Este lagarto parece estar passando por um enorme passo evolutivo, pois bota ovos E dá à luz filhotes vivos

Entre os vertebrados, as espécies fazem geralmente uma de duas coisas: colocam ovos ou dão à luz filhotes vivos. Galinhas não expelem pintinhos vivos, do mesmo jeito que nós não botamos ovos quando engravidamos.

Dito isto, existem três espécies malucas que fogem a essa regra: três lagartos. Um deles, o Saiphos equalis, parece ser o mais estranho de todos, sendo que um mesmo indivíduo já foi registrado botando ovos e dando luz a filhotes vivos na mesma ninhada, algo jamais observado.

Logo, estudar estes animais dá aos cientistas uma oportunidade incrível de assistir à evolução em ação.

Ovíparos x vivíparos

Animais que botam ovos são chamados de ovíparos. Algumas espécies de peixes botam ovos que são fertilizados externamente. Já outros ovíparos, incluindo pássaros, alguns lagartos e algumas cobras, botam ovos que foram fertilizados dentro da mãe.

Por outro lado, animais vivíparos carregam embriões internamente até que estejam totalmente desenvolvidos. Em tais espécies, os pais podem prover nutrição extra a seus filhotes através da placenta, como acontece com humanos, gatos, coelhos e outros mamíferos.

Existem evidências de que o “ovo veio antes da galinha”, ou seja, de que a reprodução ovípara é anterior e ancestral à vivípara.

Obviamente, muitas mudanças fisiológicas foram necessárias para que animais parassem de botar ovos e passassem a dar à luz filhotes vivos. Nesta transição, estruturas foram perdidas, como a casca de ovo, e outros mecanismos entraram em ação, como o suprimento adequado de oxigênio e água para o desenvolvimento embrionário.

Os pesquisadores sabem que essa “evolução” – de ovos a nascimentos vivos – ocorreu com frequência, pelo menos 121 vezes, de forma independente em grupos répteis. Já o contrário – a reversão a uma reprodução ovípara – é muito mais rara, provavelmente porque reganhar estruturas como o maquinário para produzir cascas duras de ovos seja muito difícil.

Reprodução bimodal

O fenômeno chamado de “reprodução bimodal” é extremamente raro. Enquanto existem 6.500 espécies conhecidas de lagarto no mundo, só três exibem essa característica.

Duas ficam na Austrália e já foram estudadas por cientistas da Universidade de Sydney, incluindo o Saiphos equalis. No norte de Nova Gales do Sul, esses lagartos dão à luz. Já próximo a Sydney, populações diferentes da mesma espécie botam ovos. Mais bizarramente, uma fêmea que faz as duas coisas ao mesmo tempo já foi descoberta.

O S. equalis é tão diferente que até mesmo as populações ovíparas possuem excepcionalidades. Por exemplo, os ovos ficam retidos dentro da mãe por um período relativamente longo. Normalmente, os ovos deste lagarto são “chocados” por pelo menos 35 dias antes de eclodirem, mas alguns eclodem apenas cinco dias após terem sido postos.

Expressão de genes

A maioria dos aspectos desenvolvimentais dos animais são controlados por genes. Essa expressão (ativação) genética pode ocorrer em diferentes graus, bem como pode parar, se necessário.

O útero de um lagarto ovíparo passa por poucas expressões genéticas entre estar vazio e ter um ovo. Já o útero de um lagarto que dá à luz passa por milhares de mudanças genéticas a fim de suportar um filhote em desenvolvimento, incluindo genes que proporcionam oxigênio e água e que regulam o sistema imunológico da mãe para manter o bebê a salvo.

A pesquisa australiana mediu essas alterações em expressões de genes em populações de S. equalis que botam ovos e que dão à luz. Eles descobriram, conforme previsto, que o útero dos lagartos que dão à luz passa por milhares de mudanças.

Surpreendentemente, no entanto, o útero dos que botam ovos também passa por milhares de mudanças, sendo que muitas delas são semelhantes às observadas nos lagartos que dão à luz. As mais importantes permitem que os embriões se desenvolvam dentro da mãe por mais tempo, e que o útero se “remodele” para acomodar o filhote em desenvolvimento.

Transição evolucionária

De acordo com os cientistas australianos, essas descobertas são admiráveis porque demonstram que lagartos S. equalis que botam ovos são “intermediários evolutivos” entre animais que “verdadeiramente” botam ovos ou dão à luz.

O fato da expressão de genes nos S. equalis que botam ovos ser tão parecida com a expressão de genes de lagartos vivíparos pode explicar por que um mesmo individuo pode realizar as duas coisas ao mesmo tempo.

Essas similaridades também parecem significar que “reversões” – de nascimentos vivos a postura de ovos – podem não ser tão complicadas como pensávamos.

Contudo, elas provavelmente estão restritas a espécies nas quais a reprodução vivípara evoluiu apenas recentemente, como o próprio S. equalis. fonte:via [TheConversation]

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