Essa geóloga achou a melhor maneira de lidar com uma pedra em frente ao seu carro

Nunca irrite uma geóloga. Mas, principalmente, nunca irrite uma geóloga usando justamente um dos objetos de estudo dela: as pedras. Melissa Scruggs, moradora da Califórnia, nos EUA, recentemente acordou com uma pedra gigante bloqueando seu carro, obra de seus vizinhos. Eles provavelmente esqueceram que ela é vulcanologista. Ela literalmente estuda rochas e está, inclusive, buscando um Ph.D. na área. Abaixo está o relato que ela fez para o site Bored Panda:

“Eu e outros estudantes de graduação moramos no mesmo prédio há cerca de 3 anos. Os vizinhos atuais são universitários de 1º ou 2º ano, e eles se mudaram para o outro lado da rua em julho de 2018. Eu fiquei um pouco preocupada no início porque eles gostam de fazer grandes festas, mas eles geralmente são muito atenciosos com o barulho e costumam manter as pessoas fora do nosso quintal”.

“Eu nunca tive qualquer problema até cerca de uma semana e meia atrás. Esta é realmente a segunda vez que isso aconteceu. O propósito da rocha (ser colocada apoiando a cerca) é que, se você estaciona mal, você não vai derrubar a cerca – é inconveniente, mas eu entendo. Cerca de uma semana e meia atrás, um dos rapazes decidiu que era muito inconveniente para ele, e ele a rolou para que ela ficasse mais do meu lado da cerca. Eles não atenderam a porta para me ajudar a colocá-la no lugar, e passaram alguns dias antes de eu conseguir ajuda para colocá-la no lugar. Então, na noite de sexta-feira, eles tiveram uma grande festa”.

“Fui até lá para pedir que as pessoas ficassem fora do nosso quintal e percebi que um carro estava nos bloqueando, então pedi que ele fosse retirado até as sete horas da manhã e deixei um bilhete. Quando acordei, o pedregulho havia sido rolado todo o caminho até a frente do meu carro (foto 1). Então eu imaginei que, se eu colocasse de volta no lugar, eles só fariam isso de novo”.

Então, ela fez o que qualquer especialista em pedras faria: destruiu o objeto usando uma britadeira bem barulhenta às 7h da manhã.

“Como eu publiquei no Twitter, eu não tinha absolutamente nenhum indício de que todo mundo acharia isso tão engraçado – eu pensei que apenas alguns dos meus amigos geólogos iriam rir. O Arenito Matilija (tenho certeza que é o que este pedregulho era) é uma pedra relativamente suave, comparativamente falando – não é um grande desafio para um picador automático nas mãos de uma petrologista impetuosa! Espero poder usar essa atenção para servir de exemplo para qualquer pessoa (mas especialmente para as meninas) que queira ser cientistas honestos e incríveis e realmente envolver o público com a Ciência da Terra. Os geólogos costumam ser negligenciados, mas são muito importantes – e, como você pode ver, somos muito legais como regra geral”.

No Twitter, a geóloga disse que nos encontros seguintes com os vizinhos recebeu apenas acenos com a cabeça e olhares estranhos. “Gosto de pensar que chegamos a um entendimento mútuo”, ela brinca.


fonte:via [Bored Panda]

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Podemos ter encontrado a rocha mais antiga da Terra – na lua

A mais antiga rocha conhecida da Terra pode ter sido encontrada no último lugar que pensaríamos em procurá-la: na lua.

Ela foi identificada em uma amostra trazida de volta para o nosso planeta pelos astronautas da Apollo 14 em 1971.

Não é o caso de uma rocha lunar que um dia já foi parte da Terra (essa é apenas uma hipótese para a origem da lua); há evidências de que a rocha seja realmente de origem terrestre.

Como assim?

De acordo com uma equipe internacional de cientistas, a pedra é composta de quartzo, feldspato e zirconita de 2 gramas incrustada em um pedaço maior de rocha chamada “Big Bertha”.

Esses minerais são raros na lua, mas muito comuns aqui na Terra. Além disso, análises químicas revelaram que a rocha se formou em um sistema oxidado como o do nosso planeta, em temperaturas semelhantes às nossas, ao invés de condições de temperatura semelhantes às da lua.Um meteorito caído na Sibéria revelou um novo mineral nunca visto antes na Terra

Utilizando a zirconita, que contém urânio, cuja meia-vida conhecida permite uma datação precisa, os cientistas estimaram a idade da rocha em cerca de 4 a 4,1 bilhões de anos.

É possível que o fragmento tenha se formado na lua, mas as condições para isso seriam diferentes de tudo que já vimos no satélite. Teria que ter se formado 30 a 70 quilômetros abaixo da superfície, em um “ambiente magmático anormalmente oxidante”, com níveis de oxigênio muito mais altos do que aqueles no manto lunar de 4 bilhões de anos atrás.

Em contraste, as condições terrestres parecem muito mais prováveis – mesmo que seja uma coincidência espetacular que esse pequeno fragmento tenha sido devolvido à Terra.

Mas como chegou lá em primeiro lugar?

Os pesquisadores teorizam que a rocha foi lançada da Terra há cerca de 4 bilhões de anos, quando um asteroide ou cometa atingiu nosso jovem planeta de aproximadamente 540 milhões de anos, enviando fragmentos para o espaço.

Como a lua estava muito mais próxima da Terra naquela época – cerca de três vezes mais próxima do que agora -, estava em uma boa posição para capturar pedaços desses destroços.

“É uma descoberta extraordinária que ajuda a pintar uma imagem melhor da Terra primitiva e do bombardeio que modificou nosso planeta durante a aurora da vida”, disse o cientista David Kring, do Instituto Lunar e Planetário (EUA).

Formação

A rocha, portanto, deve ter se formado sob a superfície do nosso planeta a uma profundidade de cerca de 20 quilômetros, onde permaneceu até que um impacto violento a lançou pelo espaço.

De lá, alcançou a lua, onde mais eventos de impacto provavelmente a derreteram parcialmente e a enterraram, por volta de 3,9 bilhões de anos atrás.

Por fim, a rocha foi devolvida à superfície cerca de 26 milhões de anos atrás, durante o evento de impacto que produziu a Cratera Cone, onde permaneceu até que a Big Bertha foi coletada pelos astronautas da missão Apollo apenas algumas décadas atrás.

Será que tem mais?

Se esse fragmento pode ser encontrado, deve haver outros. Os cientistas creem que o estudo de outras amostras lunares pode localizá-los.

Além disso, com os planos da NASA de levar os seres humanos novamente à lua, pode haver oportunidades futuras para coletar ainda mais amostras.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters.
fonte:
via [ScienceAlert]