Religião misteriosa é descoberta no fundo de lago nos Andes

Os Incas eram considerados a sociedade mais avançada das Américas, até a chegada de Colombo. No entendo, uma descoberta altera essa percepção. Muito antes dos Incas dominarem a área que se estende da Colômbia ao Chile, uma sociedade mais antiga e misteriosa habitou a região dos Andes.

Esse império mais antigo, do qual se sabe menos ainda do que sobre os Incas, é chamado estado de Tiwanaku e atingiu uma população máxima entre 10 mil e 20 mil pessoas.

O pouco que se sabe sobre o estado de Tiwanaku é proveniente de achados arqueológicos, que dão pistas sobre esse povo e sua cultura há muito desaparecida. Em abril, os cientistas anunciaram a descoberta de uma nova parte importante para desvendar essa história.

Vestígios da religião

A descoberta foi realizada perto da Ilha do Sol no Lago Titicaca, na Bolívia, durante o primeiro mergulho e escavação arqueológica sistemática realizada nas águas do recife de Khoa.

Foram encontradas, pelos pesquisadores, evidências de oferendas rituais para divindades. Isso significa que existia uma religião nessa parte do mundo, muito antes do que se imaginava.

Essa pesquisa mostra que o povo Tiwanaku foi o primeiro a oferecer itens de valor para divindades religiosas na área. Eles se desenvolveram no Lago Titicaca entre os anos 500 e 1.100.

O antropólogo da Pennsylvania State University, José Capriles, e sua equipe usaram sonar e fotogrametria subaquática 3D para monitorar e mapear o recife durante estudos que duraram 19 dias, em 2013, no Lago Titicaca.

Nos sedimentos do lago foram encontrados incensários em forma de puma com fragmentos de carvão, ornamentos de ouro, conchas e pedras. Imagina-se que o puma foi um símbolo religioso importante para os Tiwanaku.

A imagem de uma face raiada encontrada em dois medalhões de ouro sugere que as oferendas deveriam ser explicitamente destinadas à principal figura mítica da iconografia religiosa, algumas vezes chamada Viracocha. Também foram encontradas placas de metal com a representação de uma criatura mítica que mistura onça com lhama.

De acordo com Capriles a presença de âncoras próximas às oferendas sugere que elas podem ter sido realizadas durantes rituais em barcos. Sendo assim, elas foram projetadas para ficar submersas. As peças datam dos séculos VIII e X.

Foram encontrados ossos de diversos animais que provavelmente se depositaram de forma natural. No entanto, foram identificados ossos de lhamas jovens nessa mistura, o que é diferente dos demais animais encontrados. Elas provavelmente eram mortas e enterradas no mar como oferenda no ritual antigo.

O papel do rito religioso

Mesmo que não se saiba exatamente o significado dessas oferendas, sua elaboração é uma indicação da sofisticação dos Tiwanaku. Os rituais em sociedade complexas emergentes podem ser um fator chave para o desenvolvimento da complexidade política.

O papel da religião e dos rituais é visto como relacionado ao controle das forças sobrenaturais, facilitador da coesão dos grupos, incentivo à solidariedade e colaboração entre os integrantes do grupo. Para os pesquisadores, além do culto, essas cerimônias dos Tiwanaku refletem uma relação complexa.fonte:via [ Science Alert, PNAS]

Cientistas descobrem um local na Terra tão agressivo que não há vida

Um novo estudo europeu liderado por cientistas do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica descobriu um local tão inóspito na Terra que nem mesmo micróbios conseguem viver lá: o campo geotérmico de Dallol, na Etiópia.

Salgado, hiperácido e muito quente

Dallol fica na depressão de Danakil e se estende sobre uma cratera vulcânica cheia de sal, gases tóxicos e água fervente, no meio de atividade hidrotermal intensa. As temperaturas podem passar de 45 graus Celsius no inverno, e a água é tão ácida que seu pH é às vezes negativo.

Embora existam ambientes extremos nos quais formas de vida extremamente resistentes florescem, este não é um desses casos.

“Após analisar muito mais amostras do que em trabalhos anteriores, com controles adequados para não as contaminar e uma metodologia bem calibrada, verificamos que não há vida microbiana nas piscinas salgadas, quentes e hiperácidas ou nos lagos salgados adjacentes ricos em magnésio”, disse a principal autora do estudo, a bióloga Purificación López García.

Os cientistas utilizaram vários procedimentos para confirmar esse achado, incluindo sequenciamento de marcadores genéticos para detectar e classificar microrganismos, tentativas de cultura microbiana, citometria de fluxo fluorescente para identificar células individuais, análise química da água e microscopia eletrônica de varredura combinada com espectroscopia de raios-X.

A única coisa que os pesquisadores descobriram foi uma grande diversidade de arqueias halofílicas (um tipo de microrganismo primitivo que adora sal) no deserto e nos cânions salinos em volta do local hidrotérmico. Estes organismos não foram encontrados nas poças hiperácidas e hipersalinas ou nos lagos de magnésio de Dallol, “apesar do fato de que a dispersão microbiana nessa área, devido ao vento e aos visitantes humanos, é intensa”.

Limites na busca por vida extraterrestre

Este estudo serve como parâmetro nas buscas por vida extraterreste. Às vezes, cientistas analisam locais extremos aqui na Terra para entender em que condições a vida pode surgir e sobreviver em outros planetas.

“Nosso estudo apresenta evidências de que existem lugares na superfície da Terra, como as piscinas de Dallol, que são estéreis, mesmo que contenham água líquida”, disse Lopez Garcia. Isso significa que a presença de água líquida, ainda que frequentemente usada como critério de habitabilidade, não implica diretamente em vida.

Além disso, em Dallol, os pesquisadores encontraram minerais precipitados que se pareciam com células microbianas em um microscópio. “Em outros estudos, além da possível contaminação de amostras com arqueias de terras adjacentes, essas partículas minerais podem ter sido interpretadas como células fossilizadas, quando na realidade se formam espontaneamente nas poças salgadas, mesmo que não haja vida”, destaca a bióloga.

De forma geral, o trabalho “ajuda a circunscrever os limites da habitabilidade” e lembra da cautela necessária ao interpretar bioassinaturas morfológicas na Terra e outros planetas – em outras palavras, é melhor utilizar diversos métodos de análise para controle ao invés de confiar no aspecto aparentemente celular ou “biológico” de uma estrutura que pode ter origem abiótica.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution. [Phys] fonte:via