Quilombolas recuperam sistema agrícola de mais de 300 anos que não usa adubo nem agrotóxicos

Às vezes para evoluir é preciso também olhar para trás, e reconhecer no conhecimento do passado uma solução para um problema do presente e do futuro. Um exemplo disso é a Roça de Coivará, uma técnica de plantio com mais de 300 anos que vem sendo recuperada pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste paulista. Trata-se de um sistema tradicional dessas comunidades, que não utiliza agrotóxicos nem adubos para as plantações, e que foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.

O sistema se baseia no rodízio de áreas de plantio. Assim, o quilombola escolhe uma área, desmata esse pequeno trecho de terra e ateia fogo de forma controlada. Depois, observando os ciclos da lua, ele planta. É justamente as cinzas que sobram, assim como os troncos da queimada, que mantêm a terra fértil e propensa para o plantio. Trata-se de uma forma de manejo da terra fundamental para as 48 comunidades quilombolas e mais de 700 famílias do Vale da Ribeira.

A Roça do Coivará é um entre tantos exemplos de conhecimentos ancestrais que precisam ser recuperados e preservados a fim, por exemplo, de preservar o meio ambiente. Para isso, porém, é preciso também recuperar e preservar as próprias comunidades quilombolas e sua cultura, e não deixar que a intolerância e a ignorância das autoridades destruam a vida, a história e o conhecimento desses povos.

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Ex-interno da Fundação Casa é premiado em feira de ciências com projeto ecológico

A história do jovem Jonathan Felipe da Silva Santos, de 18 anos, é a perfeita ilustração não só de como a educação pode transformar a vida das pessoas (e, com isso, melhorar a realidade em nossa volta) como de que investir na instrução de detentos traz benefícios não só para o preso, mas para toda a sociedade. Jonathan acaba de ganhar o título de revelação na Feira de Ciências da Educação de São Paulo, com o projeto de um composto capaz de, através dos resíduos de giz, corrigir a acidez do solo. O diferencial é que o projeto foi todo desenvolvido nas aulas que o jovem teve enquanto era um interno da Fundação Casa.

Jonathan foi preso por ter comprado uma moto que não sabia que era furtada, e tentado revender suas peças. Ele ficou na Fundação por sete meses, onde elaborou o projeto com a ajuda de professores e orientadores. A ideia surgiu nas aulas de química, quando descobriu que a acidez do solo prejudicava a agricultura. Ele então desenvolveu um composto que neutraliza essa acidez utilizando resíduos de giz escolar.

Atualmente Jonathan está no segundo ano do ensino médio em uma escola na cidade de Araçatuba, e seu sonho é concluir os estudos para cursar medicina veterinária. “Um pedaço de giz mudou minha vida e quero me dedicar para buscar meu objetivo agora”, ele disse. Tornar-se veterinário e conseguir um emprego para ajudar sua mãe é seu sonho – e sua inteligência e a ajuda de quem não desistiu dele foram e seguirão sendo seus combustíveis.

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