Desenho inédito de da Vinci deve ser vendido por mais de US$ 15 milhões

Leonardo da Vinci foi um gênio muito à frente de seu tempo. Alguns de seus projetos só conseguiram sair do papel graças a mais de 500 anos de desenvolvimento tecnológico, e os frutos de seu talento continuam sendo descobertos até hoje.

O caso mais recente é de um desenho datado de 1492, quando o artista tinha 40 anos, que só foi descoberto em 2016, enquanto um especialista em da Vinci vasculhava uma coleção particular francesa.

Obra recém-descoberta de da Vinci será leiloada em breve

A obra é bem representativa da versatilidade do genial italiano: de um lado há a ilustração, feita de caneta e tinta, de São Sebastião amarrado a uma árvore. No verso, da Vinci anotou resultados de experimentos científicos sobre a luz de velas.

Em 2016, a casa de leilões Tajan avaliou a obra em cerca de US$15,8 milhões, mas o valor estimado cresceu bastante nos últimos tempos, especialmente depois que a pintura Salvator Mundi, que passou séculos sendo considerada perdida, foi leiloada por incríveis US$450 milhões, aumentando a expectativa pelo valor do desenho de São Sebastião.

‘Salvator Mundi’ fez multiplicar o interesse pelas obras inéditas de da Vinci

O nome de da Vinci será ainda mais lembrado no mundo da arte que o normal a partir de 2019: entre 24 de outubro do ano que vem e 24 de fevereiro de 2020, o Louvre vai realizar uma “exposição sem precedentes” das obras do renascentista, em homenagem aos 500 anos de seu falecimento.

Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons/fonte:via

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Arte e ativismo do chinês Ai Weiwei ocupam Oca do Ibirapuera

Ditadura, refugiados e direitos sociais. Impossível separar a obra de Ai Weiwei das questões urgentes que a sociedade, desde seu nascimento, vive. “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos” é uma das frases que se leem na parede da Oca do Ibirapuera, em São Paulo. O espaço recebe a primeira e maior exposição do artista chinês já realizada. Por ali é possível conhecer sua história, desde os tempos de seu pai – também artista e ativista – até ver os trabalhos mais recentes feitos aqui no Brasil.

Intitulada Ai Weiwei Raiz, a mostra começa fora dos portões do Ibirapuera. A obra Forever Bicycles (Bicicletas Forever) recebe o público que chega ao parque e já mostra a que veio o artista. Com estrutura formada por 1500 bicicletas, a instalação faz referência às repetições, muito usadas no trabalho do artista e à marca chinesa de bicicletas Forever, muito presente em sua infância. O trabalho impressiona  e já antecipa o senso de simetria, grandiosidade e repetição que Weiwei se vale em tantos trabalhos.

Pode tirar 3 horas do seu dia para ver a mostra com paz no coração. A linha do tempo logo na entrada nos faz ter a noção do contexto em que o artista nasce e por que sua arte só teria sentido de forma a garantir sua liberdade e expor as injustiças do mundo. A história do pai de Weiwei, Ai Qing, já é recheada de embates políticos.

Poeta e integrante do Partido Comunista Chinês, ele viveu uma época em que era estimulado que os artistas se expressassem. Logo após o nascimento de Weiwei, em 1957, o governo inicia uma Campanha Antidireitista para reprimir indivíduos considerados “de direita” dentro e fora do Partido Comunista Chinês. Qing é então denunciado e exilado com a esposa e o filho de 1 ano para o nordeste da China. Somente em 1979, Qing é reabilitado e se torna presidente da Associação de Escritores. Na mesma época, Weiwei funda Stars, primeiro movimento artístico contra as políticas estéticas do governo. Os artistas do grupo fazem uma exposição do lado de fora do Museu Nacional de Arte da China.

Em 1983, o artista se muda para Nova York e lá começa uma nova fase em sua carreira. O contato com o trabalho de Marcel Duchamp e Andy Warhol é inspirador e ele, entre faculdade de artes e trabalhos de carpinteiro e cuidador de crianças, ele fazia muitas fotos. Os registros renderam seu famoso trabalho New York fotografias. Em 1993 seu pai adoece ele volta à China.


