Artista cria mundo utópico da mulher nos meios de transporte






Embora sejam maioria entre os usuários do transporte coletivo em São Paulo, as mulheres não são representadas no processo de planejamento urbano. Com uma abordagem lúdica, a designer e ilustradora Leticia RMS busca chamar a atenção para essa questão ao refletir sobre um sistema de transporte utópico que coloca as mulheres no centro das decisões.

Através deste questionamento surge a obra Transtópico, apresentada da seguinte maneira:

A obra discorre sobre um sistema de transporte coletivo utópico, onde questões de gênero e a perspectiva das mulheres são consideradas nos processos de planejamento, garantindo assim a construção de cidades equitativas e seguras; e impedindo – pelo menos no mundo fictício – que o medo da violência e do assédio afaste as mulheres do transporte público e impeça seu direto de ir e vir.

Leticia cria cenários completamente surreais usando técnicas diversas, que vão da ilustração à animação digital. Suas obras relembram a importância do planejamento da cidade sob uma perspectiva feminina e convidam o público a imaginar como seria um mundo em que todos tivéssemos o mesmo direito de transitar livremente pelas ruas.

A obra Transtópico faz parte do festival de arte digital SP_Urban Digital Festival e está sendo exibida na fachada do edifício da Fiesp até o dia 25 de maio. A mostra acontece em parceria com o movimento Maio Amarelo, iniciativa do Observatório Nacional de Segurança Viária, e visa chamar a atenção para o alto número de mortes no trânsito em todo o mundo.

Fotos 1, 2, 5-14: Leticia RMS

Fotos 3, 4: Everton Amaro

Hospital usa arte e decoração para ajudar pacientes com problemas de saúde mental






o visitarem um amigo em recuperação em um hospital, o artista Tim A Shaw e a artista e curadora Niamh White se viram diante de um evidente e paradoxal dilema: como um local feito para que as pessoas se curem podia ter uma decoração e um espírito tão frio, duro e deslocado da realidade e de tudo que nos faz bem?

Os hospitais não lhes pareciam um lugar planejado visualmente para que nos curássemos. Eles então propuseram ao diretor da unidade de tratamento psiquiátrico do local para que pudessem repensar visualmente o espaço – inserindo arte e decoração nos cômodos como um estimulo à saúde mental dos pacientes.

Hoje já são diversos os hospitais que foram modificados pelo projeto Hospital Rooms, como foi batizada a iniciativa. O processo é simples porém demorado, e visa a capacidade que a arte possui de criar um impacto positivo na comunidade.

Primeiro eles conhecem a equipe do hospital, depois convidam um artista para ir ao local, planejar uma ideia e executa-la. Depois de pronta, uma série de workshops com pacientes e com a equipe é realizada, para conectar ainda mais os envolvidos com a arte inserida ali.

Ao todo o processo leva cerca de um ano.

No início, era preciso correr atrás tanto dos artistas quanto dos locais. Hoje, tendo realizado já uma série de projetos bem sucedidos – tanto visualmente quanto no impacto sobre os pacientes – a Hospital Rooms possui uma fila de espera, de artistas e instituições, que querem, através da arte, melhorar a vida dos pacientes, e contribuir um pouquinho em seu processo de cura, de forma quente, instigante e estimulante.

© fotos: divulgação/fonte:via