de um habitat que encontramos em Marte. É o único lugar conhecido em Marte onde um microrganismo terrestre, pelo menos os mais resistentes, poderia sobreviver, embora não tenhamos certeza”, diz Orosei ao The Verge.

Orosei e sua equipe coletaram dados do polo sul de maio de 2012 a dezembro de 2015. Nos dois anos seguintes, a equipe passou a excluir todas as alternativas possíveis para aquilo que o instrumento MARSIS havia medido.

As medições do radar não dão boas indicações de espessura, por isso não sabemos o quão profundo é esse lago. Ele pode ser um corpo de água profundo ou um tipo de lama misturada com pedras. Felizmente, podemos obter mais algumas respostas sobre essa área em breve. Em maio, a NASA lançou uma nova sonda para Marte chamada InSight, projetada para investigar o interior do Planeta Vermelho e descobrir sua temperatura interna. Jim Green, cientista-chefe da Nasa, diz que a sonda de calor da InSight pode nos dizer quanto calor está escapando do planeta e se a água líquida é ou não sustentável mesmo sob o Pólo Sul. “Esse instrumento pode nos ajudar a entender se o calor é adequado para manter essa água líquida e não congelada”, revela.

Se houver um lago sob o polo sul de Marte, isso pode significar que há ainda mais aquíferos por lá que ainda não detectamos. “Este seria o primeiro bolsão de água [em Marte], e isso levanta a questão: há mais deles?”, questiona Green.

A InSight, porém, ainda não é suficiente para confirmar verdadeiramente a existência do lago ou se é realmente um lago. A NASA precisaria enviar um robô para perfurar o gelo ou enviar um tipo de radar mais poderoso para Marte, com mais sensibilidade do que o instrumento MARSIS. Não há planos atuais para enviar uma ferramenta como essa em qualquer futura espaçonave marciana. Mas Green diz que essa descoberta pode levar a conversas sobre que tipo de ferramenta pode fazer sentido enviar.

Um radar mais poderoso também pode ser capaz de descobrir outros aquíferos potenciais sob a superfície de Marte. O reservatório do polo sul tinha que ser razoavelmente grande para o MARSIS capturá-lo, mas um instrumento mais sensível poderia detectar bolsas de água menores. Encontrar mais desses lagos ocultos, especialmente em altitudes mais baixas e mais quentes, pode influenciar muito a maneira como enviaremos humanos a Marte um dia. Se realmente existe um aquífero debaixo de um bom local de pouso, a NASA pode tentar colocar humanos ali para perfurar o solo e procurar por micróbios.

“Isso poderia iluminar uma rede de aquíferos subterrâneos que esperamos ser mais convenientes e, em seguida, nos ajudar a decidir onde os humanos pousariam”, diz Green.

Próximos passos

A existência de água líquida sob a superfície de Marte, porém, ainda não está confirmada. Outro sistema de radar de penetração no solo em órbita de Marte, conhecido como SHARAD, montado na Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, não detectou este reservatório. No entanto, “o SHARAD usa ondas de rádio de alta frequência que não podem penetrar tão fundo quanto o MARSIS”, disse ao Popular Science Pettinelli.

Esta não é uma opinião compartilhada por todos os cientistas, porém. Ali Bramson, cientista planetária da Universidade do Arizona, nos EUA, diz na publicação da Popular Science que este reservatório está nos limites do que o SHARAD pode detectar. “Eu acho que o caso da água líquida seria mais forte se os dois radares tivessem detectado um sinal similar. Estudos adicionais das propriedades de materiais marcianos serão necessários para confirmar a interpretação da detecção”, alerta.

Avaliar se o reservatório existe não será tarefa fácil, uma vez que o polo sul de Marte não é exatamente o local mais apropriado para o pouso de sondas. “As temperaturas extremamente baixas nos polos de Marte e a falta de luz solar durante meses no inverno tornam muito difícil manter uma nave espacial operacional. Além disso, aterrissar no polo sul de Marte seria extremamente desafiador, dada a alta altitude lá, o que significa que não há uma quantidade suficiente de atmosfera para ajudar a desacelerar uma sonda na entrada, descida e pouso”, explica Bramson.

Superado este problema, teríamos que esperar um investimento em perfuração em outros planetas, daquele que Green diz esperar ser discutido na Nasa, para conseguir chegar até a água. “A escavação de quilômetros para chegar à base do gelo, onde essa suposta detecção subglacial de água líquida foi feita, exigiria um grande investimento na expansão das capacidades de engenharia que temos hoje para realizar perfuração profunda remotamente em outro planeta. Mas, se realizado, seria muito empolgante cientificamente, e também muito útil para a utilização de recursos disponíveis em outros planetas, o que ajudaria qualquer futura exploração humana em Marte e além”, acredita a cientista.

fonte:via[The Verge, BBC News, Popular Science]