Funai divulga filmagem com drone de área isolada da Amazônia

O desmatamento da Amazônia atingiu um recorde em junho deste ano: 1.169 quilômetros quadrados foram destruídos, o maior número desde que o monitoramento mensal começou em 2007.

A perda da floresta é sem dúvida terrível para o planeta como um todo, mas especialmente trágica para as pessoas que vivem lá.

Na semana passada, a Fundação Nacional do Índio (Funai), uma agência governamental brasileira cuja missão é proteger os habitantes indígenas da floresta tropical, divulgou um raro vislumbre de índios isolados feito por um drone que sobrevoou o Vale do Javari, próximo à fronteira peruana:

Além disso, a agência compartilhou algumas fotografias tiradas por uma expedição de 2017 que percorreu mais de 180 quilômetros por barcos, caminhões, motocicletas e a pé pelo Vale do Javari e norte da Terra Indígena Mawetek.

Crimes

Durante a expedição, os membros da Funai encontraram evidências de caça ilegal e alertaram a polícia local. A equipe encontrou provas da presença assídua de caçadores em diversos igarapés afluentes do rio Juruazinho.

Duas equipes de caça que se encontravam próximas aos limites do Vale do Javari foram flagradas com ilícitos ambientais. A polícia militar realizou a apreensão e soltura de animais vivos. Além disso, um proprietário de terras da região, que pretendia ocupar ilegalmente parte da Mawetek, e outros dois proprietários de fazendas de gado foram notificados formalmente com prazo para retirada de seus bens e correção de suas cercas de acordo com os limites das terras protegidas.

Segundo a Funai, o Vale do Javari é a segunda maior terra indígena do país e é ocupada por seis povos contatados (Matsés, Matis, Marubo, Kanamari e Kulina-Pano), dois de recente contato (Korubo e Tsohom Djapa) e outros 11 confirmados, mas isolados. Já a Mawetek é de usufruto exclusivo do povo Kanamari.

Todas essas tribos estão ameaçadas não só pelo desmatamento, mas também pela violência – encontros com ocupantes ilegais frequentemente acabam mal para esses povos. A tarefa de proteger os indígenas é complicada, no entanto. Um equilíbrio cuidadoso deve ser continuamente alcançado entre o apoio governamental e o contato potencialmente destrutivo.

fonte:via[BigThink]

Sinistras “pedras da fome” estão aparecendo pela Europa

À medida que a Europa passa por uma seca recorde no verão de 2018, lembretes sinistros de sociedades antigas estão ressurgindo pela paisagem.

Estamos falando de inscrições conhecidas como “pedras da fome”, esculpidas ao longo dos séculos em épocas de dificuldades, com iniciais de autores perdidos para a história.

Devido aos baixos níveis de água na região central do continente, tais inscrições têm reaparecido principalmente na República Tcheca.

Registros históricos

Essas pedras ficam tradicionalmente abaixo da linha de água do rio Elba. Na cidade de Děčín, no norte da República Tcheca, graças às condições atuais, mais de uma dúzia dessas rochas foram novamente expostas.

O mais antigo e famoso destes marcos, de acordo com o guia turístico de Děčín, contém uma inscrição que data de 1616 onde se lê: “Wenn du mich siehst, dann weine” (em tradução livre, “Se você me ver, chore”).

Enquanto o registro legível mais antigo nesta “pedra da fome” seja de 1616, a rocha comemora numerosas secas que datam de 1417.

Uma “pedra da fome” na Alemanha também aponta para essa data, lendo: “Se você voltar a ver esta pedra, então você vai chorar, tão rasa quanto a água foi no ano de 1417”.

Sinais de tempos ruins?

A maioria dessas “pedras da fome” contém frases sombrias, como “Nós choramos, e você vai chorar” e “Quem uma vez me viu, chorou. Quem me vê agora vai chorar”.

As razões para esses ataques de choro podem ser numerosas. Quando a seca e o calor chegam na região, sinalizam possíveis colheitas ruins, falta de comida e preços mais altos. Com níveis baixos de água, o transporte fluvial também se torna mais difícil, ameaçando o sustento de famílias que vivem ao longo da costa.

Com o Elba agora em seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca atual serviu ainda para nos lembrar de um outro tipo de miséria: bombas e granadas não detonadas da Segunda Guerra Mundial, que vêm corroendo há mais de 70 anos nessa hidrovia, também reapareceram.

Enquanto os cientistas não podem dizer o que o mais recente verão escaldante do Hemisfério Norte anuncia para o futuro, nem todas as inscrições antigas de Děčín são previsões de filme de terror. Pelo menos uma tenta aliviar o clima: “Neplac holka, nenarikej, kdyz, je sucho, pole strikej”, algo como “Não chore, garota, não se aflija. Quando estiver seco, apenas pulverize seu campo”.

fonte:via[ScienceAlert]