Diretor de ‘Senhor dos Anéis’ restaura e colore 100 horas de filmagens da Primeira Guerra Mundial

Tornar realidade o que parecia impossível é algo que não intimida o diretor neozelandês Peter Jackson. Reconhecido pela memorável trilogia O Senhor dos Anéis, depois de levar às telas a incrível Terra Média dos livros de J. R. R. Tolkien, em seu mais novo trabalho Jackson se lançou novamente a uma tarefa árdua: restaurar, modernizar e trazer para a atualidade os registros cinematográficos da 1a Guerra Mundial. Para realizar o documentário “They Shall Not Grow Old” (Eles não devem envelhecer, em tradução livre), Jackson restaurou e coloriu aproximadamente 100 horas de imagens originais do conflito pertencentes ao acervo do Britain’s Imperial War Museum.

Cena restaurada do documentário de Jackson

O documentário utiliza cerca de 90 minutos do material restaurado para o projeto e, além de colorir as imagens, Jackson também as adaptou para exibições em 3D. Para reproduzir com precisão e correção as cores da época, Jackson estudou milhares de fotos, além de coleções de uniformes e armas da época.

As cenas divididas: de um lado, o filme original e, do outro, a versão restaurada e colorida da mesma cena

Para a narração do filme, através de gravações da década de 1960, foram utilizadas as vozes de veteranos verdadeiros da 1a guerra, que mobilizou boa parte do mundo entre 1914 e 1918.

“Eu quis atravessar a névoa do tempo e trazer esses homens para o mundo moderno, para que possam retomar suas humanidades mais uma vez, ao invés de serem vistos somente como figuras similares a um Charlie Chaplin nos arquivos de filmes antigos”, disse Jackson. “Ao utilizar o poder de nossos computadores para corrigir limitações técnicas de 100 anos de cinema, podemos ver e ouvir a Grande Guerra que eles vivenciaram”.

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Doutrinador? Paulo Freire tem estátua na Suécia ao lado de Neruda e Angela Davis

Quem não nasceu ontem por aqui sabe que o Brasil ama odiar seus mais importantes filhos da pátria. São diversos os exemplos de grandes brasileiros reconhecidos e celebrados em todo o mundo – menos por aqui. E nenhum outro nome é tão celebrado no mundo e, ao mesmo tempo, tão perseguido em seu próprio país como o educador Paulo Freire.

Além de ser reconhecido por lei como o Patrono da Educação Brasileira e de ser o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo, Paulo Freire é o brasileiro mais homenageado e laureado em todos os tempos, com mais de 35 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades em todo o planeta. Por acreditar que as populações mais pobres e oprimidas poderiam e deveriam recuperar sua humanidade através da educação, em seu próprio país ele vem cada vez mais sendo retratado como um mero doutrinador.

O educador brasileiro Paulo Freire

Um exemplo de tal reconhecimento internacional é a simbólica estátua de Paulo Freire em uma praça em Estocolmo, na Suécia. A estátua o localiza junto de outros seis nomes, reconhecidos como alguns dos mais importantes pensadores do século 20.

Estão ao lado de Freire na homenagem a feminista e sexóloga sueca Elise Ottesen-Jensen, a escritora sueca Sara Lidman, a intelectual e ativista pelos direitos negros norte-americana Angela Davis, o cientista e ecologista sueco Georg Borgström, o poeta chileno Pablo Neruda e o ditador chinês Mao Tsé-Tung.

 A presença de Mao na estatua é evidentemente controversa e deslocada, e já houve intensos debates pela retirada do ditador da homenagem. A justificativa é o fato de seu “Livro Vermelho” ser, na prática, um dos mais influentes e vendidos trabalhos de teoria política do século.

Ainda assim, e especialmente diante da forte tradição democrática e progressista de um país como a Suécia, o significado da estátua é saber da importância do trabalho de Paulo Freire, que com sua “Pedagogia do Oprimido”, transformou e fundamentou um processo de transformação social em diversos lugares do mundo, como um dos mais importantes educadores da história.

Triste é pensar que, talvez pelo Brasil jamais ter se importado com a educação como se importava Paulo, é que hoje por aqui seu trabalho é cada vez mais perseguido – enquanto seguimos lançando a educação do país ao desespero.  

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