Cientistas vencem Nobel de Medicina por revolução no tratamento contra o câncer

Nesta edição, o Prêmio Nobel de Medicina premiou o trabalho de dois cientistas para encontrar uma terapia mais efetiva contra o câncer.

James P. Allison e Tasuku Honjo ganharam o prêmio de R$ 4 milhões por terem descoberto uma terapia que incentiva o ataque de células de defesa do organismo contra os tumores.

Apesar de terem conduzido as pesquisas separadamente, o norte-americano e o japonês conseguiram entender o funcionamento de duas proteínas produzidas por tumores – a CTLA-4 e a PD-1 – que acabam paralisando o sistema imune do paciente durante o tratamento do câncer.

A grande sacada foi quando o imunologista James P. Allison, de 70 anos, funcionário da Universidade do Texas, descobriu que a criação de um bloqueio da proteína poderia sabotar o freio sobre os linfócitos T, permitindo que as células atacassem o tumor novamente.

“Os tumores produzem as proteínas, chamadas de checkpoints, que bloqueiam o linfócito T, que é a célula mais importante do sistema imune que ataca o tumor. Essas drogas [pesquisadas] retiram esse bloqueio e recuperam o poder de ataque dos linfócitos que estavam paralisados por essas proteínas”, disse ao G1 o oncologista Fernando Maluf, diretor associado do Centro de Oncologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O também imunologista, Tasuku Honjo, 76, da Universidade de Kyoto, no Japão, encontrou na proteína PD-1, uma resposta para sua atuação sobre o linfócitos T. Ele se valeu de experimentos em laboratório e em 2012 conseguiu demonstrar eficácia no tratamento de pacientes com vários tipos de câncer.

Em entrevista à Deutsche Welle, Allison disse ter tentado “compreender a biologia das células T, essas células incríveis que viajam pelo nosso corpo e trabalham para nos proteger”

As pesquisas trouxeram otimismo e Klas Kärre, membro do comitê do Nobel, diz acreditar em “curar o câncer com isso”.

Em tempo, esta não foi a primeira vez que o Nobel reconhece os esforços de cientistas em busca de uma cura para o câncer. O tratamento hormonal contra o câncer de próstata (1966) e o transplante de medula para tratar leucemia (1990), já foram premiados. Desta vez, a grande diferença é o peso da descoberta de Allison e Tasuku. Para se ter ideia, há mais de 100 anos os cientistas tentam acionar o sistema imune para lutar contra o câncer.

Foto: reprodução/fonte:via

Filho de faxineira, cearense que catava latinhas vai estudar em Harvard

Professor do Cariri trabalhou como catador e foi selecionado para lecionar numa das mais tradicionais universidades do mundo — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

Não faz muito tempo que o cearense Ciswal Santos, de Juazeiro do Norte, catava latinhas nas ruas para vender e usar o dinheiro para comprar apostilas e completar os estudos da faculdade. Ele se tornou professor de ciência da computação e agora vai para Harvard participar de um projeto para gerar energia solar a baixo custo.

Valdenora, a mãe de Ciswal, trabalhava como faxineira, e ele começou a trabalhar ainda na adolescência para ajudar a pagar as contas. Ele entrou na faculdade de Física logo aos 16 anos, mas o emprego em um mercado, que na época pagava R$20 por semana, não era o suficiente para pagar materiais como livros e apostilas.

Professor cearense é selecionado para dar aulas na universidade Harvard, nos Estados Unidos — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

O cearense contou ao G1 que passou a andar pelos bares de Juazeiro do Norte para catar as latinhas que ficavam jogadas pelo chão e vender para cooperativas de reciclagem. Ele chegou perto de desistir, mas recebeu apoio do dono de um dos bares em que ele recolhia as latas.

Me senti um nada e chorei. Contei a ele o motivo, ele colocou a mão no meu ombro e disse que eu não precisava me envergonhar e que não era mais para ir lá tão tarde, e sim usar o tempo para estudar mais, porque ele guardaria as latinhas para eu pegar pela manhã“, relata.

Harvard

Ciswal um equipamento capaz de reduzir o consumo de energia elétrica de casas de 4 pessoas em até 70%. Hoje, o aparelho é orçado em R$2,2 mil, mas ele pretende otimizar o projeto para que ele fique ainda mais barato: “Já tive contato com pessoas que desenvolvem tecnologia asiática – que está bem a nossa frente – e podemos fazer uso dessa tecnologia para reduzir o custo do equipamento para R$ 1,2 mil, mas o objetivo final é baratear para um salário mínimo”, disse ao G1.

O projeto fez com que Ciswal fosse selecionado para receber gratuitamente aulas de professor da Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo. Serão 18 meses de aulas on-line, que podem se estender por mais 18. Os novos conhecimentos devem ajudar o cearense a aprimorar sua criação.

Ao fim do período letivo com os professores de Harvard, Ciswal poderá correr atrás de recursos públicos ou privados para tirar o projeto do papel – o regulamento da Universidade não permite que isso seja feito em paralelo às aulas.

Ciswal escolheu o ensino à distância para continuar próximo de suas duas filhas. Ele acompanhará as aulas por videoconferência, das 23h às 2h no horário local, e vai viajar para Cambridge, nos EUA, a cada seis meses para fazer provas e outras avaliações.

(Foto: Alana Soares/Agência Miséria /fonte:via)