Artista usa notas de dinheiro como telas para que sua arte viaje pelo mundo

Hypeness

Se o valor monetário de uma obra de arte é sempre um tanto abstrato e depende de uma porção de variáveis externas, no caso do trabalho de Mari Roldán Cañete o próprio suporte de suas pinturas já define um valor inicial – literalmente. A artista de Málaga, na Espanha, usa notas de Euro como tela, desenhando sobre o dinheiro. O que a levou a utilizar essa superfície, porém, não foi o valor agregado – mas sim a mobilidade que as notas naturalmente possuem.

Hoje com 23 anos, Cañete diz que tem duas paixões desde muito jovem: a pintura e a vontade de viajar. Desenhar foi hábito que manteve da infância em diante, e chegou a pensar em se tornar aeromoça só para poder conhecer o mundo todo, mas nenhum dos dois desejos efetivamente se tornou seu trabalho – até recentemente, quando teve uma epifania reveladora: se ela não podia viajar o mundo, ao menos sua arte poderia. E a melhor maneira de fazer isso acontecer seria pintando em dinheiro.

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Ela agora se dedica de fato à sua arte, e usa a natureza móvel do dinheiro, sempre passando de bolso em bolso para todas as partes do planeta, para que seus desenhos possam fazer as viagens que ela ainda não pode. Assim, seu trabalho chega às novas culturas e pessoas que ela sonha em conhecer.

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Quase sempre reproduzindo pinturas clássicas ou ícones da cultura pop na face das notas de euro e dólar, com seu talento é ela quem agrega valores maiores aos estabelecidos para cada cédula. Cañete vem começando a ser reconhecida – e assim seus dois sonhos vão efetivamente ficando cada vez mais próximos.

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© fotos: Mari Roldán Cañete /fonte via

O dia em que Paul McCartney fumou o baseado mais forte de sua vida com Fela Kuti na Nigéria

Corria o ano de 1973 quando Paul McCartney decidiu que não gravaria o próximo disco do Wings, então sua banda – o histórico “Band On The Run” – em um estúdio habitual, nem em sua casa, nem em Londres. Paul decidiu que aproveitaria que sua gravadora, a EMI, tinha estúdio espalhados pelo mundo, e escolheu a mais exótica e excitante opção: as gravações aconteceriam em um estúdio em Lagos, na Nigéria.

Ao chegar no país, qual não foi sua surpresa quando viu nos jornais, que estava sendo acusado de ir ao país para roubar a música negra local. O acusador? Ninguém menos que o lendário músico, compositor, cantor e multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti. Conforme contou em entrevista recente, foi com Fela que Paul fumou o mais forte baseado de sua vida.

Antes desse amigável e divertido encontro entre gigantes da música, porém, Paul precisou pedir licença e se explicar. Fela já era, como ainda é, uma verdadeira lenda no país, espécie de imperador da música e da cultura nigeriana, e nada podia acontecer na Nigéria sem a sua permissão – mesmo uma gravação de um ex-Beatle. Paul precisou ir até a casa de Fela que, entre suas 30 esposas e suas dezenas de seguranças, escutou as ideias e gravações que Paul iria fazer no país para compreender que ele não queria roubar sonoridade alguma – McCartney só queria mesmo um ambiente inspirador para gravar seu disco.

Os dois então tornaram-se amigos, e se frequentaram ao longo da estadia de Paul no país. Em um desses encontros, no qual juntou-se ao séquito de Fela o também mítico Ginger Baker, baterista do Cream que então vivia em Lagos, para todos juntos irem à Afrika Shrine, a boate de Fela. “Ele costumava marinar sua maconha dentro de uma garrafa de uísque”, contou Paul. “Então nós chegamos lá e eu disse [para seu grupo]: ‘Não vamos fumar essa maconha’. Era muito forte, estávamos no meio da floresta, tudo escuro”.

Paul, porém, foi de certa forma desafiado por Fela. “Estávamos lá com ele quando um dos seus amigos me ofereceu um baseado. Eu disse ‘Não, obrigado’, e ele então ofereceu ao Ginger Baker, que disse ‘Sim, claro!’”, seguiu Paul, na entrevista. “Então, Fela gritou: ‘Ginger Baker! A única pessoa que conheço que nunca recusa um baseado!’. Aí eu disse: ‘Ah, ok, eu aceito um’”. O efeito, porém, impactou até mesmo a Paul McCartney.

“Cara, eu viajei. Era muito forte. Mais forte do que qualquer coisa que eu já tinha fumado. Não sei se tinha alguma coisa na maconha”, ele disse. “Mas, ao fim, foi uma boa noite”.

De sua estadia na Nigéria o baixista dos Beatles levaria não só a amizade de Fela e esse grande encontro como como um disco brilhante e o maior sucesso de sua carreira solo: Band On The Run venderia mais de 6 milhões de cópias no mundo e se tornaria a grande afirmação da força de McCartney em carreira solo dali pra frente – e a memória do mais potente baseado de sua vida.

© fotos: reprodução /fonte via