Mulher doa rim para ‘estranho’: ‘Quero que ele tenha uma vida bonita’

Estar na fila de espera por uma doação de um órgão, ou ver algum ente amado no aguardo de algo que separa muitas vezes literalmente a vida da morte, é angústia das mais agudas. Enquanto lamentavelmente muitas dessas histórias não trazer um final feliz, algumas são capazes de renovar as esperanças na humanidade – e foi o caso do estadunidense Jim Abed, que já estava com seu tempo à espera de um rim novo praticamente esgotado quando teve a vida salva ao receber o órgão de Crysti Shirley. O mais incrível, no entanto, é o fato de que Crysti e Jim não se conheciam. Crysti doou seu rim a um estranho.

Para ela, foi um chamado divino; para ele, o mais próximo de um milagre. Seu encontro com a vida se deu através de um post que uma prima realizou no Facebook em fevereiro passado, na esperança de assim encontrar um doador. Crysti havia trabalhado com a prima de Jim e, quando viu o post, se arrepiou. “Eu sabia em meu coração que estava destinada a dar meu rim a ele. Eu não posso explicar isso”, ela disse. Ela respondeu ao chamado, descobriu que era compatível com Jim – contrariando as expectativas dos médicos, que esperavam encontrar o órgão em um parente -, e o procedimento foi feito com sucesso no último dia 26 julho.

Mesmo tendo sido liberada antes de Jim do hospital, Crysti hospedou-se com o marido em um hotel próximo, a fim de esperar que ele também recebesse alta. Dois dias se passaram, e os dois agora encontram-se em casa, em recuperação – ambos com saúde. Enquanto a família de Jim não sabe como agradecer, Crysti diz que não há motivos para agradecimento – que a benção foi dela. “Minha esperança é que ele possa sair e viver uma vida plena e bonita”, concluiu.

© fotos: reprodução/fonte:via

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Como um retrato feito no Renascimento ajudou a acabar com uma guerra

Um dos mais importantes acontecimentos da história, a tomada de Constantinopla pelo império Otomano representou o auge de uma revolucionária expansão territorial sem precedentes que varreu o ocidente no ano de 1453. Em questão de meses o jovem sultão Mehmed II (ou Maomé II, em português) passou a ser conhecido como Mehmed, o Conquistador, tornando-se então o homem mais poderoso do mundo. A expansão do império Otomano de Mahmed II não só significou o fim da chamada Era das Trevas, como também uma grande ameaça para Veneza, então uma cidade-estado estrategicamente localizada na rota para a Ásia e a África. A pulsante e próspera vida cultural e mercantil parecia ameaçada pelo poderio do Conquistador.

Depois de conseguir resistir por mais de duas décadas, em 1479 Veneza, com um exército e uma população muito menores que os Otomanos, se viu na situação de ter de aceitar o acordo de paz oferecido por Mahmed II. Para tal, além de tesouros e territórios, o sultão exigiu dos venezianos algo inusitado: que o melhor pintor da região viajasse a Istambul, então capital do império, para realizar um retrato seu. O escolhido pelo senado de Veneza foi Gentile Bellini.

A viagem de Bellini, pintor oficial e mais aclamado artista de Veneza à época, durou dois anos, e acabou por se tornar um dos mais importantes catalisadores da influência oriental sobre as artes europeias de então – e uma abertura fundamental para a presença da cultura oriental no ocidente até hoje. Mais do que isso, porém, ajudou a impedir que os Otomanos tomassem Veneza.

Bellini pintou diversos quadros durante a estadia em Istambul, mas o principal deles realmente foi O Sultão Mehmet II, retrato do Conquistador, hoje exposto na National Gallery de Londres (o retrato, no entanto, passou por severa reforma no século XIX, e já não se sabe mais o quanto do original sobreviveu).

Trata-se, de toda forma, de um dos únicos retratos contemporâneos do homem mais poderoso do mundo de então – e de um verdadeiro documento da mistura entre cultura oriental e ocidental. Mahmed viria a falecer meses depois da volta do pintor a Veneza, e seu filho, Bayezid II, ao assumir o trono viria a desprezar o trabalho de Bellini – que, no entanto, permanece na história como um marco incontestável.

Outros exemplos de quadros pintado por Bellini em sua viagem

Até hoje arte é utilizada como arma indireta da diplomacia e da afirmação cultural de um povo – no caso de Bellini, no entanto, ela foi realmente um escudo, uma força capaz de impedir uma guerra e mudar o mundo em suas relações para sempre.

©artes: Gentile Bellini /fonte:via