Espécie “perdida” de cervo-rato é registrada no Vietnã depois de 30 anos

Um esforço liderado pela Conservação Global da Vida Selvagem (EUA) e pelo Instituto Leibniz de Pesquisa em Zoologia e Vida Selvagem (Alemanha) conseguiu capturar imagens de uma espécie “perdida” de cervo-rato no Vietnã, depois de trinta anos sem ter certeza se ela estava extinta ou não.

O Tragulus versicolor é um mamífero ungulado minúsculo (possui cerca de 45 centímetros) parecido com um cervo que não tinha sido observado desde 1990, quando um desses animais foi morto por um caçador.

“Tínhamos tão pouca informação sobre a espécie que não tínhamos uma ideia pré-formada sobre se ela ainda estava lá fora ou se ainda existia, quão difícil seria encontrá-la”, explicou um dos autores do estudo, Andrew Tilker, estudante de doutorado do Instituto Leibniz, ao portal Gizmodo.

Armadilhas fotográficas

Primeiro, os pesquisadores entrevistaram locais em três províncias vietnamitas da região de Annamites, uma área densamente florestada na qual a caça é comum.

Baseados em registros de avistamentos de criaturas que poderiam ser a espécie procurada, os cientistas então distribuíram 29 armadilhas fotográficas ativadas por movimento pela região.

Ao longo de seis meses, 15 das armadilhas fizeram 208 detecções independentes de cervos-ratos Tragulus versicolor. Os animais foram vistos principalmente durante o dia, 97% do tempo sozinhos e 3% com um parceiro.

“Em uma era de extinções em massa, confirmar a sobrevivência de espécies perdidas oferece raras segundas chances para a conservação da biodiversidade”, disseram os cientistas responsáveis pelo estudo em um artigo publicado na revista Nature Ecology & Evolution.

Mais informações

A partir desses registros, os cientistas não puderam determinar o tamanho total da população, embora a espécie pareça abundante na única área pesquisada.

“Claro, isso é muito encorajador. No entanto, devemos ter cuidado para não tirar conclusões precipitadas – porque a espécie parece ser abundante localmente em uma área não significa necessariamente que seja abundante em outras partes de seu alcance. Para avaliar o status de conservação das espécies, precisamos de mais informações”, esclareceu Tilker.

O pesquisador afirmou ainda que o cervo-rato é provavelmente impactado por armadilhas para a caça comumente utilizadas na região, e que controlar esse fenômeno é importante para garantir sua sobrevivência. Isso pode incluir, entre outras coisas, a redução da demanda por produtos da vida selvagem, o fortalecimento da fiscalização em áreas protegidas e a conscientização do público.

Perder o Tragulus versicolor sem dúvida afetaria negativamente o meio ambiente. Como outros ungulados, a espécie provavelmente ajuda a distribuir sementes, o que contribui para a saúde geral da floresta.

fonte:via[Gizmodo]

“A Tumba”: depósito de lixo nuclear está começando a se romper e afundar nas Ilhas Marshall

Antes de lançar a primeira bomba atômica do mundo, os EUA fizeram vários testes de detonações em locais remotos. O problema é que toda a radiação está até hoje nesses lugares, sendo que um desses lixos nucleares agora corre risco de se romper e afundar.

Estamos falando do “Runit Dome”, chamado pelos locais de “A Tumba”. O depósito de resíduos radioativos fica na Runit Island, uma das 40 ilhas do Atol Enewetak nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

O depósito

Testes nucleares foram realizados na região nas décadas de 1940 e 1950. Na época, os residentes do Atol Enewetak foram exilados e transferidos para ilhas próximas.

De 1977 a 1980, cerca de 4.000 militares americanos foram enviados à Runit Island para limpar os resíduos radioativos.

Eles reuniram solo contaminado, equipamento militar, sucata de metal e enterraram todo esse lixo sob o Runit Dome, cobrindo-o com concreto. A cratera contém material suficiente para encher 35 piscinas olímpicas.

Hoje em dia, apenas três das 40 ilhas são consideradas seguras para habitação humana, e abrigam cerca de 650 residentes.

Subida no nível do mar

O problema é que o nível do mar tem aumentado. Desde 1993, a água subiu cerca de 7 milímetros por ano, começando a infiltrar-se no solo sob a cratera.

Como o fundo do poço não foi revestido com concreto, as marés crescentes podem submergir a tumba, ou até mesmo rompê-la.

A maior parte do lixo nuclear contém plutônio, um isótopo que pode causar câncer de pulmão se inalado.

O Departamento de Energia dos EUA informou já em 2013 que materiais radioativos poderiam estar vazando do depósito para o ambiente marinho, embora tenha declarado que isso “não necessariamente levaria a uma mudança significativa na dose de radiação entregue à população local”.

Perigos

Estima-se que o nível do mar aumente entre 3 a 16 centímetros nas Ilhas Marshall até 2030, resultando em mais tempestades e inundações costeiras. Até 2100, a “Tumba” pode estar totalmente submersa.

Os moradores da região temem que danos crescentes à estrutura possam apresentar riscos à saúde ou forçá-los a deixar as ilhas novamente. “Se rachar, a maioria das pessoas daqui não estará mais. Isso é como um cemitério para nós, esperando que o pior aconteça”, disse Christina Aningi, professora no Atol Enewetak, ao Australian Broadcasting Corporation.

O radioquímico marinho Ken Buesseler, contudo, afirmou que a preocupação com a radiação na área pode ser exagerada. “Há césio em tudo que você come, plutônio em tudo que você come e bebe”, explicou ao Insider.

Ele não descarta os perigos da inalação de plutônio vazado ou da exposição a água contaminada por abrasão, no entanto. O cientista planeja colher amostras do solo próximo ao depósito de lixo em breve.

“Você não pode experimentar o gosto, cheirar, tocar ou sentir”, disse Buesseler. “Então é o tipo de coisa invisível que pode prejudicá-lo, e ninguém quer isso”.

fonte:via [ScienceAlert]