10 fotos que quase mataram seus fotógrafos

A dedicação de alguns fotógrafos na busca de uma imagem perfeita muitas vezes os coloca em situações extremas. Para alguns, tais imagens podem vir a definir suas carreiras, mas o custo pode ser alto.

Fotógrafos de guerra e vida selvagem são os que geralmente correm mais riscos, pois atuam em zonas de constante perigo. A história tem muitos relatos de fotógrafos que morreram nestas circunstâncias, mas vários sobreviveram para contar suas histórias.

O site Listverse selecionou 10 imagens que por muito pouco não causaram a morte de seus fotógrafos.

10. Encontro com um leão enfurecido

Atif Saeed, um fotógrafo especializado em vida selvagem, foi quase morto quando um leão na mira da sua lente avançou em sua direção. O episódio ocorreu em um parque de vida selvagem em Lahore, no Paquistão. Saeed estava dirigindo pelo parque quando se deparou com o leão e decidiu descer de seu veículo para fotografar.

Saeed se posicionou a apenas 3 metros de distância do leão, que não gostou nem um pouco da presença do intruso e se lançou em sua direção.

Saeed tirou essa foto arrepiante instantes antes de voltar correndo para seu jipe. E foi por pouco: ele só conseguiu escapar pois havia deixado a porta do veículo aberta. Saeed hoje diz que já consegue rir da situação, mas jurou nunca mais se colocar diante de tamanho perigo de novo.

9. Sobrevivendo ao ataque de um tanque blindado

A sangrenta Guerra Civil da Síria, que começou em 2011 e ainda continua, já rendeu centenas de imagens históricas e trágicas. Em 2012, Tracey Shelton estava cobrindo a Guerra Civil Síria quando foi quase morta por uma bomba disparada por um tanque do Exército Árabe Sírio (as forças armadas oficiais do governo sírio). Seu principal adversário é o Exército Livre da Síria, um conjunto heterogêneo de facções rebeldes que exigem a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Os rebeldes nesse incidente eram do batalhão Noor Den al-Zenke. Tracey Shelton estava com o grupo tirando fotos enquanto eles limpavam sua base. A sequência de fotos logo antes do ataque mostra os rebeldes se divertindo e rindo entre eles.

Os rebeldes receberam informações de que um tanque do Exército Sírio patrulhava a região. Eles tentaram pegar suas armas a tempo para atacar o tanque quando o veículo de combate disparou. Shelton tirou a fotografia no exato momento em que a bomba atingiu os rebeldes. A imagem mostra três rebeldes na linha de frente e um quarto atrás. Shelton estava justamente atrás desse quarto rebelde.

Os rebeldes sequer tiveram tempo de se esconder. Os três na frente morreram. O quarto rebelde sobreviveu com ferimentos. Shelton miraculosamente saiu ilesa, apenas coberta de poeira e fumaça. As fotos tiradas por ela nesse dia servem como mais um lembrete dos horrores da guerra e de um conflito sem uma luz no fim do túnel.

8. Tripé ameaçador

Na noite de 4 de setembro de 2017, o fotojornalista Andy Grimm estava a caminho de fotografar uma tempestade quando decidiu parar em um sinaleiro na pequena cidade de Dayton, EUA. Seu objetivo era apenas tirar algumas fotos noturnas do cruzamento. Ele havia acabado de tirar o tripé do carro quando foi baleado por um policial local, Jake Shaw, que confundiu o tripé com um fuzil.

Shaw atirou duas vezes. A primeira bala atingiu o fotógrafo no peito e a outra passou de raspão no seu ombro. Por muita sorte ele escapou com vida. Ele chegou a processar Shaw e o departamento policial por uso de força excessiva e violação de direitos humanos. Grimm disse que Shaw não se aproximou ou sequer ordenou que ele largasse o suposto rifle antes de atirar.

No entanto, Grimm ressaltou que interpretou que o tiro foi um erro e não queria que Shaw fosse demitido. Por fim, um júri determinou que Shaw não seria julgado pelo incidente.

7. Picada registrada

A mamba-negra é uma das cobras mais letais do mundo e seu veneno é capaz de matar um ser humano em poucas horas. Poucas pessoas vivem para contar a história após uma picada deste animal. O fotógrafo Mark Laita não apenas sobreviveu a um ataque dessa cobra, como ainda capturou uma imagem do exato momento em que a cobra o atacou.

Laita estava trabalhando em um livro sobre cobras durante uma viagem pela América Central. No momento desse incidente ele estava tirando fotos de algumas cobras mantidas por um colecionador. O criador de cobras havia removido as glândulas de veneno da maioria das cobras, mas não dessa mamba-negra.

A mamba se aproximava lentamente de Laita durante a sessão de fotos. Quando o colecionador esbarrou no cabo da câmera de Laita a mamba se assustou, mordendo sua perna durante um ataque repentino.

Laita sobreviveu à mordida sem precisar de tratamento, embora tenha perdido muito sangue. Laita acredita que a cobra não chegou a liberar o veneno durante a mordida. Outra explicação é que o sangramento intenso pode ter expelido o veneno. Apenas ao voltar para casa à noite e analisar as imagens que Laita percebeu que havia capturado o exato momento da mordida.

6. Soldados ugandenses furiosos com foto de protesto

No dia 20 de agosto de 2018, o fotojornalista James Akena foi atacado por soldados ugandenses enquanto tirava fotos durante um protesto contra o governo. Um vídeo chocante feito por uma terceira pessoa mostra um soldado se aproximar de Akena e chicotá-lo com um bastão. Outros dois soldados se aproximam, um deles também segurando um bastão.

Enquanto os três homens batem em Akena, o soldado sem um bastão na mão percebe a pessoa filmando o vídeo. Ele mal se afasta de Akena e dos outros soldados e dispara seu rifle em direção ao indivíduo filmando. O vídeo para abruptamente neste momento, embora não pareça que a pessoa tenha sido morta. Akena foi resgatado logo em seguida.

O exército ugandense declarou que os soldados envolvidos seriam disciplinados. No entanto, a declaração provavelmente foi apenas da boca pra fora, pois se viram pressionados a dar alguma justificativa após o vídeo viralizar. O Observatório dos Direitos Humanos já denunciou que agressões de jornalistas por policiais e oficiais militares ugandenses não é um algo incomum e as autoridades nunca sofreram represálias ou consequências legais.

5. A hora certa de correr

Willis Chung foi outro fotógrafo de vida selvagem que se deparou com um animal galopando em sua direção. Desta vez, foi um bisonte pesando uma tonelada. Chung estava tirando fotos no Parque Nacional de Yellowstone quando o bisonte disparou.

Chung seguiu tirando suas fotos enquanto o bisonte acelerava. O animal continuou a se aproximar até que o fotógrafo finalmente fugiu e largou sua câmera montada no tripé.

O bisonte, no entanto, continuou a circular pela câmera, olhando para ela com curiosidade. O animal chegou inclusive a andar para a parte de trás da câmera, como se olhasse a tela LCD tentando tirar uma foto. Chung, por sua vez, agora em uma distância mais segura, continuou a fotografar o bisonte com uma outra câmera.

4. Soco animal

O fotógrafo Christophe Courteau por pouco não levou um soco de um gorila na mira de sua câmera no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda. Ele e alguns outros fotógrafos estavam fotografando um bando de gorilas quando o líder, um animal de 250 quilos chamado Akarevuro, subitamente avançou na direção de Christophe.

Destemido, ou talvez só imprudente, ele continuou a fotografar a aproximação de Akarevuro até o animal parar bem na sua frente. A fotografia mostra Akarevuro com o punho cerrado como se prestes a socar Christophe. No entanto, Akarevuro apenas empurrou Christophe para o lado e foi atrás de outro gorila macho atrás dos outros fotógrafos. O outro animal estava seguindo o bando de Akarevuro, provavelmente atrás de algumas das fêmeas.

Ainda que o incidente tenha ocasionado uma pequena cicatriz em sua testa, Christophe não sofreu ferimentos graves.

3. Rinoceronte sorrateiro

Jonathan Pledger estava fotografando a vida selvagem no Parque Nacional Kruger, na África do Sul, quando um rinoceronte branco avançou em sua direção. Diferente das outras pessoas nesta lista, Jonathan nem sequer estava ciente da presença do animal selvagem. Ele só percebeu o perigo quando ouviu o farfalhar dos arbustos nas proximidades.

Jonathan, no entanto, não fugiu. Ao contrário, ele continuou a fotografar o rinoceronte se aproximando. O animal possivelmente se acovardou, ou simplesmente mudou de ideia, ao se aproximar de Jonathan. O rinoceronte contornou à esquerda e correu de volta para os arbustos. Jonathan disse mais tarde, no entanto, que sentiu muito medo durante o ataque do rinoceronte.

2. Multidão enfurecida

Mohammed Shaffi estava atuando não como fotógrafo, mas como cinegrafista, quando quase foi morto por uma multidão durante a Guerra Civil da Somália. Um técnico de som e três fotógrafos que acompanhavam Shaffi não tiveram a mesma sorte e foram mortos no ataque.

Em uma manhã no mês de julho de 1993, helicópteros do exército dos EUA atacaram o centro de comando de um chefe militar somaliano chamado Mohammed Farah Aidid. Quinze minutos após o ataque, os veículos da milícia de Aidid foram ao hotel onde Shaffi e seus colegas estavam hospedados e se ofereceram para levá-los ao centro de comando para tirar fotos e filmar vídeos.

Enquanto os jornalistas estavam tirando fotos e filmando, uma multidão enfurecida os atacou sem aviso prévio. Os jornalistas fugiram em direções diferentes e a turba seguiu atrás. Shaffi foi espancado e atingido com pedras enquanto corria. Alguém chegou inclusive a atirar em seu braço à queima-roupa.

Shaffi conseguiu escapar ao saltar para dentro de um veículo com alguns homens somalianos. Ele imaginou que o levariam de volta ao hotel, mas seguiram adiante em direção ao mercado local. Os homens finalmente libertaram Shaffi quando perceberam que ele era um muçulmano queniano. Eles haviam pensando inicialmente que ele era um cristão paquistanês

01. Registrar crimes de guerra é um trabalho perigoso

O fotógrafo Ron Haviv por pouco não perdeu sua vida por tirar fotos de soldados da Guarda Voluntária Sérvia (também conhecida como Tigres de Arkan), uma violenta unidade paramilitar responsável por diversos assassinatos durante a Guerra da Bósnia em 1992. A imagem mais famosa de Haviv mostra um soldado chutando o corpo de uma mulher que seus colegas haviam acabado de matar.

Haviv estava acompanhando os membros paramilitares na época dos assassinatos. Ele assistiu os soldados arrastarem um homem para fora de sua casa antes matá-lo no meio da rua. Eles ainda retornaram e atiraram em sua esposa e sua irmã. Haviv conseguiu tirar fotos desses assassinatos secretamente, porém os membros paramilitares sérvios não aparecem diretamente nas imagens.

Em seguida, um soldado sérvio se aproximou da família morta e chutou seus corpos. Haviv também capturou essa cena em sua câmera. No entanto, os soldados ouviram o clique da sua câmera e o encararam. O comandante do esquadrão, Zeljko Raznjatovic (também conhecido como Arkan), confiscou o filme de Haviv e prometeu devolver as fotografias reveladas mais tarde.

Arkan, no entanto, não percebeu que Haviv havia trocado o rolo do filme e escondido o que continha as provas dos crimes de guerra. Futuramente, Haviv publicou as fotos. O ato desafiador de Haviv enfureceu Arkan, que jurou o fotógrafo de morte. Alguns de seus soldados chegarem inclusive a prender outros fotógrafos ao confundi-los com Haviv.

fonte:via[Listverse]

Este transplante de rosto é o mais bem sucedido até agora

Cameron Underwood passou por 25 horas de cirurgia em janeiro de 2018 para receber um novo rosto. Ele foi o paciente que recebeu este transplante com mais agilidade até agora, e isso significou uma ótima recuperação. “Eu tenho um nariz, uma boca e consigo sorrir, falar e comer alimentos sólidos de novo”, comemora ele.

O médico responsável pelo procedimento e que acompanha a recuperação do rapaz norte-americano, Eduardo D. Rodriguez, conta que a rapidez em receber o novo rosto fez toda a diferença. A cirurgia aconteceu apenas 18 meses depois da tentativa de suicídio do jovem de 26 anos, o período mais curto entre ferimento e cirurgia já registrado nos EUA.

Ele entrou para a fila de transplante em julho de 2017 e um doador compatível foi identificado apenas seis meses depois.

“Cameron não viveu com este ferimento por uma década ou mais como a maior parte dos nossos transplantados. Como resultado, ele não teve que lidar com muitos problemas psicossociais que frequentemente acabam em depressão severa, vício em drogas e outros comportamentos potencialmente destrutivos”, explica ele.

Rodriguez realizou este procedimento pela terceira vez em sua carreira, com a ajuda de 100 profissionais de várias áreas diferentes. A enorme operação aconteceu no centro de saúde NYU Langone, em Manhattan, Nova York. Detalhes sobre a recuperação de Cameron foram anunciados na última semana pelo hospital.

Durante a cirurgia, o médico transplantou e reconstruiu a mandíbula superior e inferior do jovem, incluindo seus 32 dentes e gengiva. O céu da boca, pálpebras inferiores e nariz foram substituídos e sua língua passou por reconstrução. Ele recebeu uma rede metálica abaixo dos globos oculares, para reconstruir o assoalho da órbita.

Uma técnica pioneira do procedimento foi a impressão em 3D de uma guia que ajudou na retirada das estruturas necessárias do rosto do doador e na inserção dos tecidos, ossos e nervos nos pontos corretos do rosto do transplantado.

Confira no vídeo abaixo uma animação publicada pelo centro de saúde NYU Langone sobre o procedimento:

Ferimento

Cameron Underwood (direita) antes do incidente

Cameron é da cidade de Yuba, na Califórnia, e enfrentava depressão desde o final da adolescência. Em junho de 2016, aos 24 anos, a doença progrediu, e depois de recorrer ao álcool para tentar amenizar suas dores, ele acabou se ferindo com uma arma de fogo.

Ele sobreviveu, mas ficou sem a maior parte da mandíbula, nariz e dentes. Apesar de passar por várias cirurgias de reconstrução convencional, ele continuava impedido de ter uma vida normal. Cameron não conseguia falar e se alimentava por um tubo.

Um dia, sua mãe, Beverly Baily-Potter, leu uma matéria jornalística sobre um programa de transplante de face do centro de saúde NYU Langone. Ela imediatamente entrou em contato com o diretor do programa, Rodriguez, e conseguiu agendar uma consulta. Beverly e seu filho atravessaram os EUA para realizar o procedimento em Nova York.

Recuperação

Cameron ficou 60 dias internado no hospital depois sua grande cirurgia. Depois, passou por mais oito meses de reabilitação em que recuperou os movimentos dos músculos do novo rosto, passou por mais procedimentos para alinhar os dentes e reaprendeu a falar e comer alimentos sólidos.

Sua reabilitação em Nova York durou um mês, e ele finalmente pode continuar a luta em casa. Mesmo assim, ele ainda viaja uma vez por mês para Nova York para acompanhamento médico. Cameron ainda vai passar por três a cinco anos de fisioterapia.

A sensação no seu rosto ainda é limitada, e o médico a comparou com estar sob efeito de novocaína. Este anestésico é muito utilizado em cirurgias locais e cirurgias odontológicas. Seu corpo ainda precisa aceitar seu novo rosto e seu cérebro precisa se adaptar a ele.

“Sou muito grato por ter um transplante de rosto porque isso me dá uma segunda chance na vida. Eu tenho conseguido voltar para atividades que amo, como ficar ao ar livre, praticar esportes e passar tempo com meus amigos e familiares”, descreveu ele na coletiva de imprensa organizada pelo hospital em que a cirurgia aconteceu.

Rodriguez elogiou a atitude do jovem, que ajudou em sua rápida recuperação: “no final, tudo depende do paciente. Cameron se esforçou e cumpriu os compromissos necessários”.

“Espero conseguir voltar a trabalhar logo e algum dia começar uma família”, concluiu Cameron.

Confira abaixo o vídeo que mostra o processo de recuperação pós-transplante de Cameron:

O doador

Will Fisher

Esta história também é especial por conta da ligação entre a mãe do doador e Cameron. Sally Fisher diz que só conseguiu sobreviver à dor de perder o filho por saber que ele continuaria a viver através de Cameron.

As leis nos Estados Unidos permitem o contato entre a família do doador e o receptor, e Sally pediu para conhecer Cameron logo após a morte de seu filho, em janeiro de 2018. O reencontro entre as duas famílias só aconteceu depois de terminada a primeira fase de recuperação de Cameron, em novembro de 2018.

Will Fisher era campeão de xadrez e um aspirante a escritor e diretor de cinema. Ele estudava na Universidade Johns Hopkins e faleceu inesperadamente no último dia de 2017. Will havia se cadastrado como doador de órgãos.

“A morte do meu filho foi uma tragédia”, afirmou Sally na coletiva de imprensa. “Ser parte dessa experiência tem sido uma fonte de força para mim durante um momento muito difícil”, continuou ela.

Cameron tentou expressar a gratidão que sente pelo presente que recebeu de Will. “Eu quero que Sally e sua família saibam o quanto minha família e eu apreciamos o presente deles. Eu sempre vou honrar o legado de Will”, afirmou ele.

Veja abaixo a jornada de Cameron desde o seu ferimento em 2016 até a recuperação em novembro de 2018:

Transplantes de rosto

Desde o primeiro transplante de rosto em 2005, mais de 40 deles já foram realizados no mundo todo. Eles já aconteceram na França, Estados Unidos, Espanha, Turquia e China.

A primeira pessoa a receber um transplante de rosto no mundo foi a francesa Isabelle Dinoire, que foi atacada por seu labrador quando estava desacordada ao tomar uma overdose de remédios para dormir em uma tentativa de suicídio. Seu cão ficou desesperado ao vê-la inconsciente e acabou ferindo gravemente o seu rosto.

Claro que em 13 anos de procedimentos muitos avanços técnicos aconteceram, e os médicos conseguem lidar com os casos mais complexos com maior precisão e melhores resultados funcionais e estéticos.
fonte:via[
BBC, USA Today, Health.com]