Baleia cachalote com 100 quilos de entulho na barriga é "lembrete sombrio" do lixo oceânico

Uma baleia cachalote com nada menos do que 100 quilos de rede, corda, plástico e outros pedaços de lixo no estômago apareceu morta e encalhada numa praia escocesa no último dia 30 de novembro.

O animal foi encontrado nas águas de Luskentyre, em uma das ilhas das Hébridas Exteriores, no oeste da Escócia, um local remoto.

De acordo com o Scottish Marine Animal Stranding Scheme, um grupo de pesquisa de animais marinhos, a baleia era um macho de 10 anos, tinha cerca de 14 metros e pesava mais de 20 toneladas.

O diretor do grupo, Andrew Brownlow, afirmou ao New York Times que, enquanto não está claro se todo esse entulho contribuiu para a morte do mamífero, provavelmente impactou seu sistema digestivo.

Tristemente comum

Enquanto é comum que animais encalhados com lixo no estômago sejam encontrados, de tartarugas a golfinhos a baleias, estas últimas acabam chamando mais atenção por conta da quantidade enorme de resíduos que podem conter.

Em março, uma baleia com 40 quilos de lixo foi descoberta nas Filipinas. Em abril, outra com 20 quilos de plástico no seu interior apareceu na Itália.

“Este é um caso incomum, mas infelizmente não sem precedentes – cachalotes e outras baleias de bico são encontradas presas nas costas da Europa há anos com lixo marinho em seus estômagos. O que é peculiar neste caso é o grande volume”, disse Brownlow.

Vamos salvar as baleias

Este incidente vale como um lembrete sombrio e poderoso do problema do lixo oceânico e como pode impactar a vida marinha.

Segundo Regina Asmutis-Silvia, diretora executiva da Conservação de Baleias e Golfinhos da América do Norte em Massachusetts (EUA), a maioria das baleias mortas não acaba encalhada em praias.

“Alguns estudos sugerem que os encalhes representam apenas 2% do número de baleias que realmente morreram”, esclarece.

E acrescenta: “Embora chame a atenção para os detritos marinhos, um problema que todos nós certamente podemos ajudar a resolver, [o caso] também deve chamar a atenção para a perda de baleias, uma espécie essencial em nossa própria sobrevivência”.

fonte:via [NYTimes]

Radar aéreo descobre um navio viking em uma fazenda

Um estudo do Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU) descobriu um navio viking em uma fazenda usando radar aéreo.

O achado foi uma surpresa e um golpe de sorte, uma vez que este local em particular não fazia parte da área de pesquisa original da equipe.

“Nós terminamos a área combinada, mas tivemos tempo de sobra e decidimos fazer uma pesquisa rápida em outro campo. Acabou sendo uma boa decisão”, disse o arqueólogo Manuel Gabler, da NIKU, em um comunicado à imprensa.

O navio

O navio foi descoberto por radar de penetração no solo. Ele estava escondido sob uma fazenda perto da antiga cidade de Edøy, no oeste da Noruega. Nas proximidades, restos de postes indicavam os contornos fantasmagóricos de duas casas.

“O que podemos dizer é que esse tipo de casa geralmente data do período pré-cristão na Noruega. Em alguns casos, casas foram encontradas em locais de enterro que foram interpretados como ‘casas de morte’, ou seja, casas que provavelmente estavam ligadas ao culto aos mortos”, disse arqueólogo Dag-Øyvind Solem, também do NIKU, ao Ars.

Por enquanto, os pesquisadores não podem dizer quantos anos o navio tem, embora deva ter pelo menos mil anos, datando da Era Viking ou do período merovíngio anterior.

As imagens do radar são bastante detalhadas, no entanto. Por exemplo, os pesquisadores notaram que as extremidades do navio parecem ter sofrido danos, provavelmente por conta da agricultura, mas a maior parte do casco parece intacta. Com base no comprimento da quilha (a “espinha dorsal” de um navio), os arqueólogos estimam que ele tinha entre 16 e 17 metros.

Enterro de alguém importante

Nas imagens, o contorno do navio apareceu claramente circulado pelos restos de uma vala.

“Além de ter um significado potencialmente simbólico, acredita-se que as valas têm a função prática de fazer com que os montes pareçam maiores do que realmente eram”, afirmou Solem.

Ainda não é possível dizer a quem pertencia esse túmulo ou quantos esqueletos contém, mas provavelmente é a vala de algum governante ou indivíduo poderoso. Neste caso, a pessoa teria sido enterrada com artefatos como ouro, prata, armas e talvez até com escravos ou membros da família.

No entanto, o navio pode ter sido roubado em algum período da sua história passada. Descobertas semelhantes já foram encontradas saqueadas.

Próximos passos

Esse não é o primeiro navio com vala descoberto por radar. No ano passado, outra pesquisa revelou um navio de 20 metros enterrado apenas meio metro abaixo do solo em Gjellestad, no sudeste da Noruega. O local está sendo escavado, mas os resultados ainda não foram divulgados.

O próximo passo em Edøy é escavar o navio também – se isso for permitido. “A decisão do que acontecerá em seguida depende da Diretoria do Patrimônio Cultural (Riksantikvaren). Para ser franco, não sabemos se a descoberta será totalmente escavada ou mesmo totalmente deixada em paz”, explicou Solem.

Escavar mesmo uma pequena área do navio já dará aos arqueólogos uma melhor visão de sua condição, no entanto, bem como a chance de conduzir análises na madeira e no que mais for coletado.

Eventualmente, os arqueólogos esperam responder a perguntas sobre um importante desenvolvimento tecnológico medieval: a quilha.

“A evolução da quilha, que contribuiu para o início do período viking, é um assunto importante na Escandinávia. Um achado como esse contribuirá, esperançosamente, para o nosso entendimento do desenvolvimento dos navios viking”, afirmou Solem.

fonte:via [ArsTecnhica]