Aposentada ensina português e ‘adota’ imigrantes africanos como filhos em SP

Se a língua pode ser a primeira barreira para um refugiado ou imigrante, a saudade e a distância da família são as barreiras incontornáveis e fundamentais para o recomeço em um novo país. Para alguns imigrantes que chegam em São Paulo, em especial no bairro da Mooca, a aposentada Sonia Altomar oferece uma calorosa e transformadora ajuda para amenizar essas duas questões: além de há seis anos dar aulas voluntárias de português para os imigrantes que vivem na casa de acolhida Arsenal da Esperança, Sonia indica aos alunos outros cursos, vagas de emprego, os visita doentes ou simplesmente oferece um ombro amigo em momentos difíceis.

O laço afetivo entre Sonia e seus alunos é tamanho que muitos a chamam de “minha mãe brasileira”. Tudo começou quando ela liderava um projeto de alfabetização para pessoas em situação de rua, e viu a chegada dos imigrantes haitianos. Por ser formada em português e francês, Sonia os pode ajudar especialmente, e a urgência com que precisavam aprender nossa língua comoveu a professora, que desde então não parou mais a ajudar quem chega ao Brasil.

Todos os seus ex-alunos, em especial os que melhoraram de vida e conseguiram um emprego, relatam o tratamento especial e carinhoso que Sonia oferece. No Arsenal da Esperança hoje são 1.200 pessoas que recebem cama, banho, alimentação, cuidados com a saúde, além de cursos – a maioria vive em situação de rua. Paradoxalmente o filho de Sonia vive na Alemanha, mas sua atribulada agenda por aqui a impede de visita-lo tanto quanto gostaria – são muitos os que precisam de suas aulas e ajudas em São Paulo. Sonia muitas vezes vai até o empregador, a fim de oferecer uma chancela especial para que seu aluno seja contratado.

Ela garante que só vai parar de ajudar quando seu corpo não mais permitir, se oferecendo como um exemplo perfeito de como melhor lidar com a questão dos imigrantes em qualquer lugar do mundo: com educação, empatia, dedicação e afeto. A humanidade, como um todo, agradece – em qualquer lugar do mundo.

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Já ouviu falar dos vinhos da Bolívia? O NYT está querendo que você prove

Vinhedos da Uvairenda plantados a 1.750 metros de altitude, na cidade de Samaipata, na Bolívia.

Quando pensamos nos melhores vinhos do mundo, rapidamente nos vem à cabeça os franceses, italianos, portugueses, argentinos, até mesmo os americanos, entre outros. A ciência a respeito da avaliação de qualidade dos vinhos é um tanto inexata, e recentemente, em um teste às cegas, algo de verdadeiramente inesperado aconteceu: ainda que o primeiro colocado no teste fosse um vinho francês, o vinho que recebeu a prata veio de um pequeno e inesperado país, sem qualquer especial tradição nesse universo: o segundo colocado foi o vinho Único, produzido na Bolívia.

Tannat é a uva tinta mais produzida no país. Na foto, trabalhadores da vinícola Aranjuez separam uvas depois da colheita.

Enquanto o primeiro colocado, o francês La Tyre, costuma ser vendido por até 150 dólares, o Único, produzido pelo Campos de Solana, costuma ser vendido por um décimo desse preço – de certa forma, foi como se a Bolívia tivesse vencido o concurso. Com o resultado, não é exagero afirmar que a Bolívia vem se tornando uma das mais excitantes novidades entre os produtores de vinho – um mercado ainda desconhecido e, por isso, com excelente custo-benefício.

"Já que você vai beber, por que não beber algo que ajude o desenvolvimento?", diz o importador americano Ramon Escobar sobre vinhos bolivianos.

A produção boliviana ainda é muito pequena – somente 8.3 milhões de litros anuais dentro do oceano de 25 bilhões de litros produzidos anualmente no mundo – mas certas singularidades do país, como sua altitude extrema e o sol intenso, ajudam no desenvolvimento não só das plantações como na própria singularidade do sabor da bebida. O feito realizado pelo Único no concurso foi noticiado até mesmo pelo New York Times.

As ambições são altas dentre os produtores bolivianos, que já começam a exportar com destaque para o resto do mundo, especialmente para os EUA, o Brasil e a China, e não somente por uma questão de posicionamento no mercado: estima-se que a cada 25 acres de uvas plantadas no país, 10 famílias são tiradas da pobreza através das oportunidades de trabalho. Em se tratando de um dos mais pobres países da América Latina, trata-se de um estímulo e tanto, para transformar o vinho boliviano no mais novo queridinho entre enólogos do mundo.

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