Lutando pelo óbvio: mobilização reivindica trocadores em banheiros masculinos

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Os efeitos do machismo, dos padrões desiguais e da normatização de gênero podem ser percebidos em diversas camadas de nossas vidas – até mesmo na arquitetura de banheiros. Com um post o americano Donte Palmer revelou um exemplo evidente dessa lamentável realidade: o fato de praticamente nenhum banheiro masculino oferecer trocadores para que os pais possam trocar a fralda de seus filhos e filhas. A foto mostra o esforço de Donte ao ter que fazer a troca com seu filho sobre suas pernas.

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No post, Donte fala sobre como ele com frequência precisa fazer o malabarismo da foto para conseguir trocar a fralda do filho em um banheiro público. “É como se não existíssemos”, ele diz enquanto pai. E esse claramente não é um problema circunscrito ao estado da Flórida, nos EUA, de onde Donte escreve – por todo o mundo, inclusive no Brasil, restaurantes e todo tipo de estabelecimento público não oferece um local limpo e seguro dentro do banheiro masculino para que os pais possam realizar a troca.

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Aos 31 anos, Donte com seu post se tornou a face de um movimento que exige que os banheiros instalem trocadores nos banheiros masculinos. Trata-se, para além da afirmação politica e cultural, de uma necessidade real, seja para que as tarefas possam ser divididas entre o pai e a mãe, seja para os tantos pais que passam uma parte do tempo sozinho com seus filhos possam cuidar das crianças quando na rua. Na página de Donte no Instagram ele vem compartilhando outros pais que aderiram ao movimento e postaram fotos em situações similares.

Pode parecer um detalhe, mas é em verdade um símbolo e uma necessidade óbvia – algo que precisa urgentemente ser corrigido.

© fotos: Instagram/fonte:via

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Prêmio Nobel vai para ativistas combatentes da violência sexual como arma de guerra

Denis Mukwege e Nadia Murad venceram o Nobel da Paz de 2018

Nesta edição, o Prêmio Nobel da Paz reconheceu a luta de ativistas contra a violência sexual. Nadia Murad, ex-escrava sexual do grupo extremista Estado Islâmico e o médico ginecologista Denis Mukuwege, foram os homenageados.

O anúncio foi realizado na manhã desta sexta-feira (5), em Oslo, na Noruega.  Aos olhos da comissão julgadora, os esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra e o conflito armado devem ser reconhecidos.

Com apenas 25 anos, Nadia Murad possui uma história de vida impressionante. A jovem se tornou ativista dos direitos humanos do povo yazidi depois sobreviver a três meses de escravidão sexual no Iraque. Ela escapou do cativeiro imposto por membros do Estado Islâmico em 2014.

Desde então, Nadia lidera uma campanha mundial para impedir o tráfico de seres humanos e combater a escravização sexual. Seu objetivo é libertar o grupo étnico-religioso yazidis, considerados ‘traidores’ pelo EI. Pelo menos 3 mil mulheres yazidis foram vítimas de estupro no Iraque.

Desde que se libertou, além do Prêmio Nobel Nadia Murad foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico Humano.

Denis Mukwege, de 63 anos, é o ‘doutor milagre’. O ginecologista dedicou grande parte de sua vida em combater a incidência de violência sexual na República Democrática do Congo. O médico tratou mais de 30 mil vítimas de ataques, se colocando como um dos grandes especialistas no tratamento de lesões sexuais graves.

Mukwege montou um hospital com mais de 300 leitos e um sistema para auxiliar financeiramente estas mulheres no recomeço de suas vidas. O médico chegou a sofrer um atentado, mas não se deixou abater.

O ‘doutor milagre’ não poupa críticas ao abuso sofrido por mulheres durante guerras. Para ele, o estupro é uma “arma de destruição em massa”. Estima-se que 6 milhões de pessoas tenham morrido desde o início da guerra civil na República Democrática do Congo.

Quando a notícia sobre o Nobel foi recebida, Denis estava em cirurgia. Logo depois, disse que podia “ver nas faces de muitas mulheres como estão felizes de serem reconhecidas”.

Para a presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen, a edição de 2018 do Nobel envia ao mundo a mensagem de que “as mulheres, que constituem metade da população, são usadas como armas de guerra e precisam de proteção. Os responsáveis devem ser responsabilizados e punidos”.

Fotos: Reprodução/fonte:via