Novamente em casa, o artista constrói um estúdio, que seria seu primeiro projeto arquitetônico. Funda ainda estúdio de arquitetura FAKE Designe faz curadoria, juntamente com Feng Boyi, da exposição de arte Fuck Off.

Na Oca, seus trabalhos chamam atenção pelas denúncias sociais, feitas em larguíssima escala. A obra Straight (Reto) é exibida pela primeira vez em sua forma completa, é uma instalação feita com 164 toneladas de vergalhões de aço recuperados dos escombros de escolas de Sichuan (China) após o forte terremoto que abalou a China em 2008. Depois do desastre, o governo não quis contar ou divulgar o número de mortos. O fato trouxe questionamentos sobre o padrão de qualidade e segurança das escolar chinesas, então a obra vem para exibir o descaso público no país. Na exposição, uma série de vídeos mostram o duro processo até a conclusão da obra, quando Ai recrutou voluntários e encabeçou uma investigação cidadã para compilar nomes e informações das vítimas estudantis. Na Oca, um espaço exibe a lista com os nomes das 5.385 crianças mortas.


Outras obras históricas e muito conhecidas de Weiwei ganham os espaços da Oca.
Sunflower Seeds (Sementes de Girassol) é um trabalho impressionante que teve milhões de sementes de girassol feitas de porcelana e pintadas à mão por 1600 artesãs chinesas – em sua maioria mulheres. Ali estão várias questões, desde o debate sobre a produção em massa do mundo capitalista que muitas vezes parte da China, até a perda da individualidade, passando também por uma referência ao Mao Tse Tung. Em seu governo se usava o exemplo de que Mao era o sol e todos os chineses os girassóis que se voltavam a ele.


Claramente o governo chinês não é muito fã do trabalho de Weiwei. Ele já teve estúdios demolidos – alguns com aviso prévio e outros sem nenhum -, foi preso e espancado pela polícia e, 2010, foi colocado em prisão domiciliar sob suposta investigação de crimes econômicos. O artista estava a caminho de Hong Kong, onde faria uma festa para a demolição de seu recém-construído estúdio em Shanghai. Após muita tortura psicológica e anos privado de sua liberdade, em 2015 Weiwei conseguiu seu passaporte de volta.

Saindo da China, ele próprio sentiu o peso de se refugiar. Daí começa uma jornada para documentar e expor a realidade das muitas famílias que tentam uma vida longe da guerra. Ele e sua equipe visitaram 40 campos de refugiados em 23 países como Líbano, Grécia, Quênia, Bangladesh, além da fronteira entre o México e os Estados Unidos. O trabalho resultou em um documentário, em séries fotográficas e na instalação gigante “Lei da Jornada (Protótipo B)”, que representa os barcos usados para fuga de refugiados. Impressionante a dimensão e precisão do trabalho.


Outra parte essencial da exposição é a passagem do artista pelo Brasil. Ai passou alguns meses em terras brasileiras conhecendo comunidades, artesãos, manifestações culturais e nossa natureza. Vale tirar 25 minutos para assistir o vídeo onde ele mostra o processo de produção de um molde em tamanho real de um pequi-vinagreiro, espécie de árvore típica da Mata Atlântica baiana atualmente em risco de extinção. Ele escolheu um exemplar da árvore em Trancoso, na Bahia, e mandou as partes para compor a obra na China. O molde perfeito de seu próprio corpo, deitado em um colchão ao lado de uma modelo brasileira, está na mostra. A passagem pelo Brasil também rendeu instalações de couro com frases sobre escravidão e racismo.

Tem uma frase atribuída a Picasso que diz que a arte não está aí para decorar paredes; ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo. Apesar de Ai já ter dito em entrevistas que considera a geração de Picasso muito autoindulgente, a declaração do espanhol descreve bem seu trabalho – e sua potência no combate às injustiças.

Ai Weiwei Raiz tem curadoria de Marcello Dantas e, depois de São Paulo, ainda deve circular pelos CCBBs de Belo Horizonte, de 5 de fevereiro a 15 de abril de 2019, e Rio de Janeiro, de 20 de agosto a 4 de novembro de 2019.
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