Ghetto Tarot: fotógrafa recria cartas do tarô com pessoas em situação vulnerável do Haiti

O famoso baralho de tarô Rider-Waite-Smith, ilustrado em 1900 pela artista Pamela Colman-Smith, serviu como base para que a fotógrafa belga Alice Smeets desenvolvesse o projeto Ghetto Tarot, utilizando a mitologia e os arquétipos ancestrais do tarô para combater a ignorância e o preconceito e procurar alterar a percepção comum que se tem dos guetos. Assim, Alice se juntou ao grupo de artistas haitianos Atis Rezistans para recriar, no coração das favelas de Porto Príncipe, capital do Haiti, as cenas das clássicas ilustrações de Pamela que estampam cada carta do baralho.

A ideia era apresentar a favela haitiana, representando assim todos os guetos do mundo, sob outra luz, da criatividade e da força de seus cidadãos, e aproximar os arquétipos do tarô à realidade de tanta gente no mundo. Os moradores haitianos posaram para se transformarem, eles mesmos, na imagem do sol, da morte, da estrela, do enforcado, do mágico.

A palavra “gueto” no Haiti é muito associada ao racismo, à pobreza e à exclusão. O projeto procurou também se libertar de tais ideias pré-concebidas e se apropriar da palavra para oferecer a ela um novo valor, afirmativo e positivo. “Nós emprestamos uma palavra que significa algo de acordo com a maneira como fomos criados. Cada um dos nossos sentimentos é uma escolha baseada em nosso pensamento. Com essa consciência vem o poder de mudar o significado de cada palavra, ação e emoção. É tudo sobre percepção”, diz Alice.

A relação de Alice com o Haiti é antiga, e suas fotos documentais do país não só rodam o mundo como já lhe valeram diversos prêmios, inclusive o Prêmio Unicef de Foto do Ano, em 2008. O projeto Ghetto Tarot visou, dessa forma, reunir três paixões da fotógrafa: o mundo espiritual, a cultura e as pessoas do Haiti. A parceria com o Atis Rezistans foi determinante, portanto, para oferecer o sentido especial ao projeto: além de usar as peças criadas pelo grupo a partir de sucatas como cenografia das fotos, os artistas criaram os cenários de cada imagem.

© fotos: Alice Smeets/fonte:via

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Bancário Robin Hood tirava dinheiro da conta dos ricos para habilitar empréstimos a pobres

Se a veracidade da antiga lenda de Robin Hood, personagem do folclore inglês desde o século XIII que roubava dos nobres e ricos para dar aos pobres, é motivo de debate até hoje, a história do Robin Hood da pequena cidade de Forni di Sopra, na Itália, é real, na qual um gerente de banco “se apropriou” de cerca de 1 milhão de euros dos acionistas mais ricos para ajudar os empréstimos aos mais pobres.

Tudo começou em 2009, no auge da crise econômica global, quando Gilberto Baschiera viu mudarem as regras para a concessão de empréstimo em seu banco: o critério para permitir a oferta passava a ser a confiabilidade do cliente, estabelecida através de premissas avaliadas por um computador. Quando um morador local teve seu pedido recusado na mesa de Gilberto, o gerente teve pena pelo homem e, ao invés de dispensa-lo, retirou um pouco de dinheiro da conta de outro acionista rico e transferiu para a conta do pobre homem, para que ele se tornasse qualificado a receber o empréstimo. Assim que o empréstimo entrou, o gerente pediu que o valor fosse logo devolvido.

Na pequena comunidade de cerca de 1 mil pessoas, rapidamente a “generosidade” de Gilberto ganhou a boca do povo, e várias outras pessoas foram atrás dele para conseguir um empréstimo. E ele as deu, seguindo no mesmo método – sempre pedindo que o valor fosse devolvido rapidamente. Naturalmente que, com o passar do tempo, vários dos que receberam o dinheiro não devolveram o pequeno valor inicial, e assim, passados sete anos, o Robin Hood de Forni de Sopra acabou descoberto – e condenado a dois anos de prisão.

O fato de não ter pegado um centavo do dinheiro desviado para si fez diferença na aplicação da pena, e Gilberto não precisou ser efetivamente preso – perdendo, porém, seu emprego, sua casa, e a possibilidade de voltar a trabalhar em um banco. Arrependido pelo tanto que perdeu, o gerente diz que não repetiria hoje seu gesto, mas que tudo que queria era ajudar os que mais precisam. “O sistema bancário abandona os pensionistas que ganham o mínimo e os jovens sem recursos”, ele disse.

Após conseguir o acordo judicial, Gilberto telefonou a todos os acionistas que tiveram seu dinheiro utilizado para a transição para a explicar os motivos de suas ações. “Eu sempre pensei que, além de proteger nossos acionistas, nosso trabalho era ajudar os que precisam”, concluiu.

© fotos: reprodução/fonte:via