Homem planta uma árvore por dia por 40 anos em ilha remota, e agora ela é irreconhecível

No nordeste da Índia fica a maior ilha fluvial do mundo, Majuli. Ela está em risco de desaparecer completamente, mas seu estado poderia ser ainda pior não fosse a comovente e corajosa história de Jadav Payeng, um ativista ambiental local.

Majuli

Nos últimos 70 anos, as terras de Majuli encolheram por mais da metade. Os cientistas advertem que ela pode submergir totalmente nos próximos 20 anos.

A ilha está sob constante ameaça devido à extensa erosão do solo em suas margens. A razão para tal erosão é provavelmente a construção de grandes aterros nas cidades costeiras ao rio Brahmaputra.

O rio inunda na temporada de monções. Os aterros protegem as cidades indianas em seu curso, mas acabam redirecionando a fúria devastadora do Brahmaputra para a ilhota.

Desde 1991, mais de 35 aldeias já foram destruídas. Enquanto as autoridades governamentais ainda estão tentando descobrir como salvar Majuli, Payeng já vem fazendo sua parte há 39 anos.

Um pequeno homem capaz de uma grande mudança

Em 1979, Payeng, então com 16 anos, encontrou um grande número de cobras mortas devido ao calor excessivo depois que as inundações as levaram para um banco de areia sem árvores.

Desde então, o indiano fez de sua missão de vida salvar Majuli da erosão através da plantação de árvores. Trabalhando incansavelmente todos os dias, ele já plantou 550 hectares de floresta, um território maior do que o Central Park em Nova York (que tem 340 hectares).

Essa floresta é agora o lar de tigres-de-bengala e rinocerontes-indianos, e até recebe a visita de um rebanho de mais de cem elefantes regularmente.

Para saber mais sobre a fantástica luta de Payeng, você pode assistir ao documentário curta-metragem abaixo, “Forest Man of India” (em tradução livre, “Homem da Floresta da Índia”), em inglês: 

Após quase serem extintas, ariranhas reaparecem nos rios da Amazônia

Os esforços para proteger espécies ameaçadas de extinção ganharam a atenção do noticiário no fim do século XX, e, apesar de muitas delas terem sucumbido frente à ganância humana, há exemplos que nos ajudam a manter a fé em dias melhores na nossa relação com a natureza.

É o caso de um estudo recente que indica que as ariranhas, que chegaram as ser consideradas localmente extintas nos rios da Bacia Amazônica, estão voltando a habitar a região, após terem sua população quase que dizimada pela caça.

O estudo, liderado pela bióloga Natália Pimenta, nasceu graças à observação de índios baniwa, que há alguns anos têm observado o retorno das ñeewi, palavra que usam para se referir às ariranhas. Inicialmente, os índios, que vivem na Bacia do Içana, começaram a encontrar carcaças de peixes com marcas de mordidas de um bicho que eles não eram capazes de reconhecer. Com o passar do tempo, os sinais aumentaram, e muitos moradores chegaram a ver as ariranhas na região.

O animal não era registrado por lá desde os anos 1940, quando caçadores se espalhavam pela Amazônia para matar animais e vender suas peles. Alguns estudos indicam que mais de 23 milhões de animais, de diferentes espécies, foram mortos entre 1904 e 1969.

De acordo com Natália Pimenta em entrevista à BBC Brasil, as ariranhas eram encontradas em toda a América do Sul, da Venezuela ao sul da Argentina, mas a caça fez com que os animais ficassem restritos a poucas áreas, como o Pantanal e alguns rios amazônicos. Elas têm reaparecido também na Bolívia, na Colômbia e nas Guianas.

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