A incrível história do menino brasileiro que cresceu brincando com onças

Tiago Jácomo Silveira, de 12 anos, cresceu brincando com onças-pintadas. Ele não é uma daquelas crianças que foram criadas por animais, nem nada do tipo. Tiago é filho dos biólogos Anah Tereza Jácomo e Leandro Silveira responsáveis pelo Instituto Onça-Pintada, um órgão que luga pela preservação destes animais.

Ainda pequeno, Tiago amamenta uma onça bebê

Em entrevista à BBC, a família conta que o convívio do garoto com os animais começou quando ele era somente um bebê. A história se tornou viral após uma foto do menino ao lado de duas onças ser compartilhada nas redes sociais.

Tiago, 12 anos, aparece em um lago ao lado de duas onças-pintadas

Leandro, Tiago e Anah caminham ao lado de uma onça-pintada

Como os pais viviam no Intituto Onça-Pintada, cuidando de três onças recém-nascidas, o convívio de Tiago com os felinos ocorreu naturalmente. Desde muito pequeno, ele era instruído sobre como lidar e respeitar os limites dos animais.

Ao lado da mãe, Tiago aproxima o rosto de uma onça-pintada

À reportagem, o pai conta que costumava viajar de caminhonete com o menino e as onças juntos. No trajeto, faziam diversas paradas para dar mamadeira a Tiago e aos filhotes de animais. Mesmo assim, o garoto nunca ficou sozinho com os felinos e a família garante que nunca houve nenhum incidente que o colocasse em risco.

Tiago recebe “um abraço” de uma onça maior do que ele

Embora estejam presentes em cerca de 21 países, quase metade das onças-pintadas vivem em solo brasileiro. Apesar disso, o respeito a estes animais não é um consenso. O próprio exército chochou muita gente ao abater uma onça em Manaus e, no Pará, um caçador foi preso após matar dezenas de animais da espécie.

Fotos: Arquivo Pessoal /fonte:via

Com cuidado e respeito, ela conseguiu contato pacífico com a tribo que matou o missionário norte-americano

No mês de novembro, o missionário norte-americano John Allen Chau foi morto ao tentar entrar em uma ilha do arquipélago de Andaman e Nicobar, território da União da Índia. Sua intenção era converter os nativos locais ao catolicismo, mas ignorar a proibição de acesso à ilha isolada custou sua vida.

Mas, quase trinta anos atrás, uma mulher ousou visitar a tribo em questão, os Sentineleses, e conseguiu um feito memorável: foi a primeira pessoa a ter contato amigável com a chamada ‘tribo mais isolada do mundo’, que sequer descobriu como manipular o fogo até hoje.

Seu nome é Madhumala Chattopadhyay, uma antropóloga indiana que dizia ter vontade de estudar as tribos de Andaman e Nicobar desde a infância. Ela passou seis anos trabalhando na região, publicando mais de vinte pesquisas e até um livro sobre o assunto.

O governo indiano passou décadas tentando estabelecer contato com as tribos locais, mas as expedições costumavam terminar em chuvas de flechas atiradas pelos Sentineleses – outras tribos foram um pouco mais receptivas, embora permaneçam vivendo de forma isolada.

De acordo com Madhumala, a expedição, que aconteceu em janeiro de 1991, começou com muita apreensão, já que poucos meses antes outra equipe tinha sido rechaçada violentamente pela tribo – para ter ideia, todos os integrantes da excursão precisaram assinar documentos para deixar claro que sabiam dos riscos e que nem eles nem seus familiares processariam o governo indiano em caso de ferimentos ou mortes.

Madhumala entregando um coco para um Sentinelese

Mas, ao chegar perto da ilha e ser recebida por quatro Sentineleses armados com arcos e flechas, a equipe colocou alguns cocos sobre a água, fazendo-os flutuar em direção à tribo, oferecendo um presente para mostrar que eles vinham em paz.

Por cerca de três horas, vários homens da tribo foram até a praia e entraram no mar para pegar mais cocos – a ilha onde eles vivem não conta com nenhum coqueiro -, enquanto mulheres e crianças observavam à distância.

Madhumala tinha aprendido algumas palavras do dialeto local ao interagir com outras tribos da região, o que ajudou a estabelecer o contato pacífico com os Sentineleses. Os nativos da ilha chegaram a tocar o barco, o que foi entendido como uma mensagem de amizade, e a equipe de antropóloga até andou até a areia, mas a tribo não permitiu que eles avançassem em direção ao seu assentamento em meio à mata.

Madhumala voltou à ilha um mês depois, acompanhada de uma equipe maior. Dessa vez os nativos foram ao seu encontro sem os arcos e flechas, e até entraram no barco para coletar os cocos que tinham sido levados de presente.

A expedição terminou quando um membro da equipe tentou pegar um enfeite de folhas usado por um Sentinelese. O homem ficou bravo, sacou uma espécie de faca e ordenou que os antropólogos fossem embora imediatamente, e a ameaça foi prontamente acatada.

Outra foto da expedição

Alguns meses depois, o mau tempo frustrou a última expedição ao território Sentinelese. Uma equipe foi até o local, mas não encontrou ninguém por causa da chuva. O governo indiano decidiu deixar as expedições de lado para proteger a saúde da população nativa.

Madhumala nunca mais visitou o arquipélago. À National Geographic, a antropóloga afirmou que “As tribos têm vivido nas ilhas há séculos sem problema algum. Seus transtornos começaram depois de eles terem contato com forasteiros. As tribos da ilha não precisam de proteção, só têm de ficar sozinhas”.

Madhumala interagindo com outros habitantes do arquipélago

Madhumala interagindo com outros habitantes do arquipélago

Com informações da National Geographic

Fotos via acervo pessoal de Madhumala Chattopadhyay/ fonte:via