Cabra de Damasco: animal “monstruoso” que se tornou viral é na verdade apenas uma raça comum de cabra

Quando um egípcio chamado Ahmed Ramadan postou um vídeo de um bode com uma aparência deformada na rede social Facebook, as pessoas ficaram tão assustadas que começaram a compartilhá-lo se referindo ao animal como “monster goat” (algo como “cabra monstro”).

As imagens virais, no entanto, não mostram nenhum monstro. O animal não é sequer uma aberração: se trata apenas de um indivíduo comum de uma raça conhecida como cabra de Damasco.

É verdade que o macho visto nessas filmagens em particular tem algumas características exageradas, como cabeça desproporcionalmente gigante, pescoço longo e crânio abobadado, mas isso não é muito diferente de qualquer outra cabra desta raça.

Sem ofensas, mas esses caprinos parecem no geral com algo saído de um filme de ficção cientifica ou de terror.

Cabras de Damasco

Cabras de Damasco são criadas na Síria e em outros países do Oriente Médio há milênios. Embora o animal do vídeo acima tenha sido provavelmente o resultado de cruzamento extremo para enfatizar algumas das características físicas da raça, uma simples pesquisa no Google revela que a maioria desses animais tem a mesma aparência peculiar, como nariz elevado, orelhas que parecem tubos cartilaginosos crescendo para fora do crânio e olhos localizados no lado da cabeça.

Curiosamente, as cabras de Damasco têm um focinho de aparência muito normal quando são jovens, aparentemente para tornar mais fácil a amamentação.

Também nascem com orelhas extremamente longas, que são mais frequentemente cortadas mais tarde na vida, como o animal abaixo, que inclusive ganhou o título de “Cabra Mais Bonita” na competição Mazayen al-Maaz em Riad, no Marrocos, em 2008.

Qualidades

Dito tudo isso, nunca devemos julgar um animal por sua aparência. As cabras de Damasco são em muitos aspectos superiores à maioria das raças de aspecto mais regular.

Por exemplo, são altamente valorizadas pela qualidade geneticamente superior de seu leite, que supostamente ajuda os filhotes a crescerem mais rápido do que os de outras raças. Com cerca de 78 centímetros até o ombro, as cabras de Damasco são maiores do que a maioria das outras raças de caprinos e produzem mais leite.

Também são conhecidas por suas proezas de criação: podem ter de dois a quatro filhotes por gestação. Por fim, sua carne é considerada muito saborosa.
De acordo com a World News Austrália, as melhores cabras de Damasco podem custar até 250.000 ryals sauditas (cerca de R$ 260.730, no câmbio atual).

fonte:via [OddityCentral]

Doença que havia desaparecido está retornando em países ricos

É difícil pensar em desnutrição em países ricos e com altos índices de obesidade, mas ela está presente por lá também. Essas dietas ricas em carboidratos e gorduras e pobres em vitaminas fez uma doença muito simples de se tratar retornar aos Estados Unidos: o escorbuto.

Ao ler este nome, muitos devem ter pensado nos marinheiros do século XV, que passaram meses no mar comendo carne seca e bolachas. Sem acesso a frutas e verduras, e consequentemente à vitamina C, esses marinheiros logo começavam a ficar com as gengivas sangrando e perdiam os dentes. Depois, havia dores nas articulações e feridas que não cicatrizavam. Em três meses sem ingerir a vitamina, muitos deles morriam.

A falta da vitamina aumenta riscos de hemorragias, infecções e ataques cardíacos.

O tratamento para o escorbuto foi descoberto em 1.747 e é simplesmente ingerir pequenas quantidades de vitamina C todos os dias.

O médico Eric Churchill, da cidade de Springfild, Massachusetts (EUA), atendeu um paciente com sangramento nas gengivas, dentes em mal estado, perda de cabelo e fadiga extrema há seis anos, e logo diagnosticou a doença. Ele alerta que muitos médicos não pensam nisso atualmente, já que esta é uma doença que havia desaparecido.

“O caso inicial era muito dramático, alguém com doença mental que só comia queijo e pão”, explicou o médico ao ScienceAlert. “De lá para cá, diagnosticamos entre 20 e 30 pessoas com escorbuto.

O médico passou a questionar os pacientes sobre suas dietas e liderou um grupo de pesquisa sobre o escorbuto no ambiente urbano. Uma das pacientes, Sony Lopez, vive na linha da pobreza e passou vários anos comendo apenas uma refeição por dia, e acabava optando por comidas mais calóricas para tentar aplacar a fome. Assim, deixava as frutas e verduras de lado. A receita que recebeu do médico foi “comer uma laranja por dia”.

“Muitas pessoas que têm dificuldade em comprar comida acabam escolhendo alimentos gordurosos, com muita caloria e que enchem. Se você tem um orçamento limitado para comida, essas são as comidas que vão te encher e te satisfazer mais do que frutas e verduras”, aponta o médico.

Mas muitos dos pacientes de Churchill são obesos ou com sobrepeso. Casos como esses mostram que comer excessivamente não é sinônimo de ingerir todas as vitaminas necessárias.

Os casos de escorbuto não estão restritos aos EUA entre os países ricos. Em 2016, um relatório da Austrália indicou que havia uma incidência assustadora de casos entre pacientes diabéticos.

A médica Jenny Gunton, do instituto de pesquisa Westmead (Austrália), diz que alguns de seus pacientes com escorbuto realmente não ingeriam frutas e verduras, enquanto outros comiam esses alimentos, mas estavam os cozinhando excessivamente. “Isso destrói a vitamina C”, diz ela.

Churchill concluiu em seu estudo que pessoas mais pobres sofrem mais com a doença. “A pobreza ao redor do mundo fere as pessoas de muitas formas – da exposição à violência à falta de voz e oportunidade, passando pelo acesso limitado à comida saudável e atendimento médico”, diz, apontando que esse tipo de doença não deveria mais existir em países desenvolvidos.

A vitamina C pode ser encontrada na acerola, mamão, laranja, limão, melão, brócolis, kiwi e outros vegetais.

fonte:via [ScienceAlert